30 de dezembro de 2009

IGP-M, índice que reajusta aluguéis, tem primeira deflação da história

Pela primeira vez desde que começou a ser calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 1989, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) registrou deflação. O indicador, que é usado para reajustar os aluguéis e outros contratos de prestação de serviços, acumulou de janeiro a dezembro deste ano queda de 1,72%. Só no mês de dezembro, o IGP-M recuou 0,26% e voltou ao terreno negativo, depois de ter encerrado novembro com alta de 0,10%.

Os resultados anual e mensal superaram as expectativas do mercado financeiro. O último Boletim Focus, do Banco Central (BC), apontava para uma deflação anual de 1,41%. A mediana das projeções do mercado para o IGP-M de dezembro era de -0,15%, segundo a Agência Estado.

A deflação do IGP-M de 2009 contrasta com o desempenho de anos anteriores. Em 2008, o índice subiu 9,81%. Antes do Plano Real, em 1994, o índice anual estava na faixa de quatro dígitos. Em 1993, por exemplo, o indicador acumulou alta de 2.567,46%.

"Essa deflação histórica do IGP-M registrada neste ano foi resultado da combinação da crise global com a crise local", afirma o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele explica que a crise internacional jogou os preços em dólar das commodities para baixo. Além disso, a valorização do real em relação ao dólar, que atingiu 25% neste ano em razão da entrada de capitais externos - porque o Brasil saiu mais rapidamente da recessão em relação a outros países -, potencializou o efeito da crise financeira nos índices de preços.

Quadros destaca que a deflação deste ano, especialmente influenciada pelos preços industriais no atacado que atingiram o recorde histórico de baixa de 4,74%, cria condições para que a expansão da economia prevista para 2010 não pressione a inflação no curto prazo.

MERCADO

Apesar do cenário confortável para os preços, Quadros, assim como boa parte dos economistas do mercado, não acredita que a deflação nos IGPs se repita no ano que vem. De acordo com o Boletim Focus, que reúne projeções de analistas, o mercado projeta IGP-M de 4,5%, em média, para 2010, depois do tombo deste ano.

"É difícil que a deflação do IGP-M volte em 2010", afirma Fábio Romão, economista da LCA Consultores. Ele prevê que o indicador atinja 4,6% no ano que vem, em razão da recuperação da economia mundial e da elevação dos preços das commodities.

Quadros prefere não fazer projeções para o indicador, mas diz que a previsão de 4,5% feita pelo mercado para 2010 é "um resultado possível".

O coordenador da FGV e Romão, da LCA, concordam que o fator chave da inflação para o ano que vem será o comportamento dos alimentos ao consumidor. Neste ano, a alimentação que responde por cerca de um quarto do Índice Preços ao Consumidor-Mercado (IPC-M) subiu 2,49%. No ano passado, a alta acumulada dos alimentos foi de 10,39%. "A variação dos preços dos alimentos será um pouco maior em 2010, mas nada parecido com o que foi em 2008", pondera Quadros.

Enquanto os preços dos alimentos despontam como fator de risco para a inflação do ano que vem, os preços dos serviços administrados que são reajustados pelo IGP-M devem ajudar a contrabalançar as pressões inflacionárias, por causa da deflação do indicador acumulada nos últimos 12 meses.

O aluguel residencial, por exemplo, foi o preço que mais contribuiu positivamente para a alta do IPC-M neste ano. Em 2009, o aluguel subiu 7,07% e contribuiu com 0,35 ponto porcentual para o IPC que fechou com elevação de 3,97% no ano. Com a deflação do indexador, a perspectiva é de que os preços dos aluguéis sejam mantidos.

ATACADO

O Índice de Preços por Atacado (IPA), que responde por 60% do IGP, foi o principal responsável pela deflação histórica do indicador no ano. Em 2009, o IPA caiu 4,42%, um recorde de baixa. No ano anterior, o indicador tinha subido 10,84%. A maior retração dentro do IPA foi registrada nos bens intermediários, isto é, as matérias primas usadas pela indústria, cujos preços médios recuaram 7,29% em 2009, depois de terem subido 15,61% no ano anterior. A maior retração ocorreu no preço do minério de ferro, que ficou 44,08% mais barato neste ano em reais e contribuiu com 1,13 ponto porcentual para a retração do IPA neste ano.

Já o IPC teve forte desaceleração ao longo do ano, mas não chegou a ficar negativo. Em 2009, o indicador acumulou alta de 3,97%, ante uma elevação de 6,07% acumulada em 2008.

Também o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que pesa 10% no IGP, perdeu fôlego em 2009. O indicador subiu 3,22% neste ano, cerca de um quarto variação acumulada em 2008 (12%). A maior retração ocorreu no vergalhão de aço, cujo preço caiu 15,70%.

Juro para consumo é o mais baixo em 15 anos

Os juros dos empréstimos bancários, que estão em seu menor nível em 15 anos, e a melhora na confiança do consumidor têm impulsionado o movimento de recuperação das operações de crédito do sistema financeiro nacional. Apoiadas em uma série de medidas lançadas pelo governo para estimular a economia, as famílias têm buscado mais financiamentos para compra de bens e imóveis, segundo avaliação do Banco Central.

Os empréstimos destinados às famílias atingiram o montante de R$468,8 bilhões em novembro, um avanço de 18,9% nos últimos 12 meses, de acordo com os dados divulgados ontem pelo BC. No mesmo período, o estoque total de crédito ofertado pelo sistema financeiro cresceu 15% e atingiu R$1,39 trilhão.

Um dos grandes fatores por trás deste movimento de expansão do crédito para o cidadão comum é a queda dos juros. A taxa média cobrada em novembro nas operações destinadas às pessoas físicas atingiu 43% ao ano, o menor porcentual já registrado na série histórica do BC, iniciada em julho de 1994.

"O crédito às famílias foi afetado, fundamentalmente, por força de redução da confiança do consumidor no momento mais grave da crise. Quando essa confiança volta, as famílias, num quadro de manutenção de renda e emprego, voltam a se endividar", explicou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC.

Um dos segmentos que tem garantido esse aumento dos financiamentos para as famílias brasileiras é o chamado crédito consignado, empréstimo com desconto na folha de pagamento, que saltou 35% nos últimos 12 meses. "Esse é um crédito de taxas bem mais baixas, de inadimplência baixa e, portanto, mais saudável para as famílias", disse Altamir. Como o pagamento do empréstimo é descontado diretamente do salário do empregado, o nível de segurança da operação para os bancos é alto, o que permite a cobrança de uma taxa média de juros de 2% ao mês.

Segundo Lopes, o consignado já representa quase 60% do estoque de R$177,1 bilhões em operações de crédito pessoal. Essas operações de crédito consignado, entretanto, ainda estão bastante concentradas entre funcionários públicos, que tem estabilidade de emprego. Dos R$105,2 bilhões oferecidos por meio deste tipo de operação, R$91,7 bilhões acabaram nas mãos dos trabalhadores do setor público.

HABITAÇÃO

Outro segmento que tem crescido é o de empréstimos habitacionais. Em novembro, o estoque destas operações atingiu R$86,4 bilhões, praticamente o dobro do que existia em 2007. O volume de operações com os chamados créditos direcionados - como recursos da poupança - é predominante, mas os bancos têm ampliado a oferta de crédito habitacional com base em outras fontes de recursos.

Apesar do avanço, os financiamentos habitacionais ainda correspondem a uma parcela pequena das operações de crédito em termos de proporção do PIB. Em outros países, este tipo de financiamento equivale a 30% do PIB, enquanto no Brasil ele deve atingir 2,8% do PIB ao final de 2009, ante 2% no ano passado.

Fundo Soberano já pode comprar dólares

Depois da taxação do capital externo com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o Ministério da Fazenda abriu espaço ontem para o Tesouro Nacional atuar no mercado de câmbio e evitar uma valorização da moeda. O Tesouro foi autorizado a fazer aplicações com os mais de R$ 16 bilhões depositados no Fundo Soberano do Brasil (FSB). Exatamente um ano depois da aprovação da lei 11.887, que criou o Fundo, o governo regulamentou a forma de aplicação dos recursos do FSB. O Tesouro poderá vender os títulos públicos que estão depositados no Fundo e comprar outros ativos, conforme diretriz traçada pela equipe econômica.

A notícia sobre a publicação ontem, no Diário Oficial da União, do decreto com a regulamentação do FSB, provocou rebuliço no mercado financeiro, porque colocou o Tesouro, em tese, como um importante agente no mercado de câmbio, ao lado do Banco Central, ampliando o grau de "surpresa" das atuações. Agora, o Ministério da Fazenda tem nas mãos dois instrumentos de atuação do câmbio: a possibilidade de aumentar o IOF e as eventuais compras do Tesouro.

O decreto, que acabou provocando ontem um aumento do dólar no mercado doméstico, no entanto, não foi explicada pelo governo. Tanto o Tesouro como as assessorias do Ministério da Fazenda, da Casa Civil e do Palácio do Planalto se recusaram a explicar os detalhes do decreto e estratégia do governo daqui para frente para o FSB.

A possibilidade de uso do FSB ainda não está, porém, pacificada no governo, nem mesmo no próprio Ministério da Fazenda, onde há defensores e críticos da proposta de colocar o Tesouro para comprar dólares. A ideia original da Fazenda, quando começou a trabalhar no FSB, no início do ano passado, era enfrentar o problema da valorização cambial, já que o dólar chegava a R$ 1,56. Mas o governo foi atropelado pela alta da inflação e o FSB ganhou então uma natureza fiscal, de modo a inibir um aumento mais forte dos juros pelo BC. Com o Fundo, a Fazenda aumentou a meta fiscal de 2008 em 0,5 ponto porcentual do PIB e ganhou uma reserva de poupança para ser utilizada quando necessária para o cumprimento do superávit primário das contas públicas. O papel cambial, que ficou em segundo plano, foi esquecido com a crise internacional, que jogou o dólar para cima de R$ 2. Agora, diante da reversão do processo, o debate volta à tona.

O decreto também autoriza o ministro da Fazenda a fazer novas aplicações em cotas no Fundo. Quando o FSB foi criado, o governo aplicou R$ 14,2 bilhões em títulos do Tesouro. De lá para cá, os títulos renderam e, até novembro, o saldo estava em R$ 16,1 bilhões.

29 de dezembro de 2009

Acabou a espera que durou 48 anos para 5 mil taifeiros da Aeronáutica.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou ontem lei que garante aos militares da reserva, reformados ou ativos, que tenham ingressado no Quadro de Taifeiros da Aeronáutica (QTA) até 31 de dezembro de 1992, o acesso a graduações superiores, na inatividade.

