26 de setembro de 2008

Crise pode ajudar o Brasil, diz Financial Times

A crise externa pode ter chegado em um bom momento para o Brasil, na avaliação do jornal britânico Financial Times. O cenário turbulento nos EUA e em outras economias desenvolvidas, segundo o diário, deve ajudar a esfriar a economia brasileira, sem deixar o crescimento econômico ficar muito longe do potencial do País. A reportagem também afirma que o Brasil está mais bem preparado para enfrentar a atual crise externa, mesmo não tendo se descolado totalmente do restante do mundo.

Só PT pode usar imagens do presidente em Salvador


Decisão daJustiça Eleitoral afeta campanha do candidato do PMDB, João Henrique

Em sessão que terminou no fim da noite de anteontem, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) acolheu, por 5 votos a 1, recurso do PT baiano pedindo a proibição, por parte de candidatos adversários, de uso da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas propagandas eleitorais.

A ação corre desde o início da campanha, depois de o PMDB veicular, no horário de TV do candidato à reeleição em Salvador, João Henrique Carneiro, foto em que ele abraça Lula e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima.

A decisão do TRE gera impacto direto na campanha de João Henrique. A corte se baseou no artigo 54 da Lei 9.504/97, que proíbe a participação de filiados de partido que tenha candidato em programa de coligação adversária. O peemedebista tem inserido fotos e vídeos de visitas de Lula à capital baiana para mostrar proximidade com o Planalto. Ele, Walter Pinheiro (PT) e Antonio Imbassahy (PSDB) disputam o segundo lugar nas pesquisas.

Levantamento do Ibope divulgado no dia 15 mostrava Imbassahy com 18%, Pinheiro com 16% e João Henrique com 14%. Quatro dias depois, o Datafolha deu o segundo posto a João Henrique (22%), seguido de Pinheiro (20%) e Imbassahy (14%). Nas duas pesquisas, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) lidera com 26% e 27%, respectivamente.

A direção estadual do PMDB diz que vai apelar da decisão do TRE e pode até entrar com mandado de segurança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “O que a lei veta é a participação direta do presidente nas campanhas que não sejam do partido dele, mas a Justiça não pode proibir a divulgação de fatos públicos e notórios”, argumenta o advogado Manuel Nunes.

O presidente do PMDB no Estado, Lúcio Vieira Lima, foi mais agressivo. “Foi uma decisão política, mas o povo sabe que João Henrique e o PMDB são parceiros de Lula”, acredita. “Este foi o último suspiro de um doente terminal, desesperado com o crescimento de nossa candidatura”, disse, em alusão à campanha de Pinheiro.

Lima fez questão de dizer que a bancada do PMDB na Assembléia Legislativa, que apóia o governo estadual do petista Jaques Wagner, “pode ficar insatisfeita” com a atitude do PT e que “o governo pode pagar um preço por isso”.

No PT, o clima foi de comemoração com a decisão do TRE. “A justiça foi feita”, disse Pinheiro.

Em São Luís, fator Lula pode impedir vitória de tucano no primeiro turno


O apoio expresso do presidente Lula ao deputado federal Flávio Dino (PC do B) provocou uma reviravolta nas eleições municipais em São Luís (MA). As pesquisas indicavam vitória de João Castelo (PSDB) no primeiro turno, mas, após a adesão de Lula, a distância entre os dois caiu e cresceram as chances de um segundo turno.

Segundo pesquisa Ibope divulgada na semana passada, encomendada pela Rede Globo, as intenções de voto em João Castelo caíram, em um mês, de 51% para 45%. Dino, que estava em terceiro lugar, com 7% das intenções, assumiu o segundo posto, com 16%. A escalada derrubou o candidato do PDT, Clodomir Paz, agora com 8%. Se a tendência se confirmar, o PDT poderá perder o controle da prefeitura de São Luís pela primeira vez desde 1996.

A campanha foi marcada pela polêmica em torno do apoio de Lula. Antes de o presidente aparecer no horário eleitoral pedindo votos para Dino, outros candidatos se diziam alinhados ao governo: Gastão Vieira (PMDB), Cléber Verde (PRB) e Waldir Maranhão (PP). A líder do governo no Senado, Roseana Sarney (PMDB), pediu votos para Gastão Vieira em nome do governo Lula. Waldir Maranhão usou o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e Cléber Verde, o vice-presidente José Alencar.

Vieira e Verde, pelo Ibope, aparecem com 3% das intenções; Maranhão, com 1%. Os demais candidatos apresentam intenção de voto igual ou inferior a três pontos porcentuais: Raimundo Cutrim (DEM) tem 3%; Pedro Fernandes (PTB) e Wélbson Madeira (PSTU), 1%. Paulo Rios (PSOL) não foi citado na pesquisa.

A possibilidade de segundo turno apenas aumentou a polêmica relacionada ao uso da imagem de Lula. O candidato João Castelo utilizou, em seu programa eleitoral, vídeos no qual o presidente fala que seu governo não dará tratamento diferenciado a aliados e adversários.

A Justiça Eleitoral do Maranhão proibiu o uso do vídeo no programa tucano. Na fase final de campanha, Castelo tenta mostrar que a adesão oficial de Lula à candidatura de Dino teria sido fruto de um acordo entre o senador José Sarney e o comunista - o que o candidato nega.

24 de setembro de 2008

Desemprego tem menor nível para mês de agosto desde 1998, mostra Dieese


O nível de desemprego em seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese, em convênio com a Fundação Seade, mostrou o menor resultado para o mês de agosto desde desde 1998, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (24). De acordo com a a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) das instituições o nível de desemprego total ficou em 14,5% nas regiões pesquisadas em agosto, frente aos 14,6% apurados em julho, uma queda de 0,7%. Frente ao mesmo período do ano anterior, a queda foi de 7,1%.

O total de desempregados foi estimado pela organização em 2,911 milhões de pessoas, 22 mil a menos do que no mês anterior. O nível de ocupação subiu 0,5% em agosto em relação a julho, e aumentou 5,4% no mês passado na comparação com agosto de 2007. Em agosto, o nível de ocupação cresceu em Salvador (1,6%), Porto Alegre (1,4%), Belo Horizonte (1,1%) e Recife (1,0%), a apresentou comportamento próximo à estabilidade no Distrito Federal (0,1%) e em São Paulo (0,1%).


