28 de janeiro de 2009

BNDES lançará 'Fundos Brasil'


O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e o presidente do Banco Itaú Unibanco, Roberto Setubal, contestaram ontem prognostico de crescimento de apenas 0,8% da economia brasileira este ano, publicada pelo Institute of International Finance (IIF), que representa os maiores bancos do mundo. O prognóstico dos bancos internacionais foi o mais pessimista até agora feito sobre o desempenho da economia brasileira para 2009. Os menos favoráveis no Brasil apostam em crescimento de 1,5%.

Mas Setubal, que é vice-presidente do IIF, disse que o calculo foi feito antes da injeção de R$ 100 bilhões de recursos suplementares fornecidos pelo Tesouro ao BNDES. Segundo ele, o impacto desses investimentos pode subir pelo menos 1 ponto no PIB e o Brasil "muito possivelmente, em função desse pacote, pode ter expansão próxima de 2%''.

Coutinho prometeu aos banqueiros, ontem em Zurique, que eles vão ter uma "bela surpresa, porque o Brasil vai crescer entre 2% e 3%". Ele enfatizou "a munição e disposição" do BNDES de apoiar todo o processo de investimento em curso e novas decisões de investimentos que venham a ser tomadas pelo setor privado ou pela oferta de novas infra-estruturas em concessões. Ele revelou que pelo menos 80% dos R$ 100 bilhões vão financiar investimentos, e o restante será só transitoriamente destinado a linhas de capital giro. Mas sua expectativa é de que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil reduzam seus spreads e ampliem as linhas de giro, desonerando o papel do BNDES nesse tipo de operação. Também deixou claro que qualquer empresa que se dispunha a investir num quadro macroeconômico de incerteza precisa receber apoio. "A decisão de investimentos é algo precioso no momento de grandes incertezas e não há intenção de priorizar A, B ou C."

Salientou que o BNDES já tem, entre operações contratadas, aprovadas e enquadradas, algo equivalente a R$ 90 bilhões de desembolso em 2009. O banco dispunha de R$ 67 bilhões de recursos, e agora com mais RS$ 100 bilhões terá liquidez "mais que suficiente'' para atravessar todo o ano de 2009 e metade de 2010.

Coutinho destacou que a queda da venda de automóveis está sendo revertida em janeiro, numa recuperação relevante. E que a construção residencial foi menos afetada do que se imagina, com amplo efeito sobre o emprego. "Estou muito otimista sobre o Brasil, ponto final'', disse William Rhodes, diretor do combalido Citibank. Valor Econômico

Governo sentirá falta da CPMF em 2009


O ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Raul Velloso, acredita que dificilmente o Brasil repetirá em 2009 o resultado robusto obtido no ano passado na arrecadação. Ele considera que, com a piora no quadro econômico, a tendência é de arrefecimento da receita tributária no ano Para Velloso, ao contrário do cenário de 2008, este ano a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) fará falta ao governo na arrecadação tributária.

Queda na arrecadação

"O que é de se esperar é que a arrecadação cresça menos este ano, até menos que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Se o PIB crescer 2% este ano, a arrecadação crescerá menos que 2% sobre o ano passado", analisou o especialista em contas públicas. Isso porque a arrecadação tributária tem correlação com o desempenho da economia. Ou seja, é um termômetro do crescimento econômico que este ano deve ser fraco em 2009, em decorrência dos impactos da crise financeira mundial.

Velloso afirma que o mercado interno já começa a refletir os efeitos da desaceleração externa. Segundo ele, a queda da arrecadação em dezembro já demonstra que a economia "desabou". O Fisco apurou queda real de 4,71% na arrecadação de dezembro de 2008, para R$ 66,29 bilhões, na comparação com dezembro de 2007. "Isso justifica a queda da produção em novembro", disse ao lembrar da queda de 5,2% da produção industrial em novembro sobre outubro, apurada pelo IBGE.

Indústria automotiva

Segundo as estimativas do especialista, a tendência é de que até outubro o País registre queda na arrecadação mensal na comparação com o mesmo mês de 2008, refletindo o arrefecimento da economia. "Até outubro os resultados serão ruins se a economia não se recuperar". Ele explica que os setores que puxaram para cima a arrecadação no ano passado, como veículos, devem contribuir pouco este ano. "Com a queda do crédito e a desaceleração da indústria automotiva é difícil que a arrecadação cresça acima da média da economia". Além disso, lembra Velloso, a contribuição do mercado de capitais, que também foi positiva no ano passado, deve ficar "ausente" nos dados deste ano.

Falta da CPMF

Velloso disse que a CPMF fará falta ao governo este ano. "Só que não há clima para a CPMF voltar, porque há resistência da sociedade em aumento de impostos; e como estamos no fim do mandato (Lula) o governo terá menos fôlego para isso", disse. O Ministério da Fazenda vem tentando ressuscitar o chamado imposto do cheque.

21 de janeiro de 2009

Brasil deixa árabe boquiaberto com álcool eficiente


É consenso mundial que as energias renováveis são o destino obrigatório do setor energético. "Enquanto todos ainda estão discutindo o futuro de suas matrizes energéticas para transformá-las em mais limpas, o Brasil segue tranquilo com mais de 60% da sua matriz oriunda de fontes renováveis", afirma Carlos Cavalcanti, diretor de energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e que está representando a entidade no maior evento de energia do mundo, o World Future Energy Summit, realizado em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes. "Desta forma, o Brasil está antecipando a energia do futuro", afirma o executivo.

Os Emirados Árabes, por exemplo, têm a meta de chegar em 2020 com 7% da sua matriz renovável, segundo informou ontem o Sultan Al Jaber, presidente da estatal Abu Dhabi Future Energy Company. Além da intenção de ampliar a participação das fontes limpas em sua matriz, que hoje é baseada em térmicas movidas a óleo (o país tem abundância de petróleo), os Emirados Árabes querem ser exportadores de tecnologias limpas para geração de energia, por isso está sediando este evento pelo segundo ano consecutivo. "O Brasil está muitos passos a frente dos outros países", comenta Cavalcanti. O diretor da Federação também critica as previsões de muito longo prazo para a concretização de projetos de geração de energia limpa no mundo. "É muito bonito dizer que daqui 30 anos nós teremos carros elétricos, energia eólica barata e fontes solares eficientes, mas é preciso agora, fazer algo imediato, o Brasil é um exemplo de que é possível", argumenta.

Em meio aos turbante e burcas (roupa usada pelas muçulmanas), além do diretor da Fiesp, o evento teve a participação de outros 15 brasileiros, entre eles Eduardo Leão, diretor-executivo da União Brasileira dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Unica), que fez uma apresentação no painel de biocombustíveis. Com dados já conhecidos pelos brasileiros, como a redução da emissão de carbono na atmosfera por conta da ampliação do uso do álcool depois da tremenda expansão da frota de carros flex fuel, Leão deixou a platéia boquiaberta. "Para ilustrar os benefícios ambientais do etanol de cana-de-açúcar em relação à gasolina, de março de 2003, quando foram lançados os carros flex-fuel no Brasil, até o final do ano passado, a frota de veículos flex deixou de emitir mais de 43 milhões de toneladas de CO2", disse o diretor para iniciar a sua palestra. Depois de discorrer sobre outras informações, como por exemplo a de que as usinas sucroalcooleiras no Brasil produzem açúcar, álcool e eletricidade, um árabe surpreso, sentado na primeira fileira, levanta a mão e pergunta: "Senhor, mas quanto custa o litro do álcool no Brasil? Com a queda no preço do barril, com certeza vale mais a pena usar gasolina".