Segundo o Palácio do Planalto, o direito será limitado à última graduação do QTA, a de Suboficial, e adotará critérios tais como as datas de praça do militar, de promoção à graduação inicial do QTA, inclusão do militar ao quadro, de ingresso na inatividade e o fato motivador do ingresso na inatividade, conforme regulamento que ainda será definido e publicado.

O efeito financeiro da lei será a partir de 1º de julho, desde que eles abram mão de processos na Justiça. Quando chegarem ao posto de subtenente, os atuais taifeiros terão reajustes de 150%, conforme publicou a Coluna ‘Força Militar’, no sábado. O salário passará de R$ 1.435 para R$ 3.595.

Durante cerimônia de sanção, Lula declarou que “aos poucos a gente vai percebendo que é possível fazer o processo de reparação, que muitas vezes por equívoco, ou às vezes por razões que o bom senso não explica, como é que vocês podem estar esperando uma coisa há 48 anos. Ou seja, 48 anos é uma vida, é meia vida”. Em seguida, completou: “Não tem explicação como é que uma coisa pode demorar tanto, e a gente não encontrar solução”.

TAIFEIROS 2 - OPÇÕES DE “CULPADOS”

O presidente Lula tentou explicar a demora: “Certamente, muita gente está envolvida nos equívocos.

Ora pode ter sido um brigadeiro da Aeronáutica, ora pode ter sido a preferência de entrar na Justiça, ora pode ter sido um ministro do Planejamento ou Fazenda”.

TAIFEIROS 3 - AVISO DE PROMOÇÃO

Os taifeiros serão avisados pelos contracheques sobre os procedimentos que terão que adotar para a promoção a suboficial. O aviso informará aos taifeiros que deverão assinar acordo no setor de pagamentos, abrindo mão de ações na Justiça.

Além de valores retroativos.

ADICIONAL POR RISCO 1 - REGRAS DE PAGAMENTO

A Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento publicou a Orientação Normativa 6, que definiu regras para o pagamento de adicionais de insalubridade, periculosidade e irradiação ionizante a servidores que trabalham expostos a riscos.

ADICIONAL POR RISCO 2 - GRATIFICAÇÃO ÚNICA

A medida foi publicada no dia 24, no Diário Oficial da União. A orientação inclui as gratificações por trabalhos com raios-x ou substâncias radioativas. O servidor somente poderá receber um adicional ou gratificação por vez, sendo proibido acumular esses benefícios.

ADICIONAL POR RISCO 3 - DE 5% A 20%

Os adicionais e a gratificação serão calculados com base no vencimento do cargo efetivo. Adicional de insalubridade: 5% para o grau mínimo, 10% para o grau médio e 20% para o grau máximo, mesmos percentuais aplicados ao adicional de irradiação ionizante.

Lula terá mais R$ 60 bi para 2010

O governo entrará no próximo ano com mais R$ 60 bilhões para tocar projetos que ainda não foram iniciados, o que dará mais tempo para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa sancionar o Orçamento da União de 2010. O governo pretende, ainda em janeiro, iniciar as discussões sobre o plano de investimentos para os próximos anos, apesar do ritmo lento de execução das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Apesar do Orçamento do próximo ano ter sido aprovado pelo Congresso na semana passada, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reconheceu que a sanção só acontecerá depois da virada do ano. "O Orçamento nem saiu de lá, a sanção será no ano que vem", disse o ministro, após reunião da junta orçamentária com Lula.

Sem a sanção, o governo fica impossibilitado de utilizar os recursos previstos no Orçamento. Mesmo assim, alguns investimentos poderão ser feitos a partir de janeiro, já que terá à mão mais de R$ 60 bilhões de recursos provenientes do Orçamento de 2009, que foram empenhados, mas não se transformaram em despesas, o que é conhecido como "restos a pagar". Bernardo fez questão de frisar que o valor ainda não está fechado. "Ainda estamos empenhando e pagando, mas o número deve passar de R$ 60 bilhões. Mas isso não é uma cifra exata."

Nesta semana, o governo deve liberar recursos para o Ministério da Defesa pagar helicópteros comprados pela Aeronáutica, além de destinar entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões para a Cooperação Andina de Fomento (CAF), um organismo multilateral de desenvolvimento.

"PAC 2"

Na reunião de ontem ficou também decidido que Lula terá um encontro com Bernardo e os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) para tratar dos planos de investimentos federais, o que tem sido chamado como "PAC 2".

Bernardo defendeu a necessidade de se iniciar o trabalho de planejamento dos investimentos a partir de 2011. "O governo acaba no ano que vem, mas o Brasil não", justificou. A ideia, explicou, é fazer um levantamento sobre a execução do PAC e definir investimentos "complementares" a serem tocados pelo próximo presidente.

Apesar da decisão de começar a estruturar o programa de investimentos para 2011, o ritmo de execução do PAC segue baixo. De janeiro de 2007 a agosto de 2009, só 53,6% dos investimentos previstos para o período foram feitos, segundo balanço oficial do Palácio do Planalto.O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2009

Site oficial destaca ''grande talento'' do peemedebista

Uma torrente de elogios ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ocupa a página da prefeitura carioca na internet. Segundo o site oficial do município, Paes é um "grande talento de sua geração", teve "reconhecimento por seu trabalho tão grande que se elegeu vereador aos 27 anos" e, em 2000, assumiu a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, onde "imprimiu sua marca de realizador". Diz ainda que, seguindo uma rotina de "15 horas" diárias de trabalho, o prefeito não se queixa. O mesmo site tem um diretório de notícias, nas quais, em sua maioria, a estrela é o prefeito.

Confrontado com o perfil elogioso, Paes reconhece que o texto "é meio autocentrado". "Não fui eu que fiz não", diz, atribuindo o trabalho à assessoria de imprensa. "Deixe-me ler o meu perfil. Nossa, está marqueteiro demais", admite, prometendo "reavaliar". Até o fim da semana passada, continuava no ar.

27 de dezembro de 2009



O escândalo do “mensalão do DEM”, que arrasou a administração do governador José Roberto Arruda (sem partido), foi interpretado por muitos como a morte do discurso ético na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e nas demais eleições de 2010. Haveria uma espécie de terra arrasada, na qual todos os partidos políticos em condições de disputar o poder teriam telhado de vidro, incapazes de resistir às pedradas dos adversários na campanha eleitoral. Nada mais falso, revelaram as pesquisas Datafolha divulgadas no decorrer da semana.

A avaliação dos governadores dos 10 maiores estados do país, por exemplo, mostra claramente o estrago eleitoral dos desvios éticos em administrações que aparentemente apresentavam bom desempenho. A governadora tucana Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul, salvou os gaúchos do colapso financeiro e administrativo, mas teve o projeto de reeleição praticamente inviabilizado por causa do escândalo do Detran. O governador José Roberto Arruda, que transformou o Distrito Federal num canteiro de obras, também foi volatilizado. Por ora, o ex-governador Joaquim Roriz foi beneficiado pela crise, mas não está livre de ser tragado por ela.

É?

“O que você come entre o Natal e ano-novo não engorda. O que engorda mesmo é o que você come entre o ano-novo e o Natal.”

Desenhe seu 2010

Não espere nada cair do céu. Grandes e pequenas metas podem ser alcançadas mais facilmente quando se faz um bom planejamento

Preparem as agendas, os caderninhos ou as tabelas no computador. É hora de esboçar o planejamento para o que virá, como sempre ocorre quando o ano se aproxima do fim. Para que os desejos saiam do papel, a dica é investir em estratégias de ação. Talvez seja essa a diferença para fazer sua lista virar realidade.

Segundo especialistas, o primeiro passo é analisar o que não deu certo em 2009, de modo a evitar que os erros sejam repetidos. Também é importante reservar um tempo para o planejamento dos próximos 12 meses. Aí não basta sonhar — planejar é traçar metas que sejam viáveis.
Algumas Dicas

Seja realista
» No início, a maioria das pessoas tem a tendência de fazer uma lista enorme, como se pudesse dar conta de tudo em apenas 12 meses. Mire um foco para não perder tempo à toa. Tenha clareza do que é imprescindível. Faça uma lista dos itens que serão seu foco e enumere as prioridades por ordem de importância. O passo seguinte é ter um plano de ação para cada um dos objetivos.

Tenha a agenda como aliada
» Aproveite o período de compras de fim de ano e adquira uma agenda ou monte uma no computador. Nela, centralize todos os seus planos.

Estabeleça poucas metas
» Em vez de mil planos, estabeleça poucos objetivos ao longo do ano, mas que sejam viáveis e realmente importantes. Para tentar vislumbrar o sucesso, pense o que quer e o que será necessário de investimento para chegar lá. Faça uma lista de ações práticas, de curta duração.

Revise sempre
» A cada dois meses, revise planos e metas. Assim, corre-se menos risco do plano se transformar em uma promessa frustrada.

Compartilhe seus objetivos com alguém de confiança
» Escolha uma pessoa próxima para ajudá-lo a manter o nível de confiança e motivação. Pode ser um profissional da área ou aquele amigo em quem confie plenamente.

Você é a prioridade
» Quanto mais tempo você reservar para si mesmo, mais energia para executar seus planos. Separe momentos para o lazer, os esportes e o ócio com uma periodicidade quinzenal.


24 de dezembro de 2009

Poupança fica sem taxação

O governo anunciou nesta quarta-feira que não irá taxar os rendimentos da poupança em 2010, como chegou a anunciar durante o ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o assunto está encerrado, porque não haver mais necessidade de taxação. O governo, no entanto, continuará monitorando o câmbio. Será mantida a cobrança de 2% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para capital estrangeiro em investimentos no mercado brasileiro de ações e de renda fixa.

Quando o Ministério da Fazenda anunciou a taxação da poupança, em setembro, foi bombardeado pela oposição. A proposta previa a taxação de cadernetas de poupança com saldo superior a R$ 50 mil. Uma alíquota única de 22,5% seria descontada todos os meses dos rendimentos.

– Havia uma preocupação de que, com a queda dos juros, haveria uma migração para a poupança, mas isso não ocorreu. A taxação não foi adotada este ano nem será em 2010 – afirmou Mantega, garantindo que a decisão nada tem a ver com as eleições presidenciais.

Mantega, no entanto, não descartou a possibilidade de o governo mudar de ideia mais uma vez. Ele explicou que se, em algum momento, esse risco for percebido a medida poderá ser retomada.

O ministro ainda contradisse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que segunda-feira admitiu a possibilidade de tornar permanente a redução das alíquotas de impostos praticadas este ano para estimular a economia. “Há setores com datas previstas para terminar as desonerações e essas datas serão respeitadas. O que continua, com certeza, é a isenção do IPI para a indústria de bens de capital”, disse.