Rendimento
O rendimento médio real dos ocupados nas seis regiões metropolitanas caiu 0,5% em julho ante junho, e passou a R$ 1.156,00. Em comparação a julho de 2007, houve uma elevação de 4,1%. A massa de rendimento dos ocupados, que é o resultado da multiplicação do valor dos rendimentos e nível de ocupação, registrou ligeira elevação de 0,2% em julho ante junho, e subiu 9,1% em comparação a julho de 2007.

Em São Paulo
O desemprego na região metropolitana de São Paulo atingiu 14% em agosto, taxa um pouco inferior ao nível de 14,1% registrado em julho, de acordo com a pesquisa. Mesmo assim, esta é a menor taxa para agosto, desde 1996. O total de desempregados no mês passado ficou em 1,476 milhão de pessoas na região. O nível de ocupação registrou pequena elevação de 0,1% em agosto, em comparação a julho. Em relação a agosto do ano passado, o nível de ocupação subiu 4,5%.

De acordo com a PED, o rendimento médio real dos ocupados em São Paulo caiu 1,8% em julho ante junho deste ano, de R$ 1.215,00 para R$ 1.193,00. Porém, ao comparar o resultado com o rendimento de R$ 1.169,00 em julho do ano passado, o rendimento médio subiu 2,1%. A massa de rendimento dos ocupados caiu 1,7% em julho, em relação a junho. Em comparação a julho de 2007, a massa de rendimento dos ocupados subiu 6,3%.

TJ extingue ação contra coronel Brilhante Ustra


O Tribunal de Justiça de São Paulo extinguiu ontem, por dois votos a um, um dos dois processos que pedem o reconhecimento de que o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi em São Paulo, ordenou torturas a presos políticos. Os autores dos processos, ex-presos e familiares, não querem indenização, mas a declaração de que foram torturados por motivos políticos durante a ditadura militar.

Ontem, no entanto, o processo da família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, morto aos 23 anos pela repressão, foi extinto por motivos técnicos, segundo os desembargadores, que não entraram no mérito do caso. Oficialmente, Merlino teria se matado, ao se lançar diante de um caminhão. O jornalista, no entanto, sofreu gangrena nas pernas e tinha sinais de ter passado mais de dois dias pendurado no pau-de-arara antes de morrer.

Sequer as testemunhas serão ouvidas. O advogado Fábio Konder Comparato, que defende a família Merlino, vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.

- A decisão é escandalosa. Extinguir um processo onde sequer as pessoas foram ouvidas? Não vamos descansar enquanto Ustra não for reconhecido como torturador - disse a irmã do jornalista, Regina Maria Merlino Dias de Almeida, de 64 anos.

Decisão gera protestos; família recorrerá ao STJ

O principal motivo da extinção da ação foi a alegação da defesa de ilegitimidade da parte. A defesa de Ustra alegou que a mulher do jornalista, Angela Maria de Almeida, não era casada legalmente com ele nem comprovou união estável e, por isso não poderia ter assinado a representação. Na sessão, desembargadores ressaltaram que não emitiam juízo de valor sobre os atos cometidos por Ustra, que seriam de Direito penal e não cível, como a ação foi proposta.

- Há cinismo nisso tudo. É como se o fato de não pedirmos dinheiro, e sim um reconhecimento para a História de que Ustra foi um torturador, estivesse tecnicamente errado. Se não conseguirmos nada no STJ, iremos até a Corte Internacional de Direitos Humanos - disse.

Ontem, no TJ de São Paulo, vários familiares e ex-presos fizeram um protesto depois do julgamento. Eles decidiram promover uma série de ações nos mesmos moldes.

- Eu fui torturada por Ustra e já decidi fazer um processo igual. Ele pessoalmente me deu choques elétricos nas mãos e muitos tabefes. Além disso, era ele quem comandava as torturas, temos várias testemunhas disso - disse a psicóloga Lúcia Coelho, de 71 anos.

A empresária Leane Almeida, de 60 anos, é uma das testemunhas do caso Merlino:

- Sequer fui ouvida. Fui presa no mesmo dia que Merlino e o ouvi gritar por três noites, na tortura comandada por Ustra. Ustra gritava, dava ordens para torturarem Merlino - conta.

Merlino foi torturado e morto em 1971. O corpo, que teria sinais de tortura, só foi enterrado pela família porque o cunhado de Merlino, delegado, o encontrou em uma gaveta do IML, sem identificação. O jornalista era militante do Partido Operário Comunista (POC).

PSDB ocupa seis das 23 secretarias municipais e tem mais de 300 cargos


Presidente de Conselho de Ética tucano, porém, defende expulsão

O presidente do Conselho Nacional de Ética e Disciplina do PSDB, deputado Affonso Camargo (PSDB-PR), defendeu a expulsão dos tucanos de São Paulo que têm feito campanha para o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM).

- Estamos esperando uma representação. Se chegar ao Conselho, meu voto de minerva será pela expulsão de todos que não cumpriram com seu dever, que é apoiar o candidato do partido - disse Camargo.

Para que o Conselho de Ética funcione, é preciso que qualquer militante faça uma representação à Executiva Nacional, que, por sua vez, decidirá se o caso será encaminhado. Acionado, o conselho elabora um parecer indicando a penalidade. A decisão final é do diretório nacional do partido.

Por enquanto, o único alvo de representação é o secretário municipal de Esportes, deputado licenciado Walter Feldman (PSDB-SP), acusado pelos deputados estaduais Bruno Covas e Pedro Tobias de falta disciplinar. O caso vai para a Executiva.

PSDB controla pastas como Educação e Saúde

Camargo não fala, porém, em devolver os cargos que o PSDB tem na gestão de Kassab. Feldman é um dos seis tucanos que continuam no secretariado de Kassab ao lado de Clóvis Carvalho (Governo), Andrea Matarazzo (Subprefeituras), Alexandre Schneider (Educação), Ricardo Montoro (Participação) e Januário Montone (Saúde). Os segundos escalões das secretarias também são ocupados por tucanos. Há mais de 300 tucanos em cargos-chaves na prefeitura. O PSDB tem filiados ocupando 14 das 31 subprefeituras. Oito dos 12 vereadores tucanos apóiam Kassab abertamente.

