30 de abril de 2009

Deputado usa verba indenizatória para alugar táxi aéreo


Como se não bastassem os R$ 16.804,17 mensais a que tem direito na cota de passagens aéreas, o deputado Marcelo Serafim (PSB-AM) recorre a outro benefício, a verba indenizatória, para alugar aviões particulares. Na prestação de contas de abril, Serafim informou o gasto de R$ 12 mil pagos à empresa Cleiton Táxi Aéreo. Segundo o deputado, a despesa foi feita em janeiro e se refere ao aluguel de um avião Caravan para uma viagem por vários municípios do sul do Amazonas, onde teve uma série de compromissos em comunidades pobres e com lideranças políticas locais.

A revelação ocorre um dia depois de entrar em vigor o ato administrativo da Mesa Diretora da Câmara que instituiu regras mais rígidas para o uso da cota de passagens aéreas pelos parlamentares. A partir de agora, viagens só para deputados e assessores, com redução de 20% nos valores, proibição de emissão de bilhetes para o exterior e prestação de contas na internet.

De qualquer forma, Serafim argumenta que a cota das passagens serve apenas para voos comerciais e que as companhias aéreas não têm linhas regulares para os pequenos municípios amazonenses. A solução, diz ele, é alugar aviões ou barcos. Como as viagens de barcos são muito demoradas, o parlamentar optou pelo aluguel de táxis aéreos. O Amazonas é diferente dos outros Estados. As distâncias são quilométricas, o avião comercial não vai. A viagem de barco muitas vezes demora um dia inteiro. Não tenho como fazer diferente, a solução é alugar um teco-teco. Não é um jatinho. É o único meio para ir à base, para conhecer o povo, diz o parlamentar. Não fiz nada de errado. Não ando de carona no avião do governador.

29 de abril de 2009

Brasileiros permanecem otimistas com o futuro


Embora temerosos de perder o emprego e críticos em relação à maneira como os governos federal, estaduais e municipais estão conduzindo as políticas para amenizar os efeitos da crise mundial no Brasil, os brasileiros ainda não perderam o otimismo. Essa é a conclusão de pesquisa recente realizada pelo cientista político Antonio Lavareda, apresentada ontem no evento da Fundação Getulio Vargas (FGV) Projetos para avaliar os impactos da recessão global nas economias regionais.

De acordo com a sondagem, um em cada cinco brasileiros acreditam que a crise se esgotará ainda neste ano, 45% estimam que levará um ano para o País deixar de sofrer com o desaquecimento da economia mundial; outros 39% são menos otimistas e esperam que vai demorar mais dois anos para o fim do que está sendo considerada a maior recessão mundial desde 1930.

Segundo Lavareda, outra revelação é que os brasileiros reclamam uma iniciativa maior de seus governantes estaduais e municipais. "Além do governo federal, a população espera de governadores e prefeitos uma atitude mais positiva de enfrentamento da crise", acrescentou o cientista político.

Na opinião dele, os dados levantados em abril no Brasil convergem com os pesquisados pelo Barômetro Latinoamericano, que em março deste ano, indicando que os brasileiros são o povo mais otimista entre todos os da América Latina no que diz respeito à expectativa de vida econômica pessoal daqui um ano. O Chile ficou em segundo lugar no ranking.

No Cefet, criado por Lula salário de até R$9 mil para professores


A melhor escola pública de São Paulo no ranking do Enem é da rede federal: o Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo) obteve 73,38 pontos, ficando com a sétima posição no ranking paulista e a 37ª posição nacional, entre públicas e particulares. Os alunos do Cefet têm aulas com professores mais bem remunerados e qualificados, já que seus professores são os mesmos professores-doutores que trabalham nas pesquisas e na ala universitária da instituição, com salários que podem chegar a R$9 mil. O mínimo está entre R$2,5 mil e R$3 mil, segundo o diretor do Cefet, Chester Contatori.

O Cefet passará ano que vem por uma mudança que criou polêmica entre seus alunos: a partir de 2010, os estudantes só poderão frequentar a instituição se fizeram o chamado "integrado", cursando o ensino médio e profissionalizante (principalmente na área de engenharia), de quatro anos. A mudança deverá aumentar a carga horária:

O reitor Arnaldo Augusto Ciquielo Borges explicou que a mudança para o ensino integrado é uma determinação federal, após o Cefet ter se transformado numa Ifes (Instituição Federal de Ensino Superior).

Primeira escola de SP no Enem é de graça


Na escola paulista de melhor desempenho no Enem, ninguém paga mensalidade. Os alunos do Colégio Engenheiro Juarez Wanderley, de São José dos Campos, obtiveram nota 76,02 (em 100) no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizado em 2008. Foi a 8ª mais alta do País. Todos são ex-estudantes do ensino público que passaram em uma concorrida seleção para estudar em um colégio mantido pela fabricante de aviões Embraer. A empresa investe R$ 14 mil por aluno ao ano. E eles superaram colegas dos tradicionais Bandeirantes, Vértice e Etapa, cujos pais desembolsam quase o dobro para mantê-los nesses colégios.