Durante o ano, o governo desonerou os produtos de linha branca, como geladeiras e fogões, e também para a indústria automobilística e de bens de capital. No mês passado, estendeu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menor para o setor moveleiro e fabricantes de motos. Os produtores de trigo e pão francês estão isentos do PIS/Cofins até o final de 2010. A maior parte está com prazo de vigência entre março e junho do próximo.

Mantega explicou que o governo fará uma avaliação de cada setor e, caso haja necessidade, pode dar apoio adicional a algum, como o setor de móveis e fabricantes de motocicletas. “O governo estará sensível a eventuais dificuldades dos segmentos econômicos”, disse. A redução definitiva do IPI para o setor de bens de capital está decidida, segundo Mantega, porque ainda é preciso estimular os investimentos no país.

Mantega fez projeções positivas para a política monetária: “Não identifico necessidade de aumento dos juros no próximo ano”.

Embate com BC

Segundo ele, o relatório de inflação, divulgado pelo Banco Central, projeta que a inflação (4,6%) ficará dentro da meta em 2010. Contudo, o BC ressaltou que os riscos são de que suba mais, podendo exigir a elevação dos juros. Mais uma vez o ministro discorda da autoridade monetária.

Mantega traçou um quadro de prosperidade para o país. Ele estimou que a economia crescerá “5% ou um pouco mais” em 2010, impulsionada pela retomada dos investimentos.
Com agências

Oposição derruba emendas que garantiam investimentos para Copa de 2014

Após a corrida desenfreada para conseguir aprovar o Orçamento da União para 2010, o governo começou nesta quarta-feira a contabilizar o prejuízo das concessões que tiveram que ser feitas para a oposição nos últimos minutos a fim de que a peça orçamentária pudesse ser aprovada antes do recesso parlamentar. O relator do Orçamento, deputado Geraldo Magela (PT-DF), estimou nesta quarta que a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, pode ter perdido investimentos de cerca de R$ 800 milhões devido a mudanças de última hora feitas no projeto.

A perda a que se refere Magela acontece porque a oposição, irritada com o número elevado de emendas individuais do relator, exigiu a retirada de todas as emendas que fossem relativas a investimentos. Líderes de PSDB e DEM argumentavam que não seria correto o relator ter mais poder para direcionar investimentos do que bancadas regionais.

O governo ficou refém das vontades da oposição porque não conseguiu mobilizar o número suficiente de parlamentares aliados para votar em plenário, no fim da noite de terça-feira, a peça orçamentária. Se a oposição decidisse barrar a votação do Orçamento e desferir um golpe duro no governo, precisava apenas pedir verificação de quorum. Como o número de deputados e senadores presentes à sessão não era suficiente, a iniciativa significaria o início do recesso parlamentar e o governo teria que iniciar o próximo ano sem um orçamento definido, o que dificultaria o planejamento e a execução dos gastos.

Ao todo, Magela havia produzido mais de 2 mil emendas ao Orçamento. Pelo acordo com a oposição para que a peça orçamentária fosse votada, foram retiradas cerca de cem.

De acordo com o deputado petista, contudo, a reclamação da oposição não se justificava porque a maior parte de suas emendas de investimento eram relativas à Copa do Mundo e haviam sido solicitadas pelas próprias bancadas regionais, como cobrava a oposição. Magela disse que reservou cerca de R$ 1,2 bilhão para atender a pedidos de governadores dos estados-sede do evento de futebol. De acordo com o relator, cerca de R$ 800 milhões deste montante seria em investimentos nas áreas de infraestrutura, mobilidade urbana, turismo, entre outros. Os outros R$ 400 milhões seriam para gastos mais ligados a custeio, como a formação de policiais no Rio de Janeiro.

– A votação foi inusitada. Foi uma invenção e um acordo aos 48 minutos do segundo tempo para conseguir votar. Cerca de R$ 800 milhões devem ser retirados da Copa e serão distribuídos para as emendas de bancada – explicou Magela.

O Orçamento aprovado pelos parlamentares será agora analisado pelos técnicos da Câmara para que as últimas alterações sejam incluídas no texto final. Por isso, Magela não soube mensurar quanto destes cerca de R$ 800 milhões continuarão sendo usados para investimentos, ainda que em outras obras, e quanto será direcionado para outros gastos.

Recesso

A votação da proposta orçamentária finalizou os trabalhos no Congresso Nacional no ano. Câmara e Senado entraram em recesso parlamentar a partir desta quarta. As atividades serão retomadas apenas no dia 2 de fevereiro de 2010. A Constituição Federal de 1988 prevê dois períodos de suspensão dos trabalhos legislativos: de 23 de dezembro a 1º de fevereiro e de 17 a 31 de julho.

Até 2006, antes da promulgação da Emenda Constitucional 50, deputados e senadores tinham direito a 90 dias de recesso. O Congresso diminuiu o recesso para os atuais 52 dias. Durante o recesso, além de setores administrativos da instituição, estará em funcionamento a comissão representativa, que tem a atribuição de cumprir tarefas mais urgentes do Legislativo.

O último orçamento a ser executado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê R$ 151,9 bilhões para investimentos públicos, R$ 29,9 bilhões para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento, além da estimativa de crescimento de 5% do Produto Interno Bruto. A grande preocupação do governo era garantir recursos em ano eleitoral para obras consideradas prioritárias do PAC e da Petrobras. O programa recebeu para o ano que vem uma reserva de R$ 2 bilhões a mais do que no orçamento de 2009.

Os líderes governistas mobilizaram a base aliada e conseguiram reverter parte do bloqueio de verba para quatro obras da estatal que foram incluídas na lista de irregularidades graves encaminhadas ao Congresso pelo Tribunal de Contas da União. Antes da votação do texto, a direção da Petrobras encaminhou um oficio à comissão pedindo a liberação dos recursos para as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – que também foi investigada pela CPI da Petrobras, encerrada no Senado sem apontar irregularidades no relatório final –, para o complexo petroquímico do Rio de Janeiro, para a modernização da refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e para o terminal de escoamento no Espírito Santo.

Apesar da tentativa da estatal de reverter o bloqueio de recursos para essas obras, elas continuaram na lista de obras com irregularidades. Ao todo, deputados e senadores aprovaram a suspensão de repasse por irregularidades para 24 obras do governo federal, sendo que seis são do PAC. A lista do TCU, no entanto, defendia que o bloqueio atingisse 42 empreendimentos onde foram encontradas irregularidades graves.

A serenidade de José Alencar



Com um bloco de papel na cabeceira da mesa e uma caneta, o vice-presidente da República, José Alencar, desenha possibilidades de aliança em 2010. Mas, mineiramente, desconversa sobre um ou outro candidato e cobra “desprendimento” dos políticos. Aos 78 anos, o mineiro de Muriaé, na Zona da Mata, que chegou ao cargo graças a uma bem-sucedida aliança entre um líder sindical e um representante patronal, garante que palanque bom é aquele em que o eleitor entende o que está sendo proposto. Na última segunda-feira, Alencar recebeu o Correio para uma conversa de mais de uma hora em seu gabinete. Bem disposto, mandou recados à classe política.

“Não quero um dia a mais para jogar fora toda a minha vida de seriedade. Não vale a pena”, disse o vice-presidente. Desde 1997, ele trava uma batalha contra o câncer. Já foi operado 15 vezes. Nada que o faça desanimar. “Quero que meus filhos, netos, bisnetos e amigos tenham orgulho de dizer que conviveram comigo, porque quando o camarada se envereda para o lado errado o que se ouve é: ‘o Zé Alencar? Já ouvi falar nele, mas não conheço’.” Então, o camarada está morto. Morreu ainda em vida, como ele conta.

Rindo, o vice-presidente, que era senador e pretende encarar as urnas novamente, garante que não vai morrer nunca. Ficarão as lembranças. A ampla sala onde ele passa boa parte do tempo também é cheia de memórias. Réplicas de caças e navios do tempo que comandou o Ministério da Defesa, artesanatos do seu estado e presentes, como a imagem de Nossa Senhora, não o deixam esquecer o carinho e a comoção que sua doença causou pelo país afora. Alencar poupa pedidos. Só quer mesmo “humildade” e, depois de meia hora de conversa, “um bom café”. Em compensação, agradece. “É um milagre o que está acontecendo comigo.”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disse que a história de vida de vocês é parecida. O senhor concorda?

É uma semelhança distante, porque ele é o presidente da República e eu ainda não cheguei lá. A diferença é grande. A nossa história também. O Lula é nascido no interior de Pernambuco e veio para o sul numa dificuldade muito séria. Ele veio trabalhar muito cedo na Região do ABC de São Paulo. Eu saí de casa aos 13 anos para trabalhar na cidade como empregado e isso pode ter alguma semelhança. Minha vida é muito mais modesta.

A batalha contra o câncer o transformou num exemplo para muita gente. Como o senhor lida com essa situação ?

Ninguém tem nada a ver com o câncer do Zé Alencar, mas tem com o do vice-presidente. Porque o homem público não se pertence. Tem o dever de ser transparente. O povo fala: “o Zé Alencar foi operado durante 18 horas. É muita coragem”. Mas que coragem ? Se os médicos falaram que tem de operar, acabou. É uma decisão tranquila. “Ah, mas a operação corre risco.” Mas tudo corre risco. A vida é um risco. Que coragem é essa se não tenho alternativa… O caminho é único. Coragem era dizer não. As pessoas têm sido generosas. Fico preocupado porque não sei se mereço tudo isso que está acontecendo. Tenho que pedir a Deus: humildade, humildade e humildade, para que isso não me suba à cabeça e eu fique pensando que sou o tal. Deixo que Deus decida. Basta rezar o Pai-Nosso, porque tem um trecho que diz “seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”, que significa em qualquer circunstância, em qualquer lugar, seja feita a vossa vontade.

Tem recebido muitas manifestações de apoio ?

São cartas, visitas… É uma coisa extraordinária. Pessoas que falam “meu irmão estava assim, minha filha também e o senhor foi decisivo porque deu coragem e agora ela está indo bem”. O pensamento positivo ajuda. O negativismo não é bom. Mas isso eu não sou. E não é por causa do problema de saúde não. Sempre fui assim. O câncer voltou? Papai já ensinava, o desespero não ajuda. Tem que ter serenidade. O que pode ser feito agora? Então, vamos fazer. Fui operado 15 vezes na minha vida.

Em setembro, o senhor chegou a dizer que estava cansado. Qual é o quadro atual da doença ?