Todos são ligados ao governador José Serra, de quem Kassab foi vice na eleição para a prefeitura, em 2004, e herdou o cargo e a equipe.

Para Feldman, a declaração de Camargo é descabida:

- Ele não tem o direito de falar isso, pois desconhece detalhes da situação. Talvez desconheça o compromisso do governador Serra de que a gestão tucana iria até o fim do mandato.

E segue:

- Dentro da lógica formal o deputado Affonso Camargo está certo. Mas a lógica política não é formal, é dialética. Será que não chegou o momento de o PSDB fazer uma revisão?

Feldman disse não temer a expulsão.

- Sou histórico do PSDB, sou fundador. Se estou nesta posição, é explicável.

Ética...

O presidente nomeou o padre cearense José Pinheiro, assessor político da CNBB , como membro da Comissão de Ética Pública da Presidência.

11 de setembro de 2008

Inestimento puxa a alta de 6,1 do PIB


O bom desempenho da economia no segundo trimestre de 2008 animou o governo, que já reviu para mais de 5% a projeção de crescimento neste ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter uma expansão entre 5% e 5,5% em relação a 2007. “O resultado do PIB no segundo trimestre está um pouco mais forte, talvez tenhamos um crescimento neste ano parecido com o do ano passado, que foi de 5,4%”, estimou.

No ranking de crescimento dos países emergentes mostrado pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o Brasil alcançou o oitavo melhor resultado na lista liderada por China, Peru e Índia, no período.

Mantega avaliou que os números atuais da economia ainda não espelham o aperto monetário iniciado pelo Banco Central (BC) em abril. Para ele, o desempenho de abril a junho foi diretamente influenciado pelo impulso do investimento em meses anteriores. “Essa elevação (dos juros) demora para fazer efeito. O reflexo vem em seis a oito meses”, afirmou. O ministro previu que os novos investimentos levarão em conta o novo patamar de juros o que provocará um arrefecimento do crescimento.

Apesar disso, o governo continua trabalhando com uma previsão de expansão da economia de 4,5% no próximo ano. “Tem um efeito de arrasto (do PIB de 2008) para 2009 que ajuda, certamente, alcançarmos 4,5% em 2009”, afirmou Paulo Bernardo. Para Mantega, o crescimento do próximo ano será menor em função da redução do crédito no Brasil e no mundo, do aumento das taxas de risco e do custo de capital, além da elevação da taxa básica de juros.

Mantega disse que o crescimento econômico no segundo trimestre tem uma qualidade melhor do que em outros períodos porque vem acompanhado da desaceleração da inflação. Segundo o ministro, o crescimento sustentável não é o maior possível. “É aquele que não gera inflação ou pontos de estrangulamento.”

Na avaliação da área econômica, o aspecto mais positivo do resultado foi a expansão dos investimentos acima do crescimento da economia e do consumo das famílias. “Isso significa que a demanda está crescendo, mas que também está tendo aumento de oferta”, explicou Mantega. Para ele, o esforço fiscal do governo desacelerou os gastos do setor público, o que reduziu o consumo. “Isso era previsto. Mas teremos um excelente Natal para as famílias”, previu, mesmo com a demanda menor.

Paulo Bernardo afirmou que a expansão dos investimentos neste ano será de no mínimo 15% em relação a 2007. “Temos chance de acabar andando este ano um bom pedaço da nossa meta de chegar (a taxa de investimentos) a 21% do PIB em 2010”, afirmou.

Em 2007, os investimentos representaram 18% do PIB. Bernardo lembrou que, apesar do aumento do consumo, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria tem ficado próximo dos atuais 85% nos últimos três anos, o que demonstra que o parque fabril está ampliando sua capacidade de produção.

ESTOQUES

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, avalia que o crescimento dos estoques, mostrado nos dados PIB, é um sinal de desaceleração no crescimento econômico. Segundo ele, os estoques subiram de 1,5% do PIB para 2,3%, na comparação do segundo trimestre com igual período de 2007. “A formação de estoques é um sinal de acomodação do crescimento em um patamar mais elevado. Quando a economia acelera, a tendência dos estoques é de queda”, afirmou.

Em relação ao consumo das famílias, Barbosa reconheceu que o ritmo de 6,7% no segundo trimestre, ante mesmo período de 2007, é elevado, mas ele acredita que haverá uma desaceleração que fará o indicador fechar o ano com alta de 6% a 6,5% e, em 2009, com elevação de 5,5% a 6%.

No resultado do segundo trimestre, o economista destacou o desempenho da agricultura e também do setor externo que, revertendo o que foi visto nos últimos trimestres, deu contribuição positiva ao PIB. Segundo ele, o melhor desempenho do setor externo reflete o aumento das exportações, que responderiam ao fim da greve na Receita Federal.

Barbosa também destacou a aceleração da Formação Bruta de Capital Fixo e disse que a desaceleração verificada na indústria reflete a valorização do real, que teve impacto favorável nas importações.(O Estado de S. Paulo)

O Brasil está bombando


Apoiada nos investimentos recordes das empresas e do governo em máquinas, equipamentos e construção, a economia brasileira cresceu acima das estimativas no segundo trimestre e fechou o semestre em alta de 6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2007, a taxa chegou a 6,1%. Em relação ao primeiro trimestre, o PIB apresentou expansão de 1,6%. "O PIB vem crescendo ao ritmo de 6% há um ano", disse a gerente das Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis. Ela ressalta que o efeito do novo ciclo de alta dos juros iniciado em abril pelo Banco Central não foi sentido no segundo trimestre.

Sem considerar o efeito negativo do setor externo (importações e exportações de bens e serviços) sobre o PIB, de 2,5 pontos percentuais, o ritmo da expansão doméstica é comparável ao chinês. Segundo cálculos do economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, a demanda interna cresceu 8,5% no primeiro semestre. "É o investimento que está segurando o crescimento do PIB. Sem investimento, o PIB estaria em 4% ao ano", disse Borges.