Carlos Cavalcanti usa o fato para exemplificar, mais uma vez, a antecipação do Brasil em relação às fontes energéticas. "A tecnologia brasileira para produzir etanol é fantástica, não há país no mundo com as condições que nós temos, afinal, podemos produzir álcool e eletricidade a partir da cana sem prejudicar a nossa produção de alimentos", diz. E não para por aí. Segundo estudo feito pelo departamento de energia da Fiesp e apresentado durante a feira World Future Energy Summit, o Brasil é capaz de produzir muito mais. "Pegamos os 25 países que mais consomem gasolina e fizemos a conta de quando o Brasil tem que plantar a mais de cana para adicionar 10% de etanol na fórmula do combustível fóssil demandado por estas nações", detalha. O documento mostra que mesmo com a expansão da plantação, o volume ainda é inócuo já que o Brasil detém dimensões continentais. "Seriam 15 milhões de hectares a mais de plantação e, ressalta, o bagaço ainda pode virar energia", diz. Agência Brasil

Brasil é o quarto maior produtor de celulose


O ano passado foi de bons resultados para o setor de celulose no Brasil. O País passou da sexta posição no ranking dos maiores fabricantes mundiais para a quarta colocação, ultrapassando a Finlândia e a Suécia, atrás apenas dos Estados Unidos, do Canadá e da China.

A produção brasileira de celulose em 2008 alcançou 12,850 milhões de toneladas, alta de 7% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Segundo a entidade, a expectativa é manter a quarta posição no mercado mundial e atingir produção de 13 milhões de toneladas este ano. Outra meta da associação é ultrapassar a China, alcançando o terceiro lugar, até 2015.

As exportações do setor de papel e celulose fecharam 2008 com alta de 23,5%, para US$ 5,8 bilhões, de acordo com dados da Bracelpa. Entre os principais destinos de celulose estão a Europa, que comprou US$ 2,02 bilhões em 2008, a América do Norte, que comprou US$ 791,1 milhões, e a China, que comprou US$ 690 milhões.

Segundo levantamento feito pela Bracelpa, a divisão entre os destinos dá independência para o setor em relação aos compradores internacionais. Mas, mesmo assim, os produtores brasileiros ainda enfrentam a queda da demanda global, o aumento dos estoques mundiais e os preços, que despencaram 19,5% de setembro a dezembro.

Diante desse cenário de crise internacional, o Brasil pode sair fortalecido por conta dos custos de produção, bem mais baixos que os praticados no hemisfério Norte, por exemplo. João Camério, diretor-executivo da Unidade de Negócios Florestais da Suzano Papel e Celulose, informou em evento no final do ano passado que enquanto no Brasil o custo de produção de uma tonelada de celulose é de US$ 381 a tonelada, nos Estados Unidos supera US$ 530 e, na Finlândia, ultrapassa US$ 700.

As importações do setor de papel e celulose saltaram 29,8%, para US$ 1,71 bilhões, no ano passado.

16 de janeiro de 2009

Lula quer mapa de demissões


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que faça um levantamento, até o fim da semana, sobre as demissões nas 100 principais empresas do país. Com o mapa em mãos, Lula discutirá medidas a fim de ajudar o grupo mais afetado pela crise e estimular a produção no setores que fecharam mais de postos de trabalho. “Temos um primeiro trimestre difícil. A crise bateu na economia real. É necessário um esforço maior para enfrentar o desemprego”, disse um ministro próximo do presidente Lula.

Integrantes da equipe econômica já estudam uma série de “medidas pontuais”. Uma das prioridades é desonerar novos investimentos. Essas iniciativas isoladas continuarão a ser adotadas, mas o governo entende que a principal ferramenta para combater o desemprego são os investimentos. Por isso, pretende discutir ações em duas frentes: uma delas é interna e prevê a realização de uma nova reunião ministerial, que será realizada até o início de fevereiro, e discutirá crise, os dois anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a execução orçamentária. Como fez no fim de 2008, Lula instará os auxiliares a acelerarem os investimentos em obras e programas sociais.

A outra frente é externa. Trata-se dos anúncios de novos projetos, destinados a aguçar o apetite dos empresários. No primeiro bimestre, por exemplo, o Programa Nacional de Habitação, orçado em cerca de R$ 200 bilhões, será divulgado. “A construção civil é um setor fortemente empregador”, afirma o ministro.

Boas novas


As notícias no front inflacionário seguem extremamente positivas. O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de janeiro teve queda de 0,85%, principalmente devido ao tombo dos preços no atacado, tanto dos produtos agropecuários quanto dos industriais. Foi o maior recuo do indicador desde 1993, quando o levantamento começou a ser feito. Em dezembro, o IGP-10 tinha ficado praticamente estável, com alta de 0,03%. Com o resultado de janeiro, a alta do IGP-10 em 12 meses ficou em 8,23%, um tombo expressivo em relação aos 10,27% registrados em fevereiro nessa base de comparação.

Com peso de 60% no IGP-10, o Índice de Preços no Atacado (IPA) aprofundou a deflação que já havia sido observada no mês anterior, passando de um recuo de 0,22% para uma baixa de 1,5%. Segundo o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, "grande destaque deve ser dado à deflação dos preços industriais no atacado", de 1,47%, "a variação mais negativa desde que o regime de metas de inflação foi instituído em 99".

14 de janeiro de 2009

A notícia que a Folha esqueceu de dar


Merece registro que, para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre onze países de economia industrial avançada, o Brasil é o único que ainda está no estágio de "desaquecimento" da atividade econômica, enquanto os demais estão em "forte desaceleração". Alguns fatos da economia brasileira são reveladores dessa expectativa favorável. Por exemplo, o modo pelo qual o investidor externo observa a economia brasileira pode ser aferido pela decisão da empresa britânica BG, uma das principais sócios da Petrobras no pré-sal, que investirá US$ 4 bilhões apenas na área de Tupi, nos próximos três anos. Não é diferente em relação ao mercado interno, como demonstra o fato de que o maior varejista de móveis e eletroeletrônicos do País projeta para este ano vendas iguais às de 2008. Até mesmo a projeção de que o café terá excelente potencial de valorização entre as commodities sustenta uma expectativa favorável para este ano.

BG vai investir US$ 4 bilhões no pré-sal


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou ontem, após reunião com executivos da BG (empresa de gás britânica sócia da Petrobras na exploração do campo de Tupi na camada pré-sal), que a companhia internacional irá investir mais US$ 4 bilhões na exploração do poço de Tupi, localizado na bacia de Santos. Segundo o ministro, esse dinheiro deve ser aportado rapidamente na nova fronteira petrolífera. "Eles estão com dinheiro disponível para investir no Brasil. A BG já opera no setor de gasodutos e pretendem investir (os US$ 4 bilhões) com extrema rapidez", disse Lobão.

De acordo com o ministro, os executivos da BG disseram que desejam futuramente fazer mais investimentos no País. "Eles confiam no Brasil e desejam fazer investimentos no setor energético e ampliar os seus negócios cada vez mais em nosso País. A companhia já tem uma parceria com a Petrobras em vários blocos do pré-sal", afirmou.