Melhorei muito. Retomei a quimioterapia clássica com aquele coquetel de medicamentos e 50 dias depois foram feitos os primeiros exames. Houve redução de 30% no tamanho deles. Foi um negócio dentro do hospital. Todos se reuniram para entender aquilo. O exame também não mostrou nenhum outro ponto de volta dos antigos. O sarcoma de tecido mole, para usar o termo médico, dá na gordura ou no músculo. Não há muita metástase nesse tipo. O que acontece é que ele volta. A partir de julho de 2006, foram oito operações. Só este ano, três. E outras sete depois de 1997, quando descobri. Naquele ano, perdi um rim e três quartos do estômago. É um negócio impressionante. Mas Deus tem me ajudado muito. Tem me dado muita força. Porque o tratamento não é fácil. Provoca efeitos colaterais que, aí sim, você adoece. O câncer não tem sintoma, o efeito colateral tem. Se tiver perseverança, fé em Deus, maturidade, serenidade e paciência, você passa por isso. Eu não parei de trabalhar.

O senhor acredita que manter o ritmo de trabalho foi decisivo ?

Foi. Já houve quem dissesse que a maior recompensa do trabalho é o trabalho. Não há ninguém que possa afirmar mais isso do que eu. Se não tivesse o que fazer, teria sido pior. Tendo o que fazer, não podia me entregar e não me entreguei hora nenhuma. Entreguei-me a Deus, mas isso é outra coisa. Não é entregar meu corpo, parar e ficar desanimado, encostado. Isso eu não fiz.

Como a sua família lida com essa decisão ?

Eles não gostam de política. Nunca quiseram que eu entrasse na política, mas o que se há de fazer?

O senhor será candidato ao Senado no próximo ano?

Se Deus me curar, levo meu nome a uma disputa para um cargo no Legislativo. Não penso no Executivo porque tenho 78 anos. No fim das eleições, já terei 79. Acho que posso ser muito útil, levando minha experiência muito grande do setor privado, do sindicato patronal, de senador e de vice-presidente. Portanto, posso dar uma grande contribuição. Até para merecer esse apoio que tenho recebido. Mas só me candidato se estiver curado, porque considero até uma desonestidade apresentar um nome, ser eleito, sabendo que posso não exercer o mandato.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), tem dito que não vai ser vice do Serra. Qual a opinião do senhor a respeito?

Política é dinâmica. Nenhum de nós pode dizer com absoluta segurança o que vai acontecer amanhã. As coisas acontecem independentemente da vontade da gente. Podem acontecer para favorecer uma candidatura ou para desaconselhá-la, mas temos que esperar o tempo passar.

Qual caminho o senhor acha que o governador deveria tomar ?

Qualquer caminho que o Aécio tomar deve ser um caminho muito bem orientado. Costumo dizer que conheço ele antes de ele nascer, porque os dois avôs –- materno e paterno -– foram dois grandes homens públicos. São pessoas que o credenciam. Qualquer tomada de decisão do Aécio deve ser respeitada porque ele é muito bem orientado pelo espírito desses dois homens públicos que foram os avôs dele.

Os seus ancestrais devem lhe dar bons conselhos. Então, quem sou eu para dizer alguma coisa?

Mas ficou surpreso com a retirada da candidatura dele à Presidência da República ?
A gente ainda não pode fazer uma avaliação porque as coisas estão por acontecer. Ninguém toma qualquer decisão, assim peremptória, muito antes numa campanha eleitoral. Tem muita água para passar. Ninguém pode afirmar, por exemplo, que o Serra será o candidato. Ele possui um pássaro na mão gigantesco, que é uma candidatura à reeleicão de São Paulo, e ele sabe disso. Está consciente e vai depender do andar da carruagem. Como dizia Neném Prancha: “em sendo redonda a bola, tudo pode acontecer”.

Como o senhor está vendo a indicação do vice na chapa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff ?

Também está cedo. O caso de um candidato de um partido, seja ele qual for, pressupõe uma aliança nacional e, aí, é preciso consultar o interesse em todos os estados. Porque há determinados lugares em que os líderes são contra a aliança. Não porque sejam contra o candidato, mas é que a aliança não o ajuda nas eleições de seu estado. É hora de paciência.

Outra candidata à Presidência, a senadora Marina Silva (PV-AC), está tentando fazer uma aliança com empresários, assim como o presidente Lula fez. O que o senhor acha desta chapa a ser formada ?

Sou suspeito para falar da Marina porque fomos colegas no Senado e ela sempre me prestigiou muito nas minhas colocações e vice-versa. Nós somos amigos e tenho o maior apreço por ela, que é uma mulher muito séria e de uma origem muito humilde. Cresceu, estudou e é uma moça preparada, dedicada, um colosso. Acho que o Brasil está de parabéns. Desta vez, tem muitos bons candidatos.

Como fica o quadro dos aliados do presidente Lula em Minas ?

O palanque tem que ser inteligível, para que as pessoas entendam. As alianças que estão ali têm que ter sentido. O ruim numa campanha é quando o eleitor não entende. Havendo uma aliança do PMDB com o PT, alcançará Minas.

O presidente Lula vai cuidar disso pessoalmente?

Vai. Quem preside a eleição é ele. Não é nem o candidato. E se você puder ter um cenário parecido no nacional e nos estados, ajuda muito. Há estados com muita complicação. Em outros, essas alianças são naturais porque as pessoas que participam das eleições são aliadas.

Qual o quadro em Minas ?

Há possibilidade de um acordo porque há uma amizade grande de todos. Você pode ter dois candidatos apoiando a mesma candidatura na esfera nacional ou um só. Mas tem que haver desprendimento. Há lugar para todo mundo. O que não pode é todo mundo querer ser governador, por exemplo, porque aí só tem um.

Não podemos terminar a entrevista sem falar de economia. Será o grande cabo eleitoral da ministra Dilma ?

A economia vai muito bem. Então, será sim. Mas não graças à política monetária. Vai bem graças à responsabilidade fiscal, aos investimentos que são objeto de estímulo e às políticas anticíclicas para combater a crise. A economia vai bem apesar da política monetária. A rubrica mais pesada é relativa aos juros com que rolamos nossa dívida, e eles provocaram um desequilíbrio no nosso Orçamento. O grande vilão foram as taxas altas de juros. Me refiro à Selic, que vai levar R$ 1,2 trilhão dos cofres públicos. É um abuso. Não precisava disso.

Qual o desafio do próximo presidente ?

Dar prosseguimento ao trabalho do presidente Lula no concerto internacional. Hoje, o país não tem nada a ver com aquele (do passado). Pode separar antes e depois do Lula. Em toda parte que você vai, a pergunta não é mais sobre o Pelé, de quem temos orgulho. O Brasil é conhecido como um país que dá exemplo. Lula surpreendeu em quase tudo. A mim, nesse trabalho admirável que ele faz lá fora. É um colosso. A liderança e a personalidade dele são admiráveis. Para conversar com a Rainha, no Palácio de Buckingham, ele conversa de igual para igual. Eu falei: “Lula, você fez mal. Na hora que cumprimentou a rainha, você bateu na barriga dela”. E ele fala assim : “ela é minha chapa”. Eles gostam demais dele. Outra coisa, ele não tem complexo. Fala em português mesmo e eles que se danem. Tem um tradutor que explica. Sujeito pegou uma parte, não pegou, ele sai. Não fala nenhuma palavra em inglês e também não entende. Fala o português desembaraçado e eles se viram para traduzir.Correio Braziliense

17 de dezembro de 2009

Serra mente na TV

João Sergio Freitas de Oliveira é o responsável pela barragem da Penha, um conjunto de seis comportas capazes de "segurar" as águas do Tietê antes que elas entrem pela seção do rio que foi retificada. Ontem, ele disse à comissão de deputados: "Nos 12 anos que trabalho aqui, nunca vi uma máquina trabalhando para desobstruir o leito do rio daqui para cima". O rio acima da barragem é onde fica o Jardim Pantanal. Para baixo, o Tietê tem dragas e rebaixamento de leito.

Hotelaria terá linha de crédito de R$ 1 bi do governo federal

O ministro do Turismo, Luiz Barreto, afirmou ontem que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançará em janeiro uma linha de cerca de R$ 1 bilhão para o financiamento da rede hoteleira. Segundo ele, os recursos serão voltados para a modernização e expansão do parque atual com vistas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo o ministro, a linha beneficiará principalmente as regiões Sudeste e Sul, já que o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste já contam com opções de financiamento no Banco do Nordeste, no Banco do Brasil e no Banco da Amazônia. Esses fundos regionais também sofreram mudanças para fomentar o desenvolvimento do setor. "Os prazos eram de 15 anos e passaram a 20, com cinco de carência", diz.

Ele não revelou quais serão os prazos e as taxas de juros da nova linha do BNDES.
O ministério afirmou que pretende aumentar o fluxo de turistas em 113% na próxima década, passando dos 5,5 milhões previstos para 2010 para 11,1 milhões em 2020.

Emprego formal sobe 5 vezes mais que média

O saldo de empregos formais gerados no mês atingiu 246.695 postos. O resultado é recorde para o período e corresponde a cinco vezes mais que a média de vagas criadas em novembro nos últimos cinco anos.

Tradicionalmente, o último trimestre do ano é caracterizado por fraco desempenho do mercado de trabalho formal, com perda de vagas em dezembro. No ano passado, com a chegada da crise mundial ao Brasil, houve o fechamento de 40.821 postos em novembro.
Com os empregos gerados no mês passado, o saldo de contratações acumulado neste ano alcançou 1,410 milhão de postos de trabalho. Na avaliação do Ministério do Trabalho, esse número deverá cair para entre 1,150 milhão e 1,2 milhão neste mês devido às já esperadas demissões de dezembro.

"Esperamos de 220 mil a 260 mil demissões neste mês. Será o melhor dezembro da história. Não que demissão seja algo bom, mas será o menor resultado negativo dos últimos anos", disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. A média histórica de perda de vagas em dezembro é de 300 mil postos. No ano passado, a crise provocou o fechamento de 655 mil vagas em dezembro.

Os dados divulgados ontem fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que é divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho desde 1992. O cadastro registra todas as demissões e as contratações realizadas pelas empresas. Não entram na base de dados as contratações temporárias, de trabalhadores domésticos e de servidores públicos.

Esgoto da Sabesp é despejado em bairro alagado há 8 dias

O garoto de 12 anos cavalga a rédea solta um pangaré branco e marrom pelas águas imundas do rio de fezes e urina em que se transformou a rua Capachós, no Jardim Romano, zona leste de São Paulo. Sob os olhares admirados de seus amigos que não podem assim se elevar sobre as águas, ele corre até o CEU Três Pontes, logo ali.