Os investimentos registraram alta de 16,2% no segundo trimestre, a 18ª alta consecutiva na comparação com igual período do ano anterior e recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. A taxa de investimento sobre o PIB, de 18,7%, foi a maior já registrada para um segundo trimestre desde 2000, quando foi iniciada a série do indicador. No semestre, o nível da alta do investimento também foi recorde e chegou a 15,7%. Segundo cálculos da LCA, em termos dessazonalizados, a taxa de investimento ficou em 19%, a maior desde o primeiro trimestre de 1998 na comparação com todos os trimestres do período analisado.

Dentro dos investimentos, o destaque foram os gastos na construção civil, cuja alta de 9,9% foi favorecida pelas obras públicas e pela alta de 26,7% no crédito habitacional. Para a gerente do IBGE, o período eleitoral contribuiu para esse resultado. "Em anos eleitorais, historicamente, há mais obras públicas", afirmou.

Os investimentos subiram também sob efeito da expansão de 41,3% do crédito para empresas e do fim da greve na Receita Federal no segundo trimestre. Muitos equipamentos e máquinas importadas que chegaram no início do ano só foram registrados no trimestre seguinte. A greve também foi responsável pela reversão da queda de 2,1% das exportações de bens e serviços apurada no primeiro trimestre. No segundo trimestre, as exportações cresceram 5,1%.

"As empresas estão investindo para atender à demanda interna, que cresce há vários trimestres. O câmbio também ajuda a importar bens de capital e ainda houve aumento das empresas no mercado de capitais, onde elas conseguiram mais recursos para investir", destacou Giovanna Rocca, economista do Unibanco .

Ela ressalta que o bom resultado dos investimentos aponta para o aumento do PIB potencial, uma vez que o crescimento do consumo das famílias está em desaceleração, ainda que em patamar elevado, indicando que o país pode ter mais oferta disponível para atender à demanda de consumo da população.

Bráulio Borges, da LCA, lembra que, apesar do forte ritmo de investimento registrado desde o fim de 2006, o nível de utilização da capacidade instalada não cede porque a maior parte dos investimentos tem sido dirigida a ampliações de capacidade, o que exige maior prazo de maturação em comparação a investimentos de modernização. Além disso, as diversas obras em andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal são da área de infra-estrutura, cujos prazos também são mais longos. "Temos um cenário apertado por demanda, mas olhando para frente, o horizonte é favorável. Nunca se investiu tanto em ampliação", diz.

Outro destaque do PIB foi o gasto elevado da administração pública no período devido às eleições municipais. Como a lei eleitoral proíbe gastos e contratações três meses antes das eleições, o IBGE apurou a antecipação desses gastos, especialmente nas contratações feitas por Estados e municípios. O consumo do governo cresceu 5,3% no segundo trimestre, com alta de 5,6% no semestre. Segundo a LCA, os governos (municípios, Estados e União) responderam por 1,1 ponto percentual dos 6% de alta do PIB no primeiro semestre, o que reflete o próprio crescimento econômico do país. "O governo está arrecadando mais e está fazendo mais superávit primário", diz Borges.

O consumo das famílias, com peso de cerca de 60% do PIB, continuou em patamar elevado, mas desacelerou ligeiramente e passou de 6,9% para 6,7% do primeiro para o segundo trimestre na comparação com igual período do ano anterior. "A evolução do consumo das famílias continuou em patamar alto, mas não assusta mais como a alta de 8,6% registrada no quarto trimestre de 2007", disse Bráulio Borges.

Para o IBGE, a expansão do consumo foi motivada principalmente pelo aumento da massa salarial. No segundo trimestre, a massa salarial dos brasileiros teve alta de 8,1%. Além disso, o crédito farto e os prazos longos de pagamento dos empréstimos contribuíram para a expansão. Houve crescimento de 32,9% no saldo de operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas. Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, os dados mostram que o consumo "conserva uma evolução que, sem ser explosiva, é alimentadora das decisões de investimento dos empresários".

Giovanna lembra que o ritmo de crescimento visto ao longo de 2007 já perdeu força em 2008. A taxa de crescimento do consumo das famílias em termos dessazonalizados ficou em 2,1% no segundo semestre de 2007 e desacelerou para 0,7% até junho de 2008.

Pela ótica da produção, o PIB teve como destaque a agropecuária, cuja expansão foi de 4,8% em relação ao segundo trimestre de 2007 em razão das boas safras de café e milho e ainda a ganhos de produtividade que passaram a ser contabilizados pelo IBGE a partir de 2008. A indústria também ficou em patamar elevado, de 5,7%, puxada pela construção civil. (Valor Econômico)

4 de setembro de 2008

Emprego cresce 15% na construção e setor antecipa contratações

O aumento da oferta de emprego na construção civil reduziu o número de candidatos por vaga e levou as empresas a anteciparem contratações e ampliar suas estratégias de capacitação. Os governos, por sua vez, também estão buscando formas de possibilitar a entrada de novas pessoas no setor, investindo em cursos de qualificação voltados para desempregados e integrantes do Bolsa Família. Em São Paulo, 3 mil vagas serão abertas agora em setembro pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em parceria com o governo estadual para pessoas cadastradas no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT).

O aquecimento do setor começou há dois anos. Em 2007, foram criadas 176 mil novas vagas - o dobro da média dos anos anteriores - e que representou 11% do total de empregos formais abertos no Brasil naquele ano. Em 2008, apenas até julho, já foram 232 mil novas vagas na construção civil, alta de 15% em relação ao estoque total de empregos formais existentes no setor em dezembro do ano passado. E o ritmo de 15% foi três vezes superior ao de geração de vagas em toda a economia brasileira, que ficou em 5,4% até julho.

Antes do aquecimento do setor, a disponibilidade de mão-de-obra possibilitava às empresas recrutarem seus funcionários um mês antes do início das construções. Hoje, já há companhias iniciando o processo de contratação de pessoal com seis meses de antecedência para assegurar a disponibilidade de mão-de-obra e para dar mais tempo para a capacitação.

"A dinâmica no setor foi sempre de urgência, com pouco tempo para o preenchimento das posições, situação que era possível de ser gerenciada por conta do volume menor de obras e do número maior de profissionais disponíveis", diz Deborah Carceles, gerente de treinamento e desenvolvimento da Camargo Corrêa. Diante de um cenário mais apertado para contratação, desde o início de 2007, a empresa tem se preparado para que seis meses antes das obras ela já possa conhecer as demandas e buscar funcionários.