Lobão disse também que os executivos da empresa britânica apostam no potencial do Brasil. "Eles cumprirão a parte deles rigorosamente e a tempo porque acreditam no pré-sal e nas potencialidades brasileiras e desejam a curto, médio e longo prazo ampliar os investimentos no Brasil", disse Lobão. O ministro confirmou que tem sido constantemente procurado por investidores estrangeiros. "Tenho sido procurado com freqüência por diversos investidores estrangeiros e que, como a BG, estão prontos para investir aqui", disse.

Lobão também confirmou que ainda este mês a comissão interministerial, criada para discutir o marco regulatório do petróleo, deve se reunir para decidir qual será a forma de exploração das reservas do pré-sal. "Nós vamos resolver isso este mês e levaremos ao presidente (Lula) esse mês ainda", reiterou Lobão. Depois que a comissão escolher o modelo de exploração do pré-sal, Lobão irá entregar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele dê a palavra final sobre o assunto.

Crise internacional

Edison Lobão espera que a crise econômica internacional se resolva ainda esse ano e com isso os preços do petróleo também subam. "Estou convencido que a crise econômica se resolve ainda este ano e a crise do petróleo também se resolverá com rapidez", comentou. Lobão também deu a solução para que a crise do petróleo se resolva. Segundo ele, isso só depende da vontade dos produtores.

Para o ministro, se a produção do petróleo for reduzida, haverá redução do consumo e assim os preços irão aumentar. Lobão disse que é inconcebível o preço do produto estar tão baixo. "Só pode reduzir a produção com a redução do consumo e se não há redução do consumo, não deve haver redução substancial da produção", disse o especialista.

O ministro também afirmou que o Brasil não tem pressa para entrar na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Nós temos sido convidados com certa frequência, mas nós não temos pressa. Primeiro nós temos que nos transformar em exportadores líquidos (aqueles que exportam mais que importam) e só após isso nós devemos ingressar na Opep", disse Lobão.

Microempresa não vai demitir, diz Pimentel


O ministro da Previdência Social, José Pimentel, acredita que a onda de demissões por conta da crise financeira mundial não deve atingir o setor que mais emprega no país: as micro e pequenas empresas que são registradas no Simples e que respondem por 59% da mão-de-obra com carteira assinada.

"As dificuldades estão nas filiais de multinacionais instaladas no país, como as montadoras, que são obrigadas a mandar lucros para suas matrizes no exterior e cortar custos por causa da crise", disse ontem Pimentel.

Apesar de o Palácio do Planalto estar preocupado com a perspectiva de aumento desse processo de demissões devido à desaceleração que se observa na economia, Pimentel afirmou que não há sinais de que os pequenos empresários também entraram no processo de dispensas de pessoal, a exemplo das montadoras e de empresas do setor exportador.

"Não há demissões no sistema do Simples, muito pelo contrário", afirmou o ministro. "São mais de 3 milhões de empresas com produção voltada para o mercado nacional e não temos notícias de arrefecimento forte da demanda interna", prosseguiu Pimentel.

O ministro informou ainda que a Previdência Social deve incorporar mais 1,7 milhão de aposentados em 2009. A estimativa tem por base o número de requerimentos apresentados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2008, que foi perto desse montante.

Pimentel elogiou o novo sistema de concessão automática de aposentadorias em até 30 minutos, só com a apresentação da carteira de Trabalho, que se encontra em vigor desde o último dia 2. Segundo ele, cerca de 13,4 mil agendamentos telefônicos foram feitos apenas na primeira semana do mês. Valor

13 de janeiro de 2009

Governo anunciará "medidas importantes" em janeiro, diz Lula


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em seu primeiro discurso público em 2009, que o governo prepara, para o mês de janeiro, "medidas importantes" para minimizar os impactos da crise econômica no Brasil. Sem detalhar quais as ações a serem tomadas, o presidente salientou que as medidas anticrise serão intensificadas nos primeiros três meses deste ano, pois "se não tomarmos a iniciativa nesse primeiro trimestre, a crise chega mais forte do que deveria".

A manutenção dos investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foram reiterada pelo presidente, que incumbiu a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, de encontrar novas opções de obras necessárias para ampliar ainda mais os investimentos do plano. "Não vai faltar dinheiro para investir, porque agora é hora do Estado provar que o mercado é importante, mas um Estado forte é mais importante para o Brasil", disse Lula.

Ele salientou que o governo rejeita o discurso da contenção de gastos, ponderando que "o que for possível cortar em custeio, vamos cortar, mas o que pudermos gastar para gerar emprego na construção civil, habitação, rodovias, nós vamos fazer".

Lula brincou que, por ser corintiano, brasileiro e presidente da República, tem a obrigação de ser otimista, e refutou as previsões de analistas consultados pelo relatório Focus, produzido pelo Banco Central e divulgado ontem, que rebaixaram de 2,4% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2009. "Eles vão errar, tenham certeza que eles vão errar", disse o presidente, reiterando a expectativa de crescimento de 4% para o País.

Carro usado

Durante a abertura da 36 Couromoda - Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro, realizada em São Paulo, o presidente destacou que a aquisição de metade do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil vai fortalecer o financiamento de carros usados, e por consequência, o mercado de carros novos também. "Não só compramos a Nossa Caixa, como compramos 50% do Banco Votorantim, porque o Banco do Brasil não tem expertise em financiar carro, muito menos o carro usado, e esse é um setor que se não funcionar, a gente não vê as pessoas comprarem um carro novo, mesmo com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). É preciso que alguém venda um carro para comprar um novo", argumentou.

Especulação pura

Lula frisou a responsabilidade dos países desenvolvidos na solução da crise, e acrescentou que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, tem um "pepino muito grande" nas mãos, e não pode demorar para resolver. "Se ele demorar, com a crise do desemprego, corremos o risco de ter convulsão social", disse. O presidente brasileiro voltou a defender uma maior regulação do sistema financeiro internacional, e atacou os altos ganhos obtidos com a especulação. "Qual a explicação para o preço do petróleo ter chegado a US$ 150 o barril, e agora estar a US$ 47? E qual a explicação para a subida das commodities no ano passado? É a pura especulação" avaliou Lula.

Volta a época de ouro do café com demanda alta


Os indicadores econômicos positivos de oferta e consumo devem fazer de 2009 o melhor ano da história para os produtores de café. Países produtores da commodity como Brasil, Colômbia, Vietnã e Equador podem presenciar o maior crescimento em renda já registrado. Mesmo com o dólar mais valorizado, a expectativa de alguns produtores e consultorias é que as cotações fiquem acima de US$ 1,40 a libra-peso (0,45 quilos) na Bolsa de Nova York (Nybot) em algumas ocasiões. O valor previsto equivale aos mesmos patamares registrados em fevereiro de 2008, quando o excesso de especulação no mercado levou alguns contratos a US$ 1,69 a libra-peso.

Passado o primeiro choque provocado pela crise econômica mundial deflagrada nos Estados Unidos, a expectativa dos analistas é que a safra reduzida, o consumo crescente e os estoques mundiais ganhem espaço e valorizem as cotações da commodity no mercado internacional. Avaliações de algumas consultorias vão um pouco mais além e projetam para o café o maior potencial de valorização entre todas as commodities agrícolas. No entanto, alertam que uma nova crise de confiança causada pela quebra de outro banco ou mesmo o agravamento da recessão mundial podem anular essa tendência.