Em poucos minutos, se joga, roupa e tudo, na piscina do escolão que custou R$ 28,4 milhões e foi inaugurado há pouco mais de ano. Em comparação com as línguas de águas negras que se veem na rua logo ao lado, a piscina até parece limpa. Mas tem um verde denso e um cheiro forte de coisa em putrefação - "é até adocicado", afirma o jovem Vitor Sousa Barreto, 18, que tirou a foto desta página.

Por volta das 16h, quando a chuva se armava, eram nove garotos nadando no CEU. Mas, na hora do almoço, a brincadeira envolveu uns 30. "Ali, é esgoto diluído", disse Vitor.

Ontem, uma comissão de deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo descobriu que, no Jardim Pantanal, desta vez, dizer que as pessoas estavam alagadas por esgoto não era figura de expressão.

A ETE (Estação de Tratamento de Esgotos) da Sabesp em São Miguel ficou parada durante oito dias -desde a chuva do dia 8. Segundo o engenheiro Leonardo Citadella, gerente do departamento de esgoto da estatal da gestão José Serra (PSDB), um fluxo de 450 litros de esgoto por segundo, produzido por casas e indústrias da zona leste, deixou de receber qualquer tratamento. "O destino do esgoto acabou sendo o próprio Tietê." E, por consequência, toda a região que está alagada até hoje pelas águas do rio.

Como oito dias contêm 691.200 segundos, durante o período em que as bombas pararam, um total de 311 milhões de litros de esgoto (o equivalente a 124 piscinas olímpicas) foi despejado "in natura" no principal rio da cidade.
Para piorar, outro fluxo de esgoto, vazão de 350 litros por segundo, recebeu apenas tratamento parcial, só capaz de retirar 30% da poluição orgânica.

Bombas pifadas

Como seus vizinhos flagelados do Jardim Pantanal, a estação localizada na margem esquerda do rio Tietê viu a água subir mais de metro. A central de comando perdeu computadores, houve princípio de incêndio na telefonia (cujos fios correm junto ao chão) e, o pior, todas as bombas de esgoto foram inundadas e pifaram.

Ontem, um esquadrão de técnicos tentava pôr as máquinas para funcionar. A bióloga Lucia Maria de Campos Fragoso, que trabalha no monitoramento da biota (conjunto de bactérias e microrganismos) dos tanques de tratamento, disse aos deputados Adriano Diogo (PT) e Raul Marcelo (PSOL) que só em uma semana se irá restabelecer os níveis normais de tratamento de eflúvios que chegam à estação.

"O que estamos vendo aqui são omissões criminosas que visam a punir e a expulsar as populações pobres de São Paulo", disse Adriano Diogo.

Anteontem, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) prometeu estudar a instalação de bombas para drenar as águas que cercam o CEU que ele mesmo inaugurou. Ontem, já descartou a medida. Enquanto a dona de casa Merivania Maria Nascimento era entrevistada, um grupo saía do CEU carregando um computador. "Ah, já saquearam tudo, computadores, leite, cestas básicas. Por que a prefeitura não protege o patrimônio público?", perguntou. A prefeitura confirma apenas o furto de alimentos.

Justiça manda demolir imóveis de luxo nos Lençóis Maranhenses

A Justiça Federal no Maranhão determinou que cinco casas e quatro pousadas edificadas na margem do rio Preguiças, em Barreirinhas (MA), nos Lençóis Maranhenses, sejam demolidas por terem sido construídas irregularmente. Um dos imóveis é de propriedade do deputado federal Clóvis Fecury (DEM), outro tem 22 suítes e alguns deles possuem campo de futebol e ancoradouros. A informação é da Folha de S.Paulo.

Segundo uma perícia feita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a vegetação original do rio foi substituída por jardins com plantas exóticas. A área terá que ser recomposta pelos proprietários, que têm o prazo de 60 dias para iniciar a demolição e seis meses para concluí-la. O advogado do deputado informou que o imóvel foi construído em área sem vegetação e com autorização da prefeitura. Ele deve recorrer da decisão.

15 de dezembro de 2009

Um bairro inteiro na Merda



Uma semana depois da forte chuva que caiu sobre São Paulo, com os moradores do Jardim Pantanal convivendo deste então com o alagamento de ruas e casas

Moradores dizem que governo fechou comporta do Tietê Oficialmente, a justificativa para alagamento de sete dias da Favela do Pantanal foi a quebra de uma bomba de tratamento de esgoto da Sabesp. Isso teria impedido o escoamento da água. Já moradores do bairro acusam o governador José Serra de ter fechado uma comporta do Tietê, para evitar que a água represada naquela área provocasse alagamento ao longo do rio, principalmente nas marginais.

Isso prejudicaria ainda mais o trânsito da cidade

Justiça dá ao governo posse da rede óptica da Eletronet

A Justiça Estadual do Rio de Janeiro deu ao governo o direito de utilizar as fibras ópticas da rede da Eletronet, empresa de comunicação de dados que se encontra em processo de falência, e que tem a Eletrobrás como acionista. O desembargador Sidney Hartung concedeu a liminar à União, com mandado de imissão de posse, na sexta-feira.

Segundo uma fonte do governo, a decisão abrange as fibras ópticas apagadas (que não estão em uso pela Eletronet), e tem efeito imediato, a partir do momento em que o síndico da massa falida for comunicado oficialmente pela Justiça. Essa decisão é considerada um passo importante na definição do Plano Nacional de Banda Larga. Na última reunião interministerial, no mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou irritação ao ser informado de que o caso Eletronet ainda não estava resolvido.

Para que essas fibras sejam colocadas em funcionamento, o governo precisa investir em equipamentos de rede. Os técnicos que elaboram o Plano Nacional de Banda Larga têm a informação de que a Eletronet usa somente dois pares de fibra, sendo que, dependendo do trecho, a rede tem pelo menos 16 pares. A rede da Eletronet tem 16 mil quilômetros de extensão, e está presente em 18 Estados brasileiros.

Estava marcada para ontem uma grande reunião entre o presidente Lula e os ministros envolvidos no projeto do Plano Nacional de Banda Larga, que não aconteceu. Lula deu prazo até meados de janeiro para que o grupo de técnicos apresente os estudos de quanto custará levar a internet em alta velocidade até o consumidor final. Hoje haveria uma grande reunião entre o presidente e os ministros envolvidos no projeto. O encontro foi adiado porque os estudos ainda não foram concluídos.

Lula foi atualizado do andamento dos estudos em rápida reunião com o coordenador dos Programas de Inclusão Digital do governo, Cezar Alvarez, e com a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Segundo fontes do Planalto, o presidente pediu agilidade na conclusão dos estudos.

O governo pretende criar uma estatal de banda larga, usando as fibras ópticas das estatais, como a Petrobrás, a Eletrobrás e a Eletronet. No mês passado, os técnicos apresentaram ao presidente um plano que não previa o atendimento direto ao consumidor. Lula decidiu que o projeto deveria incluir essa possibilidade, e solicitou o levantamento de custos. Existem pontos polêmicos que ainda precisam ser decididos, como a participação da iniciativa privada e a volta da Telebrás, que pode se tornar a responsável por administrar a infraestrutura estatal.

Segundo uma fonte do governo, essa decisão permite que o síndico da massa falida da Eletronet coloque à venda os ativos da companhia para pagar funcionários e credores. As fibras ópticas usadas pela Eletronet não pertencem à empresa, mas são objeto de um contrato de cessão de direito de uso das empresas de energia elétrica com a companhia.

A Eletronet era uma associação entre a americana AES (que tinha 51% da empresa) e a Eletrobrás (responsável pelo restante). Depois de entrar em processo de falência, a participação da AES foi vendida para o empresário Nelson dos Santos, que não desembolsou praticamente nada, em troca de assumir as dívidas da operadora. Santos foi o responsável por negociar as dívidas da AES, referentes às empresas de energia que comprou no Brasil, com o BNDES.

Os principais credoras da Eletronet são os fornecedores de sistemas de telecomunicações Furukawa e Alcatel-Lucent, que acabaram ficando sem receber uma dívida que já ultrapassa R$ 600 milhões. Recentemente, credores e acionistas chegaram a negociar com empresas privadas, como a Oi, mas essas conversas foram paralisadas depois de o governo anunciar seu interesse em usar a rede da Eletronet no Plano Nacional de Banda Larga.

Segundo uma fonte do mercado, a decisão de segunda instância, que dá posse das fibras ópticas ao governo, reforça a tese de que o governo é responsável pela Eletronet, e que, por isso, deveria assumir a dívida. O governo chegou a fazer um depósito judicial de R$ 300 milhões no processo de falência, para garantir a retomada da infraestrutura. Em 2007, os credores tentaram negociar a venda da Eletronet com a estatal Serpro, que pagaria cerca de R$ 210 milhões, mas as conversas não foram em frente.

As empresas privadas concordam com o uso das redes ópticas que o governo possui, mas se opõe à criação de uma estatal de banda larga, principalmente uma que atenda ao cliente final. Uma das ideias do governo é que essa empresa atenda a localidades onde a iniciativa privada não tenha interesse.AgÊncia Estado

Brasil vai produzir 20% de todo açúcar do mundo este ano

O Brasil deverá produzir um quinto de todo o açúcar do mundo na safra atual. A façanha poderá ser obtida se for confirmado o prognóstico divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura de que a oferta do produto será recorde, de 34 milhões de toneladas, um crescimento de 10% na comparação com a safra 2008/2009. Os dados finais do ano serão divulgados amanhã pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O foco na produção de açúcar pelo Brasil se deve principalmente à quebra da safra na Índia, que, por sua vez, causou uma disparada dos preços da commodity no mercado internacional. Só ontem, a valorização foi de 5,33% em Nova York, quando os contratos para março de 2010 atingiram 25,28 centavos de dólar por libra.

Durante o pregão, a commodity bateu o maior nível em 11 semanas e há quem aposte na possibilidade de uma subida ainda mais vertiginosa, para 30 centavos de dólar por libra. Em Londres, os papéis com o mesmo vencimento registraram a maior cotação desde 1983, de 652,80 centavos de dólar por tonelada, e encerraram o dia com alta de 3,9%, a 650,70 centavos de dólar por tonelada.

Produção recorde de açúcar não é novidade no Brasil, já que nas últimas três safras sempre houve a superação da oferta do ciclo anterior. Agora, no entanto, se espera um salto maior porque a produção vinha subindo, mas mantinha-se na casa das 31 milhões de toneladas.