Na Rossi Residencial, o recrutamento de mão-de-obra, que antes de 2006 era feito até um mês antes de iniciar o serviço, também está sendo realizado seis meses antes do início da obra. A empresa costuma contratar construtoras locais menores que, por sua vez, fazem o recrutamento de pessoal. Isso, segundo o diretor de Engenharia da Rossi, Alcides Gonçalves, não significa pagar antecipadamente. "O importante é começar a obra com o contrato na mão", diz.

Essa precaução se tornou necessária pela redução da disponibilidade de trabalhadores e pelo perfil menos experiente das pessoas que buscam as vagas. Segundo Edyano Bittencourt, coordenador de operações da Delta Construções, hoje a quantidade de pessoas que pleiteiam vagas nas obras é de 30% a 40% inferior do que há dois anos.

Segundo Gonçalves, da Rossi, a procura por vagas, que já foi intensa antes de 2005, está equilibrada. "Aquele operário que tinha que fazer "bico" não existe mais, veio para a formalidade. Esse vácuo foi preenchido", diz. As empresas são unânimes em dizer que estão conseguindo preencher todas as vagas no nível operário, mesmo diante da menor oferta de trabalhadores. A necessidade de capacitação, contudo, aumentou.

Apesar da falta de experiência prática, a escolaridade das pessoas que procuram qualificação para cargos na construção civil tem aumentado, segundo o diretor do Senai de Tatuapé, na capital paulista, Carlos Eduardo Cabanas. Na década de 80, conta, as pessoas dos cursos operacionais - pedreiros, pintores etc - tinham em média 50 anos e haviam cursado até a terceira série do fundamental.

"Hoje vemos muitos trabalhadores ingressando com 30 a 35 anos de idade e com mais escolaridade", diz. Na unidade do Tatuapé, onde são oferecidos apenas cursos nessa área, 75% dos alunos hoje possuem ensino fundamental completo. "A construção civil hoje exige mais qualidade, e passou a ser mais atraente por conta do incremento do salário."

Além disso, o setor vem experimentando novas tecnologias, o que também abre espaço para a entrada de mulheres, que eram 5% nesses cursos na década de 80 e hoje representam 35% dos alunos. "Essas mudanças foram aceleradas nos últimos dois anos por conta do aumento das contratações e dos investimentos, mas é uma tendência", diz Cabana.

O período de vacas magras no setor, que caracterizou toda a década de 90, fez com que a construção civil perdesse trabalhadores para outros setores mais aquecidos. Hoje, o caminho passou a ser inverso, e depois de terem absorvido toda a mão-de-obra qualificada disponível, as construtoras passam a contratar desempregados da indústria de transformação e até do agronegócio, como cortadores de cana-de-açúcar.

Um reflexo de que tem chegado às empresas muita gente que não se encaixa no perfil desejado são os baixos números de vagas preenchidas por meio de cadastros públicos. Em São Paulo, até julho deste ano já foram oferecidas 13,6 mil vagas no cadastro estadual de emprego, número que já representa 84% das vagas oferecidas em 2007. O percentual de preenchimento, no entanto, é menor: de 20% frente a 27% no ano passado.

Juan Sanchez, coordenador do Programa Estadual de Qualificação Profissional (PEQ) da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo (Sert-SP), explica que a falta de capacitação e de escolaridade compatível faz com que seja comum a secretaria preencher apenas 30% das vagas oferecidas. No caso da construção civil, esse quadro se agrava por conta do forte aumento de oferta de empregos.

Segundo Sanchez, esse percentual não significa que as vagas não estejam sendo preenchidas, já que a empresa divulga a mesma vaga em vários lugares. O quadro mostra, porém, a dificuldade que é encontrar, entre as pessoas dispostas a trabalhar nesse mercado, o perfil que as empresas precisam.

Na Rossi Residencial, o aquecimento do setor fez com que nos últimos dois anos os canteiros de obras da empresa passassem de 30 para 80, com perspectiva de chegar a 140 em 2009. Isso significa contratar mais 2,5 mil trabalhadores, duplicando o atual corpo de funcionários em operação direta.

O desafio é generalizado. Em dezembro de 2006, a Camargo Corrêa tinha 2,5 mil funcionários. Um ano depois estava com 19,4 mil, e em junho eram 30,5 mil. A tendência para 2009 é manter o ritmo elevado de contratações, assim como na construtora OAS, que está hoje com 23 mil operários, número 59% maior que no início do ano.

A Equipav Construção empregava cem pessoas no começo de 2006, e hoje está com mil funcionários, com perspectiva de chegar a 1,5 mil a 2 mil pessoas no ano que vem. "Acho que em 2009 vamos ter dificuldades para contratar", diz Labieno Mendonça, diretor-superintendente da empresa.

Universidades federais vão oferecer mais 44 mil vagas


Nos primeiros vestibulares do próximo ano, as universidades federais vão oferecer mais 44 mil vagas, totalizando 227 mil no país. O aumento da oferta é resultado do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Os dados foram divulgados ontem pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Segundo Haddad, em comparação a 2003, o número de vagas dobrou. Até 2012, o investimento previsto para o Reuni é de R$ 2 bilhões. "Essa solenidade é justamente para celebrar o aumento de 100% das vagas ofertadas, que passaram de 113 mil em 2003 para 227 mil para 2009", disse Haddad. O Reuni permitirá expandir em número e qualidade os programas existentes, com a contratação de professores-doutores e com o aumento do número de bolsas de mestrado e doutorado em ritmo superior aos dos últimos anos.

Desde 2003, 12 universidades foram criadas. Outros quatro projetos para criação de instituições de ensino superior tramitam no Congresso Nacional, como a Universidade da África. Segundo o Ministério da Educação, as regiões que vão apresentar maior crescimento no número de vagas no ensino superior são o Nordeste, com 112%, e o Sul, com 107%.

Para garantir o crescimento, Haddad assinou duas portarias que permitem a realização de concurso para contratação de mil docentes e a distribuição de 900 cargos de direção e 2,4 mil funções gratificadas para as instituições. O Ministério do Planejamento autorizou a contratação de 10.992 docentes e 8.239 técnicos administrativos para as universidades.