A simulação é baseada no recuo do petróleo, que diminuirá os gastos das famílias com combustíveis e aumentará o poder de compra, explica Sterling Smith, vice-presidente da FuturesOne, de Chicago. O gráfico mostra que os contratos futuros de café deverão subir 25%, para US$ 1,463 a libra-peso, na Nybot até o fim do ano, enquanto o preço do petróleo cairá 43%, para US$ 23,35 o barril. Os contratos de café fecharam na última sexta-feira em US$ 1,169 a libra-peso na Nybot e o petróleo foi negociado a US$ 40,83 o barril na Bolsa Mercantil de Nova York.

O petróleo, cuja cotação quadruplicou em quatro anos, para o recorde de US$ 147,27 o barril, alcançado em 11 de julho do ano passado, foi um dos agravantes da crise financeira mundial. "Os consumidores aumentaram seus gastos com gasolina e deixaram de consumir alguns tipos de alimentos e outros produtos", disse Smith. O café caiu 18% no ano passado, quando o Índice Reuters/Jefferies CRB de 19 commodities registrou sua maior retração anual de mais de cinco décadas.

"A alta dos preços dos combustíveis gerou um efeito-dominó de destruição da demanda que se infiltrou por toda a economia", disse Smith. "A queda desses mesmos preços terá um resultado reparador muito mais rápido do que o resultado destrutivo de sua elevação. Sou da opinião de que, quanto maior esforço fizermos para manter baixos os preços dos combustíveis, mais cedo a recuperação ocorrerá", completa o vice-presidente da FuturesOne.

Sérgio Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, em Santos, observa que a previsão de alta é coerente, mas evita falar em números. "Em um mercado onde presenciamos essa forte volatilidade é complicado citar números", explica. Ele acrescenta que se os fundamentos forem realmente levados em consideração e não houver nenhum tipo de distorção causada pelo mercado financeiro é possível que os patamares de preços fiquem acima dos atuais. "Os estoques estão baixos e a relação estoque consumo está bem apertada". A Organização Internacional do Café (OIC) estima que o consumo mundial seria de 128 milhões de sacas em 2008 e a produção mundial atingiria 130 milhões de sacas para o ano safra 2008/09.

Carvalhaes lembra que o investimento para ampliação de lavouras é muito alto e o retorno financeiro demora entre quatro e cinco anos para ser recuperado. "Só haverá uma corrida ao plantio se os preços atingirem um nível muito alto". A produção do Brasil, o maior produtor e exportador mundial do grão, deverá cair até 20%, em um momento em que a crise mundial do crédito dificultou a compra de fertilizantes por parte dos produtores.

Isabela Becker, diretora da Fazenda Daterra, uma das maiores produtoras e exportadoras de cafés especiais do Brasil, acredita que os preços da commodity devem oscilar entre US$ 1,07 e US$ 1,72 a libra-peso na Nybot. Ela conta que os preços do café já estavam em níveis satisfatórios desde o início de 2008. "O maior problema está nos altos custos com insumos. Mesmo com o recuo do petróleo, não houve queda nos preços". Segundo disse, são muitas variáveis que podem ser consideradas para a valorização do grão. A que possui maior importância, explica, é a redução da produção nacional. "Os estoques mundiais são o principal fator de precificação. Antes do petróleo, há o fator básico de oferta e demanda. No ano em que o Brasil reduz sua produção mundial, automaticamente os preços sobem lá fora", completa a executiva.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de café no Brasil irá recuar para algo entre 36,9 milhões e 38,8 milhões de toneladas, recuo que varia entre 15% e 20% em relação à safra anterior, que já erra considerada pequena pelo mercado. Gazeta Mercantil

Itaipu bate recorde em royalties


A geração recorde de energia pela Itaipu Binacional, em 2008, permitiu à usina fazer a maior distribuição de royalties de sua história. No ano passado, a hidrelétrica pagou aos governos brasileiro e paraguaio o total de US$ 437,8 milhões, valor dividido igualmente entre os dois países - cada um dos sócios no empreendimento recebeu US$ 218,9 milhões.

Brasil e Paraguai são recompensados financeiramente pela utilização do potencial hidráulico do rio Paraná para a geração de energia elétrica desde maio de 1985, quando Itaipu começou a comercializar sua produção. Em royalties, os dois países já receberam da hidrelétrica, juntos, US$ 6,5 bilhões. Em relação a 2007 - quando Itaipu desembolsou US$ 413 milhões, o valor de royalties distribuídos aumentou 5,5% no ano passado.

O diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, Jorge Samek, observa que o pagamento de royalties representa uma importante contribuição para o desenvolvimento do Brasil e, sobretudo, do Paraguai, que tem nestes recursos uma de suas principais fontes de receita. "Itaipu gera dividendos para os dois países antes mesmo de ter sido inteiramente paga. Os recursos provenientes dos royalties impactam diretamente a qualidade de vida de brasileiros e paraguaios", afirma.

No Paraguai, os recursos dos royalties são repassados integralmente ao Tesouro Nacional. No Brasil, de acordo com a Lei dos Royalties, a distribuição da compensação financeira é feita da seguinte forma: 45% aos Estados, 45% aos municípios e 10% para órgãos federais (Ministério do Meio Ambiente, o Ministério de Minas e Energia e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Da parcela reservada a Estados e municípios, 85% do valor repassado é pago a unidades federativas diretamente afetadas pelo reservatório da usina. Os 15% restantes são distribuídos entre Estados e municípios afetados por reservatórios a montante da usina, que contribuem para o incremento de energia nela produzida. O estado do Paraná é o maior beneficiário. Em 2008, recebeu US$ 83 milhões.

A legislação beneficia principalmente 15 municípios paranaenses atingidos pelo alagamento de terras para a formação do reservatório, além de Mundo Novo (MS). O repasse de royalties é proporcional à extensão de áreas submersas pelo lago. Em 2008, os maiores pagamentos foram feitos a Santa Helena (US$ 21 milhões), Foz do Iguaçu (US$ 16 milhões) e Itaipulândia (US$ 14 milhões).

No Paraná, os municípios que têm direito aos royalties são: Santa Helena, Foz do Iguaçu, Itaipulândia, Diamante D’Oeste, Entre Rios do Oeste, Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Medianeira, Mercedes, Missal, Pato Bragado, São José das Palmeiras, São Miguel do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Terra Roxa.

O Brasil começa a entrar na rota dos turistas da saúde


O turismo médico é uma realidade cada vez mais presente nos países emergentes, principalmente na Índia, Tailândia e Cingapura, locais que receberam cerca de um milhão de pessoas em busca de tratamentos médicos em 2007, segundo dados da Câmara Britânica de Comércio.

Esse segmento cresce impulsionado por alguns fatores: em países com sistema público de saúde, a demora na realização de procedimentos faz com que pacientes com mais poder aquisitivo procurem alternativas para receber tratamento. Nos países em que o sistema de saúde é predominantemente privado, seguradoras, operadoras e pacientes que não possuem assistência médica recorrem ao turismo de saúde como uma alternativa para baratear os custos do tratamento.

Para ser um destino de viagens médicas, o país deve atender a alguns pré-requisitos, tais como: fluência em línguas estrangeiras por parte dos profissionais envolvidos no processo; qualificação internacional do corpo clínico; certificação internacional do serviço de saúde; facilidade de pagamento, comunicação, atualização tecnológica de equipamentos, materiais, medicamentos e instalações no nível que os viajantes têm em seus países; chegada ao destino dos procedimentos, conforto para o paciente e sua família durante a estada e recuperação.

Os países que são destinos turísticos de saúde também têm criado incentivos tanto para facilitar a vinda dos pacientes como para os hospitais melhorarem seu padrão de atendimento. A Índia, por exemplo, permite a importação de equipamentos médicos de última geração sem barreiras burocráticas e criou um visto especial com permanência de um ano para os turistas-pacientes.