Para o coordenador do Departamento de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Job, não há dúvida de que o crescimento da produção doméstica foi causado pela queda de oferta em outros países produtores. "Por razões internas, a Índia, segundo maior produtor mundial, apresentou grandes quedas de produção nos dois últimos anos e terá de importar entre 6 e 8 milhões de toneladas até o final de 2010", disse o coordenador.

A expectativa de Job é de continuidade da alta no curto prazo, ainda que Estados Unidos, Tailândia, China, México e a própria Índia apresentem pequena recuperação na produção. Ele acredita, no entanto, que a euforia tem hora para acabar. "No mercado futuro, a tendência é de queda gradativa no preço até 2011."

ÁLCOOL

A produção em massa de açúcar pode esbarrar em outro produto que tem tido seus preços acompanhados de perto pelo governo: o álcool. "Se for mantida essa tendência de preços altos no mercado internacional, os usineiros tendem a concentrar sua produção em açúcar, o que tomaria parte da do álcool", disse Job.

Com uma menor oferta de combustível, sempre há a perspectiva de alta dos preços. O governo já vem estudando a possibilidade de reduzir a quantidade de álcool hidratado, que é misturado à gasolina, por causa de outro problema: o atraso da colheita de cana-de-açúcar por causa do excesso de chuva. Atualmente, o mix é de 25%.Agência Estado

14 de dezembro de 2009

Brasil desenvolve sistema de navegação de satélites e foguetes

O Brasil está conseguindo resolver um dos principais desafios tecnológicos impostos, há quase três décadas, ao seu programa de lançadores de satélites: desenvolver e fabricar seu próprio sistema de navegação inercial, utilizado na estabilização de satélites em órbita e na orientação da trajetória de um foguete no espaço.

A primeira fase do projeto, batizado de SIA (Sistemas de Navegação Inercial para Aplicação Aeroespacial) já foi concluída, com o desenvolvimento do protótipo de uma plataforma inercial completa, que será testada em uma montanha russa, em um parque de diversões, em São Paulo, no começo do próximo ano. O teste em voo da plataforma será feito até o fim de 2010, numa operação chamada de "Maracatu".

"Vamos testar os sensores da plataforma no veículo de sondagem brasileiro VSB-30, utilizado em missões suborbitais de exploração do espaço", disse o coordenador do projeto SIA, Waldemar de Castro Leite Filho. O VSB-30 acumula um histórico de nove lançamentos de sucesso, sendo que dois foram realizados no começo deste mês, no campo de Esrange, em Kiruna, na Suécia, levando à bordo experimentos científicos europeus.

O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) também está finalizando a construção de um prédio, que irá abrigar um laboratório de infraestrutura de testes para os sensores da plataforma inercial do SIA.

O laboratório, segundo Leite Filho, é único na América Latina e será capaz de testar sensores com uma precisão de 0,1 grau por hora, ou seja, poderá medir movimentos cem vezes menor que o movimento de rotação da Terra. Empresas como a Embraer e a Petrobras, segundo o pesquisador, já utilizam os laboratórios do DCTA para calibrar seus sensores.

O projeto SIA tem um custo estimado de R$ 40 milhões e está sendo financiado pela Finep, por meio da Fundação de Desenvolvimento de Pesquisa (Fundep). A execução do projeto está a cargo do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e Instituto de Estudos Avançados (IEAv), vinculados ao DCTA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O objetivo inicial do SIA, segundo Leite Filho, é capacitar o Brasil a fabricar sistemas inerciais para foguetes e satélites.

A tecnologia será repassada para a indústria brasileira e, por esta razão, o projeto SIA envolve ainda a participação de um consórcio de empresas, o SIN, formado pela Mectron, Equatorial, Optsensys, Navcon e Compsis. Além do programa espacial, o SIA também vem sendo acompanhado de perto pelo exército brasileiro, devido a sua aplicação em sistemas inerciais de carros de combate e mísseis. A marinha tem interesse no SIA para a guiagem de navios e como estabilizador de armas e a Petrobras utiliza sensores inerciais em brocas e sistemas de ancoragem de estruturas flutuantes, utilizadas no processo de exploração de petróleo.

"Se considerarmos um atirador, o sistema inercial é a luneta, porque sem ela não se vê o alvo", explica Leite Filho. Num avião, segundo ele, o sistema de navegação inercial diz para onde ele está indo e controla o veículo, estabilizando a sua velocidade angular e atitude (orientação no espaço em relação a um sistema de referência). O sistema inercial, neste caso, ajuda a navegação acrescentando os dados do GPS, mas ele é autônomo, ou seja, não depende de satélites, e sim dos seus sensores para funcionar.

O sistema inercial de um foguete é composto por dois sensores principais: um girômetro e um acelerômetro, que repassam as informações sobre a posição do foguete no espaço para o computador de bordo. É através da plataforma inercial que se consegue, por exemplo, identificar os desvios de rota de um foguete ou satélite em órbita.

O domínio da tecnologia que envolve o sistema de navegação de veículos espaciais, segundo Leite Filho, dará ao Brasil autonomia em uma área considerada estratégica, restrita a poucos países no mundo e sujeita a embargos tecnológicos, que há vários anos tem afetado o programa espacial brasileiro.

Os sistemas inerciais de todos os protótipos de foguetes já lançados pelo Centro Técnico Aeroespacial, (CTA), por exemplo, foram comprados da Rússia e da França, em meados da década de 90, sob objeções do governo dos Estados Unidos. A compra de componentes para o atual projeto também continua sofrendo embargo dos EUA. Já o sistema de controle de atitude dos novos satélites da Plataforma Multimissão (PMM) do Inpe, serão fornecidos pela Argentina. Os satélites que o Brasil fez com a China levam um sistema de controle de órbita chinês.

O SIA também pode ser usado na aviação e a aeronave Super Tucano, que depende do fornecimento de sistemas da americana Honeywell, teria uma opção nacional para equipar a frota de 99 aeronaves do modelo, comprada pela FAB. O Super Tucano já sofreu embargo dos EUA, em 2005, quando a Embraer tentou vender a aeronave para a Venezuela, por conta dos componentes americanos instalados no avião. Há cerca de um ano a FAB também teve dificuldades em comprar os sensores inerciais do avião de patrulha marítima P-3, que está sendo modernizado na Espanha, pela empresa europeia EADS. O fabricante original do P-3 Orion é a empresa americana Lockheed Martin.

13 de dezembro de 2009

Réveillon milionário


R$ 52 mil: O quarto do bangalô premium do resort Txai, em Itacaré (BA)


Lençóis de 300 fios de algodão egípcio, lava-pés na porta do quarto, carrinho de golfe para circular num terreno de paisagem deslumbrante, personal trainer à disposição e uma camareira que desfaz e depois arruma a sua mala. Estes são mimos oferecidos a hóspedes dos hotéis que promovem os Réveillons mais caros do Brasil. Passar a virada de ano nesse ambiente de luxo e riqueza pode custar até R$ 69 mil por casal.

É este o valor pago pelas pessoas que já reservaram as três suítes mais caras do hotel Fasano, na avenida Vieira Souto, no Rio, onde a cantora Madonna se hospedou no mês passado. Os quartos, de 130 m2 com vista para o mar de Ipanema, têm TV de plasma, bar particular com máquina de café expresso e banheiro com vista panorâmica. Entre as mordomias, o professor particular de ginástica, que pode ser feita na praia ou no "fitness center", serviço VIP na areia e uma massagem de boas-vindas. Ao voltar para o quarto no fim do dia, o hóspede sempre encontra a banheira já cheia com água quente, espumas e sais.

"São pequenas coisas, detalhes que a pessoa não percebe. O valor embute a boa vontade da equipe. Todos cuidam de tudo", diz Paula Bezerra de Mello, RP do Fasano. Para Rogério Fasano, dono do hotel, os preços elevados-o quarto mais barato, também já esgotado, sai por R$ 15 mil-se devem à lei da oferta e da procura. "É altíssima temporada. O Réveillon no Rio é um destino muito procurado e o hotel é pequeno", diz. São 89 quartos disponíveis. O nome dos hóspedes é mantido em segredo, como convém a lugares de tal gabarito.

Os felizardos que vão passar o Ano-Novo lá receberão uma garrafa de champanhe Veuve Clicquot no quarto e desfrutarão de ceia com um menu vasto (que, para quem não está hospedado, custará R$ 1.600, mais 13% de serviço): terrina de foie gras com strudel de maçã-verde, figo e molho ao porto, ravióli recheado de couve-flor, salsicha toscana, purê de feijão e trufa negra, cordeiro recheado de "lardo di Colonnata" (um tipo de bacon nobre), tomate seco com creme de lentilha. A virada será à beira da piscina e a festa, no bar Londra. "É o tratamento oferecido o ano todo para os hóspedes, e não só no Réveillon", diz Fasano.

Inaugurado em 2007, o Fasano passou a disputar com o Copacabana Palace o título de Réveillon mais luxuoso, requintado e caro do Rio -e, portanto, do país. "Modéstia à parte, temos a vista mais bonita do Rio", diz Fasano. Da piscina é possível se maravilhar com as pedras do Arpoador e, na outra ponta, o morro Dois Irmãos. "O Réveillon no Fasano é mais para paulista, que gosta de ficar dentro da boate", diz Patrícia Brandão, ex-RP e consultora do Copa. O hotel, de onde se pode ver toda a tradicional queima de fogos ("do Fasano eles só vêem a rebarba", diz Patrícia), é famoso por suas festas de Ano-Novo frequentadas por estrangeiros, jet setters e empresários. Este ano, o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) deve repetir a experiência do último Réveillon e passar a meia-noite do dia 31 no Copa. O apresentador Jô Soares é outro que, de acordo com o hotel, já reservou lugar.

As sete coberturas de 100 m2, com terraço privativo e vista para o mar, já estão reservadas por R$ 57,6 mil (para duas pessoas, por seis dias). "Os hóspedes não são celebridades, são pessoas de famílias importantes, superempresários. Pessoas ricas, mas anônimas", diz Patrícia. No sexto andar, onde as suítes estão instaladas, há uma piscina privativa.

Apenas a reserva para a ceia e o baile nos salões principais saem por R$ 1.400, mais 10% de serviço."Acho barato, pela qualidade oferecida. Minhas sobrinhas foram para Jurerê [praia de Florianópolis] no ano passado. Comeram mal e pagaram R$ 2.000", diz Patrícia.

Fora do Rio, outro Réveillon de estilo milionário é o do resort Txai em Itacaré, no sul da Bahia, onde o presidente francês Nicolas Sarkozy e a primeira-dama Carla Bruni passaram o último Réveillon. Lá, o bangalô top de linha, de 70 m2, custa R$ 52,2 mil por sete dias, com café da manhã, uma ceia e um jantar inclusos. O pacote mais barato custa R$ 23,4 mil.