"Eu já assinei a primeira liberação de concursos, mas a partir de 2009, todas as vagas aprovadas no Congresso Nacional para dar sustentabilidade à reestruturação e expansão das universidades estarão abertas à contratação de técnicos e docentes", afirmou Haddad.

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por exemplo, ganhou 82 cargos para docentes, a Universidade de Brasília (UnB), 84, e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 34. Segundo o Ministério da Educação (MEC), as universidades contam hoje com 48 mil professores.

Para o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), Amaro Lins, a interiorização da rede federal, antes restrita às capitais, garantirá o acesso ao ensino do que chamou de "camadas desfavorecidas". "Dentro do Reuni nós colocamos como estratégia a formação de professores para atender o ensino básico, além da preocupação com os cursos noturnos para os alunos que precisam trabalhar", afirmou.

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, disse que é preciso garantir o orçamento previsto até 2012 para sustentar "a ampliação positiva conseguida nas universidades". Segundo ela, a principal preocupação da entidade "é que o orçamento do Reuni não é garantido pela lei, mas está submetido à capacidade orçamentária do MEC".

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que também esteve presente na cerimônia, disse que o dinheiro não está "sobrando", mas que a educação será prioridade do governo. De acordo com ele, "estamos fazendo um esforço por conta da inflação que aumentou no primeiro semestre. Mas o governo definiu prioridades, e a educação é uma prioridade forte".

Durante discurso, o presidente Lula reafirmou que educação "não é gasto, mas investimento".

Construtoras e governos ampliam e aceleram programas de capacitação


Diante do aumento na demanda por pedreiros, pintores, carpinteiros etc, a Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo (Sert-SP) fez um levantamento em todo o Estado para diagnosticar as necessidades de cada setor. Um dos resultados desse trabalho, finalizado em março deste ano, é a abertura, no mês que vem, de cursos de capacitação para construção civil, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Serão oferecidas cerca de 3 mil vagas em cursos de eletricista, montador de andaime, pedreiro, carpinteiro, armador e encanador, entre outros, das quais 60% já estão preenchidas. Os cursos têm 200 horas em média e estão disponíveis apenas para pessoas desempregadas entre 20 e 60 anos. "Achamos que temos de dar oportunidade primeiro para as pessoas que não estão conseguindo entrar no mercado de trabalho", diz Juan Sanchez, coordenador do Programa Estadual de Qualificação Profissional (PEQ) da Sert-SP.

Na mesma linha, o governo federal está buscando um acordo com o Senai para oferecer 185 mil vagas em cursos na área da construção para pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família. A intenção é conseguir garantia com as empresas de que parte desses profissionais serão contratados, criando uma oportunidade de saída do programa assistencial. O Senai está analisando a proposta e deve se definir até a segunda semana de setembro, segundo a assessoria de imprensa da instituição. O Senai já oferece cerca de 120 mil vagas em todo o país na área da construção em cursos que vão de aprendizes a tecnólogos.

A urgência das empresas, porém, faz com que além dessas inciativas seja necessário investir, elas mesmas, em qualificação. O formato de capacitação no próprio canteiro de obras é o mais comum, processo que otimiza o tempo e garante manter a produtividade do trabalho.

A construtora Rossi detectou este ano a falta de pessoas que soubessem trabalhar com alvenaria estrutural, que é uma técnica de construção com grandes blocos de concreto. A empresa, então, implementou no canteiro de obra do empreendimento Villa Flora, localizado em Sumaré, região de Campinas, o curso de assentamento de blocos. A iniciativa foi chamada de "Escola Bom Pedreiro" e a Rossi já formou três turmas com 10 a 15 alunos. "Esse é um trabalho de planejamento, porque a mão-de-obra vem em abundância, mas sem capacitação", diz Alcides Gonçalves, diretor de engenharia da empresa.

"A carreira da construção civil se faz durante o trabalho, se não tem experiência, entra para trabalho de base", diz Deborah Carceles, gerente de treinamento e desenvolvimento da Camargo Corrêa, empresa que sempre trabalhou com essa forma de treinamento. Ela explica que a figura do encarregado é uma das principais características desse modelo de gestão. "O conhecimento é transmitido, assimilado e aplicado diretamente em prol de resultados do trabalho", diz. Dessa forma ela acredita que o esforço de adequação da mão-de-obra menos experiente tem tido sucesso.

Com o aumento das obras, há um ano a Equipav vem retomando parcerias com redes de capacitação para implementar cursos no próprio canteiro. "Quando as obras são pequenas, esses cursos ficam onerosos, mas eles também são importantes para dar oportunidade para quem está na base crescer", diz Labieno Mendonça, diretor-superintendente empresa.

Desde 2006, o investimento da OAS na sua escola de capacitação, projeto iniciado em 2001, tem crescido 30% ao ano. Segundo Carlos Geraldo Magalhães, diretor de gestão corporativa, as pessoas sem experiência no setor são contratadas como serventes e no decorrer da obra vão se capacitando para assumir outras funções. "Ainda tem muita gente querendo ter emprego com carteira assinada, e isso atrai novos trabalhadores para o setor. Aos poucos eles vão sendo qualificados."

3 de setembro de 2008

Pergunta que me fizeram

“Sem Lacerda, quem vai monitorar as Farc no Brasil?”

Pré-sal vai render R$ 2 trilhões


Após a primeira extração simbólica de petróleo da camada pré-sal no campo de Jubarte (ES), o presidente Lula projetou investimentos de R$ 2 trilhões na economia até 2017. O tamanho real das reservas descobertas, porém, ainda é incerto. Estudos solicitados pelo governo para definir as regras da nova fronteira alertam para a falta de recursos para processar o petróleo.

Mesmo sem saber quanto petróleo há ao todo nas reservas, governo estima investimentos até 2017

Depois de repetir o gesto da auto-suficiência feito em 2006 e molhar as mãos no primeiro petróleo extraído do pré-sal no campo de Jubarte, a 77 quilômetros da costa do Espírito Santo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse duvidar que em 500 anos de história do Brasil "alguém tenha vivido um momento" como aquele. Apesar de o tamanho real das reservas a mais de 4 mil metros de profundidade ainda ser desconhecido, Lula já espera investimentos vultosos na economia brasileira até 2017 com a exploração dos cinco blocos do pré-sal: R$ 2 trilhões.