No Brasil, o turismo de saúde ainda é um segmento incipiente. Segundo dados do Ministério do Turismo, nos últimos três anos, 180 mil pacientes vieram realizar tratamentos médicos no País.

É um número modesto para um destino que possui belas paisagens naturais e é referência em diversos segmentos da medicina, como cardiologia e medicina estética.

Contudo, essa movimentação global em busca de saúde não tem passado despercebida pelas instituições ligadas ao segmento. Já existem no Brasil algumas agências de turismo especializadas em saúde, muitas trabalhando, inclusive, em parceria com os principais hospitais do País, que também estão se organizando no sentido de trazer mais pacientes do exterior para cá.

Os números justificam essa mudança: segundo dados de 2003 do Ministério do Turismo, o turista de saúde é quem, em média, fica mais tempo no País (22 dias) e mais gasta (US$ 120 por dia).

Dentro desse panorama, a aprovação pelo Centers Of Medicare and Medicaid (CMS) da certificação hospitalar National Integrated Accreditation For Healthcare Organizations (NIAHO), que recentemente chegou ao Brasil, oferece aos hospitais uma oportunidade única para terem acesso ao sistema de saúde norte-americano.

Com a alteração na Lei Pública Norte Americana n 110-275 em Julho de 2008, a NIAHO passa a ser a única acreditação hospitalar autorizada pelo CMS nos EUA, o que significa que apenas os hospitais que possuem o certificado já atendem a uma significativa parte das Condições de Participação (CoP) do Centers of Medicare and Medicaids.

Com mais essa alternativa de acreditação no País, deve crescer o número de hospitais com reconhecimento internacional, atraindo ainda mais turistas para o Brasil. Cerca de 50 hospitais no Brasil estão prontos para se candidatar à nova acreditação.

Além da iniciativa privada, o setor público também está atento à movimentação de turistas que buscam tratamentos médicos no País. Órgãos de promoção como a Embratur e a São Paulo Turismo têm investido tanto na promoção lá fora quanto na recepção aos pacientes que chegam às nossas cidades.

Somados todos os esforços, as expectativas para o setor no País são excelentes. E o retorno em geração de emprego e renda obtidos são uma alternativa que fortalecem ainda mais os setores médico e turístico nacionais, revertendo-se em benefícios para toda a população do País.

kicker: Nos últimos três anos, 180 mil pacientes vieram ao País em busca de tratamento

OTÍLIO FERREIRA FILHO* - Diretor comercial da Det Norske Veritas (DNV) Healthcare no Brasil )

Desaceleração do Brasil será menor, diz Meirelles


O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou ontem que a desaceleração da economia brasileira "é algo que tem que ser levado muito a sério", mas que ela terá uma dimensão menor do em outras economias emergentes. Ele saiu ainda mais convicto disso ao participar da avaliação da situação econômica global com as principais autoridades monetárias do planeta, no Banco de Compensações Internacionais (BIS), que constataram o aprofundamento da crise também nos emergentes.

Meirelles destacou que o país entrou por exemplo na crise com uma demanda doméstica elevada num momento em que a demanda internacional cai. ""É uma vantagem grande neste momento ter um crescimento liderado pela demanda doméstica e não pela demanda externa"", disse.


Ele pediu para investidores e consumidores brasileiros levarem em conta a diferença de desempenho do país a fim de "não sobre-reagir, piorando desnecessariamente a crise"". Para o presidente do BC, isso é ainda mais importante porque um dos canais do contágio de transmissão da crise hoje é o canal de expectativas. Se não houver confiança, o desastre será maior, na visão dos banqueiros centrais.


Ao mesmo tempo, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou seu índice de atividade das principais economias, mostrando que o Brasil tem de fato a situação econômica menor desconfortável no momento.


O Brasil é o único ainda com o nível de atividade acima do índice 100 e o único também com a economia considerada em desaceleração recente. Todos os outros estão com índices de atividade econômica que confirmam o mergulho na recessão, incluindo a China.


O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, disse ao Valor em Basiléia que as novas projeções que serão publicadas proximamente "são mais pessimistas para todos os países"".


Após uma série de reuniões no BIS, o banco dos bancos centrais, Meirelles disse não haver "dúvida que o Brasil está sofrendo o impacto da crise, ela é séria, é importante, é global, mas o Brasil terá melhores condições (de sair dela)"".


Além da base dada pela estabilização da economia, o presidente do BC notou que o país entrou na crise com investimentos crescendo a quase 20% ao ano e demanda doméstica a 9.3%. "Não há dúvida que isso não elimina a seriedade da crise, a desaceleração é algo que tem que ser levada muito a sério, mas em termos relativos estamos melhor."


Indagado se a deterioração da situação econômica poderia levar a autoridade monetária a ser mais agressiva, ou seja, cortar mais rapidamente os juros, Meirelles deu sua resposta tradicional de que não comenta a política monetária antes de reunião do Copom.


Meirelles respondeu sobre um estudo de Cristina Romer, chefe da assessoria econômica do futuro presidente dos EUA, Barack Obama, que constatou que ações de política monetária são mais incisivas e têm efeitos mais imediatos do que política fiscal numa situação de recessão.


Retrucou que existem diversas abordagens de ações dos bancos centrais. E uma das que considera ter efeito muito impactantes é na gestão de liquidez. Disse que o BC do Brasil tem sido muito ativo nesse sentido, com a liberação de compulsórios de quase de R$ 100 bilhões, com a concessão de linhas de crédito em dólar para os mercados, e com intervenções no mercado spot e mercado futuro.


"Isso é muito importante para restaurar a funcionalidade dos mercados, que é o que primeiro impactou no Brasil"", disse.


Outros dados importantes enfatizados na reunião do BIS, segundo Meirelles, foram o fato de o Brasil ter reservas internacionais elevadas, posições nos mercado futuros de câmbio - US$ 23 bilhões na entrada da crise - , o que permitiu ao país enfrentar os efeitos diretos da crise no mercado brasileiro.


Reiterou que o país está mais preparado também porque o governo é um credor líquido em moeda externa, com reservas superiores em US$ 100 bilhões à sua dívida externa. Ou seja, no momento em que o país tenha uma depreciação como teve da moeda, isso faz diferença. A dívida pública caiu de 40% do PIB para cerca de 35%, informou Meirelles aos outros BCs.

Com Votorantim, BB terá carteira de financiamento de veículos usados


O Banco do Brasil leva, com a aquisição de metade do capital do Banco Votorantim, uma carteira de financiamentos de veículos composta basicamente de operações com usados. Esse foi um dos pontos mais questionados por investidores e analistas econômicos ontem em teleconferência do BB. Eles queriam saber quais são os riscos de perdas em um contexto de forte queda nos preços dos carros usados.

Segundo informação do Votorantim, mais de 95% de sua carteira de financiamento de veículos, que somava R$ 16,8 bilhões em setembro, é de veículos usados. Desde que o país começou a sofrer mais intensamente os efeitos da crise financeira mundial, em setembro, os preços dos carros usados já tiveram uma retração superior a 20%.


A entrada do BB no segmento de financiamento de veículos usados está em linha com o interesse do governo em manter o crescimento da economia. Ontem, o presidente Lula disse em São Paulo que a compra do Votorantim ajudará a impulsionar o mercado de veículos novos, porque antes de comprar um novo os consumidores vendem seus carros usados. "O Banco do Brasil vai se preparar para financiar carros usados para que a roda da economia possa continuar girando normalmente", disse Lula.