Os frequentadores do resort começam a ser paparicados no transfer do aeroporto de Ilhéus. No carro, eles já podem contar com serviço de bar e um agrado: uma cocada de cacau. O check-in é regado a água de coco ou caipirinha. Como o hotel é muito grande, os que têm preguiça de caminhar são transportados em carrinhos de golfe para ir à praia, à piscina, às quadras de tênis. Na porta dos bangalôs estão instalados lava-pés com flores.

A festa da virada tem música ao vivo e ceia farta. O menu tem iguarias como javali assado no forno a lenha com maçã e alho-poró. Mas quem espera uma queima de fogos, vai se decepcionar. "Temos o cuidado de preservar o ambiente. Por isso, não há fogos" explica André Lameiro, diretor de marketing do Txai. "Costumamos falar que é uma experiência, e não uma hospedagem", afirma ele.

Mas exclusivo de verdade será o Réveillon do xeque Tahnoon Bin Saeed, dos Emirados Árabes. Ele fechou a pousada Maravilha, a mais cara de Fernando de Noronha, para virar o ano com vinte amigos. As diárias no período saem por R$ 6.200 e ele reservou todos os cinco bangalôs e três apartamentos do lugar. Vai gastar cerca de R$ 350 mil.

Na Maravilha, uma camareira de confiança desfaz a bagagem. Quando o hóspede deixa o quarto, alguém da equipe já se encarrega de entrar para limpar-são três arrumações diárias, a última sendo a que deixa a cama super "king size" preparada para a hora de dormir. Da varanda do bangalô, onde se pode tomar banho de ofurô, se tem a vista da baía do Sueste. Quem se hospeda lá, além da paisagem, conta com paparicos já no check-in do aeroporto, sendo recebido com coquetel de boas-vindas, drinques e petiscos. Mas o xeque árabe, é claro, desembarcará discretamente de seu jato particular.Da coluna de Mônica Bergamo

Será verdade? Mercado investe em Meirelles como opção para ser vice de Dilma

Se o investidor internacional votasse no Brasil ou tivesse influência nas complexas engrenagens do PMDB, partido ao qual se filiou, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, poderia ser suavemente indicado a vice na chapa presidencial encabeçada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

Num prazo de apenas duas semanas, Meirelles recebeu sinais eloquentes de prestígio do que se convencionou chamar de comunidade financeira global -um grupo formado por bancos, fundos de investimento e organismos multilaterais.

No último dia 2, técnicos do FMI (Fundo Monetário Internacional) definiram publicamente como "exemplar" o papel do brasileiro no combate à crise financeira mundial.
Informa o copioso estudo da organização que se notabilizou por admoestar gerações de tecnocratas brasileiras desde a década de 80: "A aparente eficácia das medidas adotadas pelo BC do Brasil para garantir a liquidez em dólares sugere que elas podem se tornar instrumento padrão de bancos centrais".

Sete dias depois, o BIS, banco central dos bancos centrais, aceitou o Brasil como membro de um seleto grupo de países responsável por identificar fontes potenciais de estresse nos mercados financeiros.

De menino levado, o Brasil foi promovido a monitor do BIS. Motivo: a firme supervisão bancária brasileira, nas mãos de Meirelles e sua equipe.

Às duas distinções somam-se outros prêmios, convites e jantares com os quais bancos e investidores tentam demonstrar apreço ao ex-presidente do BankBoston no momento em que o presidente do BC tenta migrar da economia para a política após ter-se transformado num dos integrantes mais longevos do governo Lula.

No evento mais exclusivo ao qual compareceu, em setembro passado, no Reform Club, clube inglês fundado no século 19, Meirelles foi até instado por um dos anfitriões a candidatar-se não a vice de Dilma, mas à Presidência da República.

Com a onda de elogios e a recente menção de caciques do PMDB em escândalos, o nome Meirelles, cristão-novo no partido, volta a ser mencionado como alternativa para compor, com Dilma, a chapa PT-PMDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso, a declaração do presidente sugerindo que o partido entregasse a Dilma uma lista tríplice de possíveis vices foi lida por alguns como uma tentativa de inflar o nome do titular do Banco Central, o que causou uma imediata reação da cúpula do PMDB.

A própria ministra tem aventado cada vez mais essa possibilidade em encontros com o setor privado. Ao explicar como seria sua política econômica, caso seja eleita, Dilma travou, em uma dessas reuniões, o seguinte diálogo com Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco:

"Qual seria sua equipe econômica?", questionou o banqueiro. "Seria essa que está aí. Dizem até que o Meirelles pode ser meu vice", respondeu ela.
Surpreso, Moreira Salles insistiu: "E pode, ministra?" E ela: "Pode, uai. E por que não?"

Sem lastro

O problema para viabilizar a opção Meirelles é o enorme abismo que separa seu prestígio internacional de sua inexperiência no partido que escolheu para reentrar na política, em setembro passado -ele teve curta experiência no PSDB, em 2002, quando foi eleito deputado federal, para logo renunciar.

Meirelles tem dito que aceitou de Lula só duas recomendações quando informou sua disposição de se filiar ao PMDB: não concorrer ao governo de Goiás e ficar no BC até março de 2010, prazo para a desincompatibilização das autoridades que vão disputar eleições.

Quanto à possibilidade de buscar a candidatura a vice de Dilma, Meirelles disse, numa entrevista em outubro, ser esta uma "oportunidade e destino, e não um ato de vontade".

Destino ou vontade, essa alternativa tem como principal obstáculo os "donos" do partido -além de Michel Temer, o líder da legenda na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e os deputados Eduardo Cunha (RJ) e Tadeu Filippelli (DF).
Até a semana passada, todos diziam que o PMDB "nunca" vai indicar Meirelles a vice.Deu na Folha, será que é verdade?

Senta que lá vem história

De tempos em tempos, o presidente Lula recebe em sua casa em São Bernardo do Campo um isopor com porções generosas de buchada de bode. A iguaria, uma das suas favoritas, vem sob encomenda do fogão da tia Zélia, 56, dona de um restaurante na Vila Planalto, em Brasília.

Desde o primeiro mandato, sempre que tem vontade de comer buchada, Lula recorre a Zélia. Ela já preparou o prato para festas com autoridades e de família ou para almoços rápidos -mas de lenta digestão- no Planalto.

Tudo começou com um comentário de um assessor dele, que foi almoçar no Tia Zélia, o restaurante. Diante dos elogios à buchada, o presidente começou a pedir marmitas. Descobriu outras maravilhas preparadas por ela: vaca atolada, feijão tropeiro e musse de tamarindo.

Pego pelo estômago, o presidente quis conhecer tia Zélia. Ela foi ao Planalto, tiraram fotos, ficaram amigos. "Lula é maravilhoso, é o presidente internacional do Brasil", diz a nordestina que chegou a Brasília há mais de 30 anos, ainda como Maria de Jesus Oliveira da Costa.

Em outubro, ela estava entre os convidados da festa de aniversário dele.
Em um dos encontros, Lula perguntou o que podia fazer por ela. Tia Zélia, que é da opinião de que "a gente não vai no presidente para pedir", tentou desconversar. Acabou falando. "Só quero que o Arruda me deixe trabalhar em paz com o puxadinho que eu fiz aqui, que eles estão me incomodando", disse, em referência às tendas que armou para a clientela em frente ao restaurante. Eram ameaçadas pelos fiscais do governo de José Roberto Arruda (DF).

"Se foi o Lula [que intercedeu] ou não foi, eu não sei. Só sei que não mexeram mais comigo", afirma ela.

Ao comentar o escândalo envolvendo Arruda, gravado em vídeo recebendo um maço de notas e, em conversas telefônicas, discutindo suposta distribuição de dinheiro a aliados, tia Zélia diz que nunca simpatizou com ele. "Graças a Deus, nunca veio aqui."

A buchada, preparada com estômago e miúdos de bode que cozinham por até sete horas, saiu do cardápio do restaurante. Hoje, só por encomenda. Quem almoça no Tia Zélia pode provar oito pratos nada leves. Entre eles, javali, carneiro, feijoada e leitão.
No salão rústico, estão espalhadas fotos do presidente, abraçado a Zélia ou em pose oficial, autografada. O restaurante lota de terça a quinta, quando políticos e funcionários públicos são maioria.

Não é a primeira vez que a Vila Planalto, bairro dos pioneiros de Brasília, esconde cozinheiros diletos de presidentes. Próximo do Tia Zélia fica o Rosental, que foi do cozinheiro de Juscelino Kubitschek. Rosental morreu em 2005, mas o restaurante segue uma tradição na cidade.

Para agradecer o apoio dos políticos e amigos, tia Zélia oferece uma vez ao ano o que chama de "almoço 0800", em que não cobra nada dos 300 convidados. "Vem gente muito bonita, de todos os ministérios da Esplanada", diz.

O deste ano será na terça-feira. "Vou preparar um carneiro que o prefeito de São Bernardo, o [Luiz] Marinho, me mandou", diz ela. "E também uma leitoa que eu ganhei do pessoal da Infraero." Para completar, pudim de leite.

10 de dezembro de 2009

Luiz Inácio Lula da Silva Brasileiro do Ano

Ao eleger os cinco Brasileiros do Ano de 2009, ISTOÉ destaca cinco expoentes desse momento único, que contribuíram, cada um a sua maneira, para elevar o Brasil à posição de protagonista de uma nova ordem mundial que começa a tomar forma. O presidente Lula, com sua crescente influência junto aos principais líderes mundiais, desponta como o melhor exemplo desse papel no cenário internacional. Por onde passa, é ouvido com a atenção só dispensada aos grandes estadistas cuja palavra pesa nas decisões que realmente interessam. Se o País é exemplo mundial de resistência ao cataclismo econômico, o mérito cabe a seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, arquiteto e executor da estratégia que fez com que fôssemos um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela. O nadador Cesar Cielo, o homem mais rápido do mundo nas águas, comprovou nas piscinas que o Brasil tem talento para ser também uma potência esportiva, enquanto o cineasta Daniel Filho mostrou com “Se eu Fosse Você 2” que, sim, nós também temos blockbusters. Por fim, Aécio Neves, ao entrar na reta final de seus dois mandatos à frente do governo de Minas Gerais com enorme aprovação popular, representa na política esse sopro de novidade e uma ponte com o futuro de um País cada vez mais respeitado e ouvido por todo o planeta.