A magnitude das cifras fez com que a polêmica da discussão sobre os royalties aflorasse novamente. Durante a solenidade numa casa de festas, em Jardim Camburi, na tarde de ontem, a ministra Dilma Rouseff, chefe da Casa Civil, defendeu a aplicação dos recursos na educação e disse que o país precisa recuperar o tempo perdido.

– A riqueza do pré-sal precisa ser aplicada na educação, porque foi através do conhecimento que chegamos a esta descoberta – disse. – Precisamos pensar ainda que para o desenvolvimento do nosso país, além de precisarmos investir em educação, é preciso que o petróleo não seja apenas um produto extraído, mas usado para a produção, para construirmos as nossas plataformas, equipamentos e máquinas usados no processo, gerando emprego e renda para o país. Assim se constrói o desenvolvimento.

Tiro no escuro

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, pegou carona no discurso da ministra e não hesitou em pedir a Lula, com quem conversou durante quase toda a solenidade, uma participação maior dos royalties para os Estados:

– O petróleo saltou de 3% para 10% da participação do PIB do nosso país. Nosso Estado o segundo produtor de petróleo e o primeiro em gás natural, com 20 milhões de metros cúbicos por dia. É claro que a participação e os royalties sejam revistos e aumente as participações para o Estado como para a União.

Mesmo com as indiretas, o presidente desconversou e disse que enfatizou a importância de se estabelecer políticas aliadas em todos os Estados.

– O importante é pensarmos como um todo, no povo. Quando há uma disputa política, quem sai mais prejudicado é o povo. O objetivo é usar os recursos do pré-sal para acabar a pobreza e para pagar a nossa dívida com a educação – retruca Lula, ao se mostrar favorável ao apelo de Dilma Rousseff.

Lula destacou que o volume de óleo de Jubarte não pode ser considerado um tiro no escuro, como anunciado na imprensa nos últimos dias. O presidente deixou claro que a extração em Jubarte, embora seja um experimento para Tupi, na Bacia de Santos – um projeto mais ambicioso estimado de cinco a oito bilhões de barris – representa uma nova era econômica do país.

– A Petrobras tem tecnologia e estudos suficientes que desmentem as informações sobre o volume existente em Jubarte. Nosso petróleo é de boa qualidade e aproveito para deixar um recado: o Brasil não vai ficar limitado a exportar apenas o óleo, mas também produtos com maior valor agregado. Esse momento marca uma nova era do nosso Brasil, uma era de desenvolvimento – diz o presidente que recebeu das mãos de dois funcionários da Petrobras uma mostra dos 18 mil barris retirado da camada pré-sal no Teste de Longa Duração (TLD) na manha do mesmo dia, na plataforma P-34, a 77 quilômetros da costa.

Apesar de a Petrobras encomendar algumas sondas e plataformas no exterior, Lula defendeu que as encomendas sejam feitas no Brasil. Segundo Lula, fazer sondas no exterior geraria economia de US$ 100 milhões, e a opção de construir no Brasil gera tecnologia, emprego, renda e desenvolvimento.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, destacou que o Brasil passa pelo terceiro momento histórico da produção de petróleo.

– Tivemos o primeiro momento com a descoberta do petróleo no país, em 1939, na Bahia, depois quando atingimos a auto-suficiência, em 2006, e agora com a descoberta do pré-sal. Posso afirmar que este o mais significativo – avalia Gabrielli.

Não foi aqui


Levantamento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) descarta o uso de equipamento do órgão para gravação da conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. Com isso, ganha força no governo a hipótese de que o grampo teve origem no sistema de telefonia do Senado e não na Abin. Diretor afastado da agência, Paulo Lacerda, disse a assessores suspeitar de espionagem a serviço do banqueiro Daniel Dantas.


Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastar o direto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, ganhou força ontem entre os órgãos de investigação a hipótese de que o suposto grampo nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tenha sido originado no sistema de telefonia do Senado.


Na avaliação de Lacerda, que não quis dar entrevista mas teve uma longa reunião, ontem, com seus assessores, a única coisa certa é que uma conversa entre Mendes e Demóstenes Torres foi grava. Na reunião com assessores, o diretor afastado disse que o leque de suspeitas é enorme e inclui, além do Senado, agentes da própria Abin, detetives particulares – sobre os quais não há controle – e ainda empresas especializadas em espionagem de alto quilate do banqueiro Daniel Dantas. Uma delas, a Telemont, que controla sistemas telefônicos de vários órgãos públicos, já foi acusada de espionagem.


O ex-diretor da Abin acha que os advogados de defesa de Dantas construíram uma tese segundo a qual a Abin teria feito espionagem ilegal durante a Operação Satiagraha e pretendem usá-la para tentar anular ou, no mínimo atenuar, a situação do banqueiro nos processos que correm na Justiça Federal em, São Paulo . Um grampo no telefone do presidente do STF, segundo o delegado, seria um argumento jurídico contundente para prejudicar as acusações contra o banqueiro. Lacerda também afasta também afasta a hipótese do delegado Protógenes Queiroz ter se utilizado de escuta ilegal na Satiagraha.


Sugerida inicialmente por uma declaração do general Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, a suspeita de o grampo partir do Senado foi reforçada pelo resultado de um levantamento preliminar feIto ontem na própria Abin, onde praticamente foi descartado o uso de equipamentos do órgão - que são auditáveis - e considerada remota a possibilidade de envolvimento de um servidor da ativa.

Recomendação

O delegado Paulo Lacerda recomendou a seus assessores um pente fino nos quadros de pessoal e nos equipamentos para auxiliar a investigação da Polícia Federal. Ele não acredita no envolvimento de servidores e diz que os equipamentos em poder da Abin, idênticos aos do Exército, são sistemas anti-grampo, que não servem para monitorar. Uma irregularidade dessa natureza, na avaliação da Abin, seria facilmente detectável por varredura ou pelos controles internos dos funcionários.