Na teleconferência, Marcelo Vives, do Votorantim, ponderou que a inadimplência na carteira de veículos é baixa e que esse é um segmento com altas margens. Segundo ele, a taxa de inadimplência da carteira é de 3%, abaixo da média de mercado, que é de 4%. No cenário mais pessimista, disse, a inadimplência subiria para 4% neste ano. A taxa média de juros da carteira é de 2,1% ao mês, e seu prazo médio, 18 meses. Alguns analistas perguntaram se as projeções não eram muito otimistas. Os executivos do Votorantim e do BB disseram que não prevêem contração da atividade e do emprego tão severa como a dos EUA. A visão dos dois bancos é que crise abriu oportunidades para o banco avançar no financiamento de novos.


Antes da crise, o Votorantim exigia entrada equivalente a 30% do carro financiado. Nos casos em que é necessário retomar o carro para executar as garantias, informou Vives, o banco recupera em média 60% do valor do financiamento. Com a queda de 20% no preço dos carros usados, os cálculos são de que as garantias vão cobrir 50% do empréstimo. O Votorantim, após a crise, passou a exigir entrada maior dos clientes, de 40% do valor do automóvel, e encurtou o prazo dos empréstimos.


A avaliação é que, a despeito da queda dos preços dos veículos, a carteira de crédito é 100% garantida pelos automóveis. Para o Votorantim, a tendência é que os preços dos carros usados se recupere ao longo desse ano.


Na teleconferência, o vice-presidente de finanças do BB, Aldo Mendes, informou que os R$ 3 bilhões pagos na compra do Votorantim serão depositados em uma conta vinculada, podendo ser sacados em prazos de 6, 12 e 18 meses pelos atuais acionistas do banco. "Durante esse tempo, os recursos ficarão dando suporte ao "funding" e ao caixa do banco."


Na sexta, na entrevista que divulgou a venda de metade do banco, o Votorantim negou que a estivesse atravessando problemas de falta de liquidez, como ocorre com instituições pequenas e médias. Balancete divulgado pelo BC, porém, registra queda de R$ 5,825 bilhões nos depósitos a prazo do Votorantim, que passou de R$ 22,457 bilhões em setembro para R$ 16,632 bilhões em outubro. Procurado pelo Valor, o Votorantim não quis comentar os números.


Os depósitos interfinanceiros, por outro lado, subiram de R$ 807 milhões para R$ 2,153 bilhões. O BC criou incentivo, liberando recursos dos depósitos compulsórios, para que bancos grandes fizessem depósitos interfinanceiros nos menores. A carteira de crédito da BV Financeira, que opera com financiamentos de veículos, caiu R$ 1,342 bilhão, passando de R$ 19,176 bilhões para R$ 17,834 bilhões entre setembro e outubro. O BC também incentivou bancos grandes a comprar carteiras de crédito de bancos menores.


O BB confirmou que poderá fazer captações no mercado financeiro para reforçar sua base de capital. O índice de Basiléia do banco, após a aquisição da Nossa Caixa e do Votorantim, fechou em 12,5% em dezembro, perto do mínimo, de 11%. O BB sustentou, na teleconferência, que o capital é suficiente para sustentar a expansão de 20% na carteira de crédito prevista para este ano. Mas, segundo seus executivos, a instituição poderá fazer captação de dívida subordinada ou em instrumentos híbridos de capital e dívida para ampliar o chamado capital Nível 2. O índice de Basiléia Nível 1 chegou a 8%, e o BB descartou fazer uma emissão primária de ações para ampliá-lo. Nesse caso, a opção seria a maior retenção de resultados do banco.


O BB disse que os ganhos de sinergia com a compra são pequenos, porque não haverá incorporação. Mendes prevê queda no custo de captação do Votorantim, hoje de 103% do CDI. O BB poderá abrir linha de financiamento ao banco, e a percepção de risco do Votorantim deverá cair após a operação --Valor Econômico

9 de janeiro de 2009

Lupi quer estabilidade por prazo igual ao da bolsa-qualificação


Uma das medidas que deverá ser adotada para regulamentar a concessão da bolsa-qualificação será a exigência de que, ao término do benefício, o trabalhador tenha o emprego garantido pelo mesmo período em que a bolsa foi concedida. A informação foi dada ontem pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.

"A garantia da estabilidade do emprego no mínimo pelo período que durar a bolsa não está prevista (em lei), e acho uma boa idéia a ser discutida pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat)", disse o ministro.

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante a estabilidade por três meses após o término da bolsa-qualificação, que é uma modalidade de seguro-desemprego para o empregado que teve o contrato de trabalho suspenso após acordo coletivo firmado pelo seu sindicato. A duração pode ir de dois a cinco meses.

De acordo com o ministro do Trabalho, outras mudanças seriam a definição de uma carga horária para os cursos de qualificação do trabalhador e o controle do tipo de curso que ele pode fazer. A necessidade de regular é motivada pelo aumento do número de suspensões de contratos de trabalho e conseqüentes pedidos de concessão de bolsa-qualificação motivados pelos efeitos da crise financeira mundial.

Durante o período de vigência da bolsa-qualificação, a empresa não recolhe encargos sociais e não paga os salários. Já o trabalhador deve ser matriculado pelo empregador em programas de qualificação profissional e receber uma bolsa no mesmo valor pago pelo seguro-desemprego. Essa bolsa é custeada com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A concessão das bolsas está sendo acompanha com "lupa" pelo governo federal para que não haja abusos, afirmou Lupi. "Eu quero bom senso; não quero prejudicar ninguém. Penso que o empresariado brasileiro tem que ter consciência de que ganhou muito dinheiro nesses últimos anos e que não pode fazer com que a conta seja paga pelo trabalhador."

Na opinião do ministro, a regulamentação é necessária também para que sejam incluídos os segmentos efetivamente atingidos. "O processo tem que ser limitado aos setores que realmente estão em crise, que não estão conseguindo vender, e tratado com muito zelo. O governo paga, e a empresa tem a obrigação de qualificar o trabalhador."

As mudanças serão analisadas pelo Codefat e, segundo o ministro, devem ser definidas e implantadas dentro de um período de 30 a 60 dias.

Mandioca-doce vai virar etanol em escala industrial, diz Embrapa


É esbanjando glicose e sacarose que a mandioca açucarada entrou para a lista de matérias-primas que podem ser convertidas em etanol. A variedade da raiz está na mesa de poucos brasileiros - vira mingau e xarope de glicose no Norte do País onde é conhecida como mandiocaba - e nos laboratórios da Empresa Brasileira da Pesquisa Agropecuária (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia) de Brasília.

O pesquisador Luiz Joaquim Castelo Branco Carvalho redescobriu o tubérculo, antes usado pelos indígenas na alimentação e produção de cachaça, há dez anos. De lá para cá desenvolve estudos para a produção de etanol a partir da mandioca-doce. Segundo Carvalho, é possível encontrar 25% de glicose e pelo menos 10% de sacarose nessa raiz. "O açúcar que tem na cana é só sacarose, e apenas 12%", compara.