Luiz Inácio Lula da Silva Brasileiro do Ano


PRÉ-SAL Em seu ambiente mais familiar, diante de uma plateia de operários, ele brinca ao falar da maior descoberta de petróleo de todos os tempos



 

SÃO FRANCISO Em duas visitas às obras de transposição do rio, uma das principais obras de seu governo no Nordeste  




PELO MUNDO Em Nova York, Lula discursa (abaixo) durante a entrega do prêmio Woodrow Wilson, um dos mais cobiçados por chefes de Estado; e acima em viagem à África

 


 

 

 



ESTILO DE PODER Cenas presidenciais: ao ver os caças em pleno voo, Lula não esconde sua curiosidade; sozinho no gabinete; e assediado pelo povo

Vitórias no cenário internacional, conquista da Olimpíada para o Rio de Janeiro e drible na crise financeira em 2009 ampliam a popularidade do presidente e o mundo confirma seu nome como uma nova liderança global

a terça-feira 15, quando desembarcar em Copenhague para participar da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será recebido como mais um dirigente de país exótico da América do Sul, que tem em seu território uma grande floresta tropical. Ele, certamente, será alvo da reverência que conquistou como um dos principais líderes mundiais da atualidade. Simplesmente porque, hoje, nenhum tema importante no cenário internacional pode ser debatido sem a presença e a intervenção firme e decisiva do presidente do Brasil. Questões estratégicas, que vão desde o programa nuclear do Irã até a necessidade de democratizar as decisões da própria Organização das Nações Unidas, passam obrigatoriamente pelo crivo de Lula. Durante seu governo, o Brasil assumiu lugar de destaque entre as principais nações. Basta ver o que já se tornou rotina nas fotos oficiais das reuniões de cúpula e do G-20: o presidente Lula sempre aparece ao centro, na companhia do americano Barack Obama ou de líderes europeus, como o francês Nicolas Sarkozy e a alemã Angela Merkel. Em todos os foros, o Brasil se faz ouvir e respeitar. E o motivo maior desse novo status é, sem dúvida, a personalidade do presidente.



COMEMORAÇÃO No Alvorada, com dona Marisa Letícia: o presidente tem muitos motivos para festejar

Nunca um governante brasileiro foi tão reverenciado no Exterior como Lula. Seu protagonismo na cena internacional evidenciou-se em vários momentos. Foi o que se viu na reunião dos países do G-20, quando foi apontado por Obama como “o cara”, o líder mais popular da Terra, e também quando ele recebeu os prêmios da Unesco, por contribuição para a paz, e da Chatham House, o Real Instituto de Assuntos Internacionais do Reino Unido, um dos mais prestigiados organismos de discussão de temas mundiais, que o considerou o estadista do ano. Esta fase brasileira é marcada por duas imagens na imprensa internacional: as capas do jornal britânico “Financial Times” e da tradicional revista “The Economist”. O primeiro, considerado a bíblia do capitalismo, destacou a tentativa de Lula de convencer Obama e o presidente da China, Hu Jintao, a participar da conferência de Copenhague. Já a “The Economist” trouxe uma matéria de 14 páginas sobre a situação econômica do País com o título de capa “O Brasil decola” e a imagem do Cristo levantando voo como um foguete. As duas reportagens de grande destaque vieram confirmar, com todas as letras, a projeção internacional de Lula. E, em consequência, a imagem do Brasil como importante ator global. “Foi um ano bom para o Brasil. A crise financeira internacional acabou sendo uma boa oportunidade para mostrarmos ao mundo a força da nossa economia e a nossa capacidade de superação e, com isso, nosso país ser ainda mais respeitado nos fóruns internacionais”, disse Lula à ISTOÉ, ao saber que foi eleito pela revista “O Brasileiro do Ano”.

A consagração foi ser chamado por Obama de “o cara”, o líder mais popular da Terra

Méritos não faltaram ao presidente Lula e à política econômica de seu governo. No Exterior, não se fala de outra coisa senão sobre a capacidade que o Brasil – antes visto como um gigante ameaçado por turbulências insanáveis e pela inflação – teve de se transformar num país de economia estável e porto seguro para o investimento estrangeiro. O “B” é a estrela entre os países que compõem os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), com os especialistas prevendo um crescimento de até 5% para a economia em 2010.



CONTRIBUIÇÃO À PAZ Em julho, ao receber da Unesco o prêmio Félix Houphouët-Boigny
“A crise financeira acabou sendo uma boa oportunidade para mostrarmos a força da nossa economia”
A projeção e o reconhecimento internacional de Lula fizeram parte de uma estratégia de governo escorada no bom desempenho do País no enfrentamento da crise financeira. Os assessores do presidente entendiam que havia um vácuo de liderança no mundo, que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, tentou preencher sem sucesso. Concluíram, então, que estava aberta a janela de oportunidade para Lula se projetar, ocupando lugar de destaque no cenário internacional. A tática foi seguida à risca. Em 2009, um intenso circuito internacional, com 21 visitas estratégicas a paí­ses onde havia interesse do Brasil, comercial ou diplomático, ajudou a destravar a pauta de negócios das empresas brasileiras. Nenhum outro presidente da América Latina conseguiu tanto espaço na mídia mundial como Lula, que concedeu 112 entrevistas à imprensa estrangeira.



 
 
 



PRESTÍGIO A liderança de Lula foi saudada por Obama, Sarkozy, Elizabeth Ie pela alemã Angela Merkel,
sobretudo depois da crise internacional

Mas é evidente que, se não fossem o carisma do presidente e sua importante atuação no desenvolvimento de políticas tanto internas como externas, o plano teria sido um tiro n’água. Mas tudo deu certo. O ano acaba com os especialistas internacionais vaticinando uma década de prosperidade e crescimento para o País. Graças à política econômica cujos pilares foram reafirmados este ano por Lula, o Brasil possui hoje um mercado interno estável, com as exportações de carros e aeronaves, soja e minério de ferro, petróleo e celulose, açúcar, café e carne bovina correspondendo a apenas 13% do PIB. A política ex­ter­na chancelada por Lula foi marcada por ousadia, como a decisão de abrigar o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira em São Domingos e a acolhida amistosa em Brasília ao polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Movimentos que provocaram atrito nas relações com os Estados Unidos. Apesar disso, a política externa também ajudou o País a minimizar os efeitos da recessão mundial, à medida que ampliou o leque de parceiros comerciais. “O Brasil se preparou não só economicamente como politicamente. A política externa brasileira, acusada de ideológica por uns e pragmática por outros, revelou que adotamos uma percepção clara do que poderia ocorrer”, disse à ISTOÉ o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Para ele, o sucesso da política externa do País pode ser atribuído à compreensão do presidente Lula de que o futuro do País está ligado à sua projeção internacional e à sua capacidade de integração na América do Sul. “Como a China substituiu os Estados Unidos como maior parceira comercial do Brasil no início deste ano, o País não foi severamente afetado pela recessão no mercado americano como poderia ter sido”, atestou a “Der Spiegel”. A inglesa “The Economist” cita ainda as descobertas de petróleo no pré-sal e as exportações para países asiáticos como elementos que vão estimular ainda mais o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.






“Espero que os avanços sejam mantidos pelos próximos governos”
Presidente Lula

A expectativa é de que, ainda nessa década, depois de 2014, o País possa se tornar a quinta economia do mundo, superando o Reino Unido e a França. Neste caso, é possível que Lula possa colher pessoalmente os frutos que plantou. Conforme antecipou ISTOÉ, em reportagem de capa, publicada em março, a exemplo do que aconteceu com Getúlio Vargas em 1949, quando o presidente foi procurado por políticos em seu autoexílio em São Borja, no Rio Grande do Sul, para voltar ao poder, Lula também não descarta a possibilidade de retornar ao Palácio do Planalto em 2014, nos braços do povo. Se for eleito para um terceiro mandato, Lula estará sentado na cadeira de presidente durante outro momento de glória para o País para o qual ele também contribuiu muito: os Jogos Olímpicos de 2016. No dia 2 de outubro, o Rio de Janeiro tornou-se a primeira cidade da América do Sul a ser escolhida para sediar a Olimpíada. Foi um dos dias mais emocionantes para Lula e a cereja do bolo de um ano tão especial para ele. Diante da escolha pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em cerimônia realizada em Copenhague, na Dinamarca, Lula não conteve as lágrimas. Indagado por ISTOÉ, Lula comemorou: “Nós conseguimos convencer o mundo esportivo que temos todas as condições de sediar os Jogos Olímpicos em 2016. Foi uma conquista maravilhosa que, tenho a certeza, encheu de orgulho o povo brasileiro e nos fez transbordar de emoção.”
Lula já garantiu
na história o mesmo papel de destaque de JK e Getúlio Vargas

Em 2010, Lula terá dois grandes desafios: manter o País no ciclo do crescimento econômico sustentável e fazer da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora. Ao participar da comemoração de seus 64 anos promovida por militantes do PT em frente ao Palácio da Alvorada, no dia 24 de outubro, Lula soprou as velas do bolo e confidenciou aos ministros presentes que a vitória de Dilma poderá ser o seu grande presente de aniversário no próximo ano. “Se Deus quiser, estarei comemorando a eleição dela”, disse. Para atingir o objetivo, Lula fez vigorosos movimentos políticos este ano. Enquadrou o PT e patrocinou o pré-acordo com o PMDB, maior partido da base aliada, que consolida a aliança eleitoral para a disputa presidencial de 2010. Se o acerto será cumprido pelos peemedebistas é outra história.
O presidente também tem se empenhado pessoalmente para garantir o caráter plebiscitário das eleições. Na campanha, planeja reproduzir o embate que domina a política desde 1994: PT versus PSDB. Por isso, trabalha nos bastidores para tirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) do páreo presidencial. Dessa forma, na comparação com seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, Lula espera sair novamente vitorioso. “É o nós contra eles”, tem dito. Paralelamente, Lula age para turbinar Dilma no ano eleitoral, associando as realizações do governo à sua candidata. Para o primeiro trimestre, por exemplo, está previsto um novo aumento do Bolsa Família, maior programa de transferência de renda do governo. Aliás, um dos objetivos de Lula é perenizar o programa a partir da aprovação de uma lei no Congresso. “O que espero de 2010 é que a gente continue tendo o apoio do povo brasileiro para avançarmos ainda mais no crescimento econômico, na geração de empregos e na redução das desigualdades sociais. Espero inaugurar muitas obras do PAC pelo Brasil, fazer os primeiros leilões para exploração do pré-sal, aprovar a consolidação das leis das nossas políticas sociais, para que os avanços que tivemos sejam mantidos pelos próximos governos”, disse o presidente à ISTOÉ. Mesmo que este desejo não seja realizado, Lula já garantiu na história o mesmo papel de destaque de presidentes como Juscelino Kubitscheck e Getúlio Vargas.Revista IstoÉ
 

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