O caminho mais viável, segundo sugeriu Lacerda, é a Polícia Federal requisitar formalmente à revista Ve;ja os documentos ori­ginais que amparam a reportagem, o que poderia, através de uma pe­rícia especializada apontar indícios sobre a origem da escuta. O de­legado disse a assessores que o nome do suposto servidor que teria en­tregue os documentos à reporta­gem poderia ser mantido no ano­nimato ou, mediante acordo com o Ministério Público Federal, ser in­cluído num programa de proteção a testemunhas.



Risco de vida



Lacerda acha que em decor­rência da repercussão do caso, o informante de Ve;ja corre risco de vida - e poderia fazer um acordo que lhe garanta a integridade física e o anonimato, mas que ajude a es­clarecer o suposto esquema ilegal de espionagem. O delegado sustenta que não há hipótese de envolvimento institucional da PF ou da Abin.

- Torço para que a Polícia Fe­deral possa desvendar o caso e dê condições para mostrar esse erro lamentável, baseado numa suposta testemunha. Posso não conhecer as pessoas da Abin, mas sei o que fiz e o que não fiz - comentou Lacerda a um assessor.

Na sua opinião, seria uma "idiotice" um servidor da ativa usar a estrutura interna para grampear e, se o fizesse, segundo suas próprias palavras "teria que ser internado" por loucura.

Enquanto durarem as investigações da Polícia Federal – que serão comandadas pelos delegados William Marcel Mondad e Rômulo Barredo - Lacerda e os outros diretores afastados ficarão lotados no GSI. Ele acha que o presidente Lula, pressionado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim - a voz que mais pesou na decisão de afastarnento - deu uma resposta política ao caso. O delegado aguardará os próximos 60 dias -e depois tomará uma decisão sobre seu futuro. Diz que não tem apego ao cargo, mas quer o esclarecimento definitivo do caso.

O presidente Lula disse ontem que afastou Lacerda para dar transparência às investigações. Na CPI do Grampo, o general Jorge Félix defendeu o delegado, garantiu que a Abin não se envolve em espionagem e afirmou que todas as hipóteses - inclusive a que aponta para o envolvimento de um servidor da Abin - devem ser consideradas na investigação. O presidente do Congresso, Garibaldi Alves (PMDB-RN) mandou abrir uma sindicância interna.

Petrobras é uma "mãe" para a indústria, diz Lula


No evento que marcou a extração do primeiro petróleo da camada pré-sal, realizado ontem no Espírito Santo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou a Petrobras como a "mãe" da indústria do País, que para ele deve ser usada para desenvolver a economia brasileira. Reforçando o papel da companhia no desenvolvimento das novas e imensas reservas de petróleo, Lula disse que, apesar de a empresa ter ações negociadas na bolsa de Nova York, é preciso pensar na contribuição que a estatal pode dar para o desenvolvimento da indústria.

Em meio a especulações da criação de uma nova estatal para cuidar do pré-sal, o presidente criticou os que dizem que a Petrobras "vai ser abandonada", o que, segundo ele, é uma preocupação também do presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli. "É como se eu dissesse que minha mãe não presta, que eu quero outra, porque a Petrobras é uma mãe para a indústria do País", disse o presidente, de improviso, durante cerimônia que marcou a extração do primeiro petróleo da camada pré-sal no campo de Jubarte, na bacia de Campos, em frente ao Estado do Espírito Santo.

Mais cedo, o presidente participou, a bordo do navio-plataforma JK (P-34), do início da extração em Jubarte. Ele acompanhou o processo e sujou as mãos com o petróleo extraído, carimbando em seguida os macacões das autoridades presentes. No momento de carimbar a roupa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), colocou as mãos nas costas da presidenciável para 2010. O evento foi cercado de cunho político, com a presença de parlamentares e do governador Paulo Hartung, do Espírito Santo.

Lula citou os investimentos bilionários da Petrobras nos próximos anos, para ilustrar a importância da estatal na economia, dizendo que a empresa vai precisar de 200 plataformas nos próximos anos, 38 sondas e mais uma série de bens e serviços para desenvolver os seus campos. O presidente disse ainda que, frente ao papel desenvolvimentista da Petrobras para o País, não adianta a estatal economizar US$ 100 milhões contratando estaleiros de Cingapura, simplesmente "porque é uma decisão empresarial, porque ela tem ações na bolsa de Nova York", em vez de fomentar a indústria naval nacional.

O presidente voltou a afirmar que os recursos do pré-sal vão ser usados para acabar com a pobreza do Brasil e para pagar a dívida com a educação pública.
Presente na cerimônia, o presidente da Petrobras fez questão de frisar que, apesar de a empresa ser a principal responsável pela descoberta do pré-sal, essa riqueza deve ser usada para o crescimento do País, deixando claro que está afinado com o discurso de Lula. Segundo Gabrielli, a exploração no campo do Jubarte será muito útil para as futura produções em todas as áreas do pré-sal.

O campo de Jubarte teve descobertas em águas rasas e perto da costa, com uma espessura muito menor - de apenas 200 metros de sal, contra os mais de 2 quilômetros de Santos, onde está Tupi, cuja descoberta foi anunciada em 8 de novembro de 2007. Os Testes de Longa Duração em Jubarte, que começou ontem a produzir cerca de 18 mil barris diários de petróleo de alta qualidade (30 graus API), serão fundamentais para a obtenção de dados para a exploração da reserva de Santos. "É uma escola que vai nos ensinar ainda mais, o que iremos fazer com Tupi, Júpiter, Carioca e todos os blocos que temos na bacia de Santos", disse Gabrielli. "Por ter sido produzido na plataforma JK (P-34), mostra que a produção vai se fazer com a combinação do crescimento do País como um todo", acrescentou.

A estatal ainda não sabe o tamanho da reserva do pré-sal de Jubarte, que já produz 35 mil barris de petróleo por dia na camada pós-sal. Com o pré-sal, o Brasil poderá se tornar uma potência mundial do petróleo se forem confirmadas as estimativas para toda a área, uma faixa em águas ultraprofundas que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina na costa brasileira.

Ainda sem avaliação definitiva, a expectativa é de que a imensa área, que pode estar interligada, contenha bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural).Somente em Tupi, único dos sete campos perfurados na bacia de Santos que possui estimativa, o volume das reservas seria entre 5 e 8 bilhões de barris de boe, cerca de metade das atuais reservas provadas exploradas pela Petrobras
 

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