Castelo explica que a "composição de açúcar dessa planta confere uma rapidez ao processo de conversão em álcool", já o açúcar da cana leva 14 horas para ser beneficiado. Além de dispensar o processo de hidrólise e adição de enzimas (importadas), o que pode reduzir o custo energético em até 40%.Cada hectare de mandiocaba rende 14 metros cúbicos (m3) de álcool. Pelo processo convencional de hidrólise de amido da mandioca o rendimento é em torno de 6,4 m de álcool por um processo de fermentação que dura até 70 horas, enquanto o processo tradicional da cana-de-açúcar chegou a 8 m em 48 horas.

Enquanto uma tonelada de cana produz 85 litros de álcool, a mesma quantidade de mandioca pode produzir 211 litros do combustível. Porém, os custos de produção da cana-de-açúcar são menores em cerca de 50% quando comparados aos da mandioca.

A variedade, até então privilégio da região Norte do País, está sendo cultivada pelos técnicos da Embrapa no cerrado. Lá a produtividade é até quatro vezes menor, mas melhoramentos genéticos estão sendo realizados para se colher mais mandioca-doce no meio-oeste do País. É dos hectares de testes plantados em Brasília que vão sair as toneladas a serem processadas em escala industrial.

Em parceria com a Usinas Sociais Inteligentes, de Porto Alegre (RS), será montada em março um complexo de destilaria na capital do País para produzir etanol a partir de mandioca-doce em escala industrial, 400 litros por dia, e experimental. "Precisamos conhecer ao certo a viabilidade econômica para levar a tecnologia até o Pará", diz Castelo.

Não existe um levantamento sobre a quantidade de mandioca açucarada produzida no Brasil, mas é certo que é no solo paraense que se concentra o maior número de plantas, principalmente na região nordeste do estado e na ilha de Marajó. O pesquisador da Embrapa Pará, Edson Sampaio, explica que o consumo é doméstico e está concentrado no interior. "São produtores pequenos e eles estão espalhados. Ainda falta material genético para desenvolvermos etanol a partir de mandioca aqui".

O agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Abaetetuba (PA), Flávio Ikeda relata que já foram implantados dois campos de multiplicação de material genético para distribuição de mudas. "Se precisasse plantar em larga escala não haveria mudas suficientes", situação que deve ser revertida com os campos.

Brasil Ecodiesel questionada

As últimas oscilações registradas com as ações emitidas pela Brasil Ecodiesel na Bovespa levaram a Comissão de Valores Mobiliários a questionar a empresa solicitando justificativa para a valorização superior a 53% registrada só na última quarta-feira. A Brasil Ecodiesel alegou desconhecer o motivo.

2 de janeiro de 2009

Investindo no Brasil


A britânica Williams Lea, empresa de gerenciamento de trabalhos gráficos, abre no primeiro trimestre deste ano um escritório em São Paulo. É a segunda unidade brasileira da companhia, que desembarcou no país em 2008 e hoje tem um escritório no Rio. Pertencente ao grupo alemão Deutsche Post World Net, a Williams Lea tem entre seus clientes empresas como Reader's Digest, Microsoft, Shell, entre outras. A Williams Lea promete reduzir entre 10% e 25% os gastos gráficos de seus clientes.

Caixa Geral de Depósitos volta a atuar no Brasil


Nem todos os bancos estrangeiros estão soterrados por pilhas de créditos imobiliários de alto risco, pesadas baixas contábeis e prejuízos crescentes a ponto a desacelerar as operações nos mercados externos. É o caso da portuguesa Caixa Geral de Depósitos (CGD), que, apesar da séria crise internacional, está desembarcando (e investindo) no Brasil.

A CGD é estatal e domina 30% do mercado português. Rodolfo Lavrador, membro do conselho de administração da CGD, revelou ao Valor os planos do banco para o Brasil em visita que fez a São Paulo na primeira quinzena de dezembro.


O banco não vê muito espaço mais em Portugal e resolveu crescer no exterior. "Portugal é um mercado maduro. O crescimento orgânico é difícil e não faz sentido comprar bancos privados quando já se tem o domínio do mercado. A estratégia foi então crescer fora de Portugal e ajudar as empresas portuguesas que estão buscando novos mercados", disse Lavrador.


A decisão foi tomada antes de a crise financeira internacional estourar e foi mantida. "Preferíamos que a economia mundial estivesse diferente. Mas não é o caso. Apesar disso, não deixaria de ser tomada nesse conjuntura", afirmou. Por ter controle estatal e uma história de 132 anos, ativos totais de 108,3 bilhões de euros e patrimônio de 4,8 bilhões de euros, a CGD foi até beneficiada pelo movimento de "flight to quality" dos investidores, disse Lavrador, lembrando que o banco foi um dos raros europeus que não teve o rating duplo A afetado na turbulência atual.


A escolha do Brasil era inevitável. "O Brasil sempre foi o mercado incontornável. É natural crescer no país dada as afinidades históricas e culturais e pelo fato de ser o destino de muitos investimentos portugueses. Há também muitas empresas brasileiras em Portugal. Acreditamos no Brasil. É um país que só pode dar certo", explicou Lavrador.


Na verdade, a CGD está recomeçando a operar no Brasil. Durante muitos anos, o banco português teve uma participação relevante no Banco Itaú até 1998, quando comprou o Bandeirantes, banco brasileiro de varejo. Em 2000, a CGD concluiu que era difícil disputar o varejo brasileiro e vendeu o Bandeirantes ao Unibanco, em troca de uma participação acionária de 12,3%. Em 2005, a CGD vendeu a participação no mercado, apurando R$ 1,534 bilhão.


O projeto agora é bem diferente. "O mercado brasileiro está em fase de concentração e amadurecimento. Não era lícito retomar o projeto de 10 anos atrás e tentar novamente o varejo. A CGD sempre teve vocação de liderança. No Brasil, os líderes são de capital nacional. Por isso estamos montando um banco de atacado, modelo que faz sentido no momento e é suficiente para acompanhar o fluxo comercial entre os dois países" disse Lavrador.


Em 2007, a CGD pediu ao Banco Central (BC) autorização para reabrir o banco no Brasil; o sinal verde saiu em fevereiro de 2008. O projeto agora é fazer operações corporate, de banco de investimento e financiamento de comércio exterior. Para montar o banco, que tem o nome de Banco Caixa Geral - Brasil S.A., a CGD contratou Debora Vieitas para diretora presidente. Debora trabalhou por 12 anos no CCF e por oito anos no BNP Paribas, até outubro passado, e está animada em fazer decolar do zero o banco de atacado da Caixa Geral.


Segundo Lavrador, o capital de partida do banco é de R$ 123 milhões. Existe a disposição de aumentar o valor quando o projeto crescer. Geograficamente, o banco começará atuando em São Paulo e depois vai se expandir para o Rio e outras regiões. O conselheiro da CGD dá como certa a presença no Nordeste onde há muito investimento português.


Mesmo durante a crise, a CGD manteve as linhas de crédito comercial para o Brasil, que somam 600 milhões de euros e são canalizadas por outros bancos, como o Banco do Brasil (BB). Com o banco próprio, é natural que ele concentre a distribuição das linhas.


Debora disse que o banco fará também financiamento de projetos, assessoria em fusões e aquisições e dívida estruturada, e repasses do BNDES.


O banco começa a funcionar neste mês de janeiro. Ao longo de dezembro, foram feitos os testes de entrada no Sistema Brasileiro de Pagamentos. Ele surgiu a partir do Banco Financial Português, implantado no Brasil desde o século 19, que será transformado em banco múltiplo com as carteiras comercial, de investimento e câmbio. Na primeira fase, terá 40 a 50 funcionários, com boa bagagem de risco de crédito, operacional e de mercados. O "foco será atender empresas brasileiras e estrangeiras, financiar o comércio exterior, capturar negócios de investimento na península ibérica, países da África onde tem presença física. Capturar o fluxo de negócios", disse Debora.


Apesar de não ter estado presente diretamente no Brasil nos últimos anos, a CGD, por meio de seu banco de investimento, o Caixa Banco de Investimento, tem tido atuação intensa no mercado. Na área de fusões e aquisições, obteve mandatos de assessoria à Companhia Brasileira de Distribuição (CBD, do grupo Pão de Açúcar) na aquisição dos Supermercados Sé; à Embraer na aquisição da OGMA em Portugal; à Portugal Telecom na venda da Primesys; à Águas de Portugal na venda da Prólagos; e à Editora Abril na venda da Abril Control Jornal em Portugal.


Na área de operações estruturadas e financiamento de projetos, atuou como líder nas operações da Energias do Brasil no empréstimo tipo B do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) à Bandeirantes Energia; da Endesa no empréstimo tipo B da International Finance Corporation (IFC) à Endesa Fortaleza; da Iberdrola no empréstimo B do BID à Termo Pernambuco; da Brasil Saneamento no projeto de tratamento de águas industriais à ThyssenKrupp; e da Abengoa no financiamento ATE2 Transmissora de Energia - Lote A LT Colinas - Sobradinho.


Na área de mercado de capitais, participou da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Energias do Brasil, da Bradespar e da oferta secundária do Unibanco.


A CGD já está presente em 23 países, entre eles Espanha e Angola (com operações de varejo), África do Sul, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe. Na Ásia, está em Macau, Timor Leste e Índia. Tem 210 agências na Espanha e 50 na França. A atividade internacional representa de 15% a 20% dos resultados.

Kassab fala em crise, mas terá o maior nº de secretários


Num momento em que as manchetes estão repletas de crises financeiras e violência, é especialmente importante reconhecer a criatividade de governos no combate à pobreza, doenças e a fome. O argumento não se presta apenas a nos fazer sentir um pouco melhor, e sim a confrontar uma das maiores ameaças do mundo: o pessimismo generalizado, de que os problemas atuais são grandes demais para serem resolvidos. O estudo dos sucessos nos traz o conhecimento e a confiança necessários para intensificar esforços conjuntos para resolver os grandes desafios globais de hoje.

Congratulações, em primeiro lugar, ao México, pela criação pioneira das "transferências condicionais de dinheiro" a famílias pobres. Elas habilitam e estimulam estas famílias a investir na saúde, alimentação e educação dos seus filhos. O "Programa de Oportunidades" do México, liderado pelo presidente Felipe Calderón, está sendo amplamente reproduzido em toda a América Latina. Recentemente, a pedido dos cantores Shakira e Alejandro Sanz e de um movimento social que eles dirigem, todos os líderes da América Latina se comprometeram a intensificar os programas da região para o desenvolvimento desde a tenra infância, com base nos sucessos já comprovados.


A Noruega, sob a liderança do primeiro-ministro Jens Stoltenberg, mantém a sua tradição de liderança criativa ambiental e social. O governo fez uma aliança global para evitar a mortalidade materna no parto, investindo em parto seguro e na sobrevivência dos recém-nascidos. Ao mesmo tempo, a Noruega lançou um programa inovador de US$ 1 bilhão com o Brasil que visa convencer comunidades pobres na Amazônia a acabar com o desflorestamento desenfreado. Com habilidade, a Noruega desembolsa os fundos para o Brasil apenas com base no sucesso comprovado de evitar desflorestamento (na comparação com um parâmetro acertado).


A Espanha, sob a liderança do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, concedeu importante estímulo para ajudar os países pobres a atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), ao criar um novo Fundo MDM nas Nações Unidas para promover a cooperação necessária dentro da ONU para abordar os vários desafios das metas. O governo espanhol propôs acertadamente que as reais soluções para a pobreza exigem investimentos simultâneos em saúde, educação, agricultura e infra-estrutura, e logo em seguida disponibilizou os fundos para ajudar a transformar esta visão integrada em realidade prática. O país sediará um encontro este mês para lançar um novo combate contra a fome mundial. Mais uma vez, a Espanha está propondo meios práticos e inovadores para passar da fala à ação, especificamente para ajudar os empobrecidos agricultores a obter as ferramentas, sementes e fertilizantes de que necessitam para incrementar a sua produtividade, receita e segurança alimentar.


O premiê australiano Kevin Rudd assumiu, de forma semelhante, a linha de frente da solução de problemas mundiais, ao formular um plano de ação audacioso sobre mudança climática e propor meios novos e práticos de abordar as MDM. A Austrália colocou dinheiro de verdade sobre a mesa para aumentar a produção de alimentos, nos termos em que a Espanha está propondo. O país também defende um programa de ação intensificado para as economias pobres e ambientalmente ameaçadas das ilhas da região do Pacífico.


Estes esforços foram acompanhados de ações nos países mais pobres. Maláui, o país empobrecido e sem saída para o mar, dobrou, sob a liderança do presidente Bingu wa Mutharika, a sua produção anual de alimentos desde 2005, por meio de um esforço pioneiro para ajudar agricultores mais pobres. O bem-sucedido programa está sendo copiado por toda a África.


O governo de Mali sob o presidente Amadou Toumani Touré apresentou recentemente um desafio arrojado à comunidade mundial. O país está ansioso para ampliar investimentos em agricultura, saúde, educação e infra-estrutura nas suas 1666 comunidades mais pobres. Os planos são minuciosos, cuidadosos e confiáveis, baseados em sucessos comprovados que o governo já obteve. O mundo rico prometeu ajudar Mali, que agora tomou a iniciativa com a sua criatividade.


Há inúmeros casos adicionais que podem ser mencionados. A União Européia fez uma campanha de 1 bilhão para ajudar os agricultores. A Fundação Gates, Unicef, Rotary International e muitos governos tiveram êxito em reduzir as mortes por poliomielite a um milésimo da taxa da geração anterior, levando a doença à quase erradicação. Esforços semelhantes estão sendo iniciados em muitas outras frentes - o controle de infecções por vermes e da lepra, e agora uma importante iniciativa global para reduzir as mortes por malária a praticamente zero até 2015.


Todos estes sucessos compartilham um padrão semelhante. Eles equacionam um desafio grave e bem definido, como, por exemplo, baixa produção de alimentos, ou doença específica, e se baseiam num conjunto de soluções bem definidas, como equipamento agrícola e insumos necessários aos agricultores, ou vacinações.


Projetos de pequena escala comprovam como o sucesso pode ser alcançado; o desafio passa a ser levar as soluções "à escala" em programas de âmbito nacional e até mundial. A liderança é necessária, tanto nos países necessitados como entre os ricos, para ajudar a lançar e financiar as soluções. Por fim, modestas quantias de dinheiro para a solução de problemas práticos podem fazer uma diferença histórica.


As boas notícias provam, porém, que só perderemos a batalha contra a pobreza e a miséria se desistirmos e se não conseguirmos atentar para a inteligência e a boa vontade que podem ser mobilizadas. E talvez, neste ano, os EUA poderão se juntar de novo ao esforço global com força nova e extraordinária, liderados por um jovem presidente que disse acertadamente aos americanos e ao mundo: "Sim, nós podemos". Jeffrey D. Sachs é professor de Economia e diretor do Instituto Terra na Universidade Columbia.
 

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