A única escola pública de São Paulo a aparecer entre os dez destaques é um centro federal, que dá formação técnica e seleciona seus alunos. A escola pública estadual paulista com maior pontuação surge só em 924º lugar e fica em Taboão da Serra. Na lista geral do Brasil, o Colégio São Bento, do Rio, uma das únicas que ainda só aceitam meninos, teve a melhor o melhor desempenho pela terceira vez.

O criador da prova e atual secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, critica a divulgação das notas. Ele diz que os alunos que participam em cada escola não necessariamente representam uma média dos que lá estudam, uma vez que o exame é voluntário. Mas o MEC sustenta que a informação é relevante. A primeira lista saiu em 2006. Neste ano, o Enem será ampliado e deve se tornar um grande vestibular nacional. A partir dele, já será possível comparar os resultados ano a ano, porque os exames passarão a ter o mesmo nível de dificuldade.



1 Colégio Eng. Juarez Wanderley
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Fundado em fevereiro de 2002, o Colégio Engenheiro Juarez Wanderley, de São José dos Campos, já formou 1.100 alunos e se tornou referência no ensino gratuito de qualidade. A escola só aceita estudantes que cursaram os últimos quatro anos do nível fundamental na rede pública. Quem vem da rede particular não entra. É hoje a melhor escola do interior paulista, mantida pelo Instituto Embraer, que atua nas comunidades onde a fabricante brasileira de aviões mantém suas unidades: São José dos Campos, Gavião Peixoto e Botucatu. "É uma forma de retribuir tudo o que São José dos Campos e a região nos dá", diz o diretor do instituto, Pedro Ferraz. A empresa tem planos de fazer uma nova escola em outra cidade.

A cada ano, aumenta mais a procura para o "colégio da Embraer", como é chamado. Os estudantes são selecionados por meio de concurso administrado pela Vunesp (Vestibular da Universidade Estadual Paulista). A procura é grande. No ano passado foram 25 alunos por vaga.

"Quando chegamos aqui, o choque é grande, não só pela carga horária, mas pela forma como são colocadas as disciplinas", afirma Jade Antunes Simões, de 17 anos. Já determinada em seguir carreira para administração de empresas e economia, a aluna do 3º ano aprendeu na escola a importância de se esforçar para conquistar a tão sonhada vaga no ensino superior. "Além das dez horas aula, chego em casa e estudo mais três horas. A responsabilidade é minha de passar no vestibular, de construir meu futuro." O pensamento dela é o da maioria dos 600 alunos, que estudam dez horas por dia.

A média de ex-alunos que ingressaram numa universidade pública é de 80%. E todos passaram em pelo menos um vestibular. Os alunos ganham desde o transporte até o material didático, que se baseia no Sistema Pitágoras. Tudo é cedido pelo Instituto Embraer, que investe cerca de R$ 14 mil por ano por aluno. Depois que o estudante se forma, ele tem direito a receber uma bolsa de R$ 490 para se manter durante a faculdade. Há ainda parcerias feitas com empresas externas.

Para o diretor da escola, Jamerson Mansur Peixoto, os índices que os alunos do colégio da Embraer alcançam mostram que é possível resgatar o déficit de aprendizagem constatado hoje no País. "Há recursos para isso, mas é preciso que sejam bem geridos. O foco de toda população tem que estar na educação, é prioridade", afirma.

SIMONE MENOCCHI


2 Colégio Vértice (Unidade II)
SÃO PAULO


Pelo quarto ano consecutivo com seus estudantes obtendo as maiores médias entre as escolas da capital, o Vértice é um colégio pequeno, que faz uma seleção dos alunos, tem uma longa lista de espera por vaga e, no momento, não pretende se expandir. Instalado em um conjunto de casas adaptadas no Campo Belo (zona sul), se destaca por ter um programa pedagógico próprio, ensinando o aluno a adquirir o hábito de estudar continuamente.

O colégio oferece também uma escola para os pais, que em encontros mensais ou semanais recebem noções de pedagogia e psicologia aplicada no cotidiano, e devem acompanhar as tarefas dos filhos em casa e funcionar como parceiras dos professores.

"Antes de o professor iniciar o ensino de um tema, o aluno deve ter feito uma leitura prévia e uma pesquisa do vocabulário em casa. É o pontapé inicial para o processo de aprender", explica um dos diretores da escola, Adilson Garcia. Perseguimos a criação desses hábitos", conta ele.

O colégio foi fundado em 1976 por uma educadora, que decidiu investir na capacitação dos professores e no desenvolvimento de um programa próprio de ensino. "Os bons resultados são frutos de anos e anos de experiência da equipe, que vai fazendo experimentações e mantendo em vigor as práticas com melhores resultados no aprendizado", diz o diretor. O Vértice atende todos os níveis da educação básica - infantil, fundamental e médio. A mensalidade chega a R$ 2,3 mil no ensino médio.

SIMONE IWASSO


3 Colégio Bandeirantes
SÃO PAULO

Conhecido pela qualidade de ensino na área de exatas - os estudantes dispõe, por exemplo, de três laboratórios equipados com material de ponta para aulas de física - o Bandeirantes é um colégio tradicional que sempre aparece entre as instituições que mais aprovam alunos nos vestibulares mais disputados do País.

Lá, a meritocracia é estimulada e os estudantes são divididos por classes de acordo com a área que pretendem seguir e seu desempenho acadêmico. Mesmo com a fama de ser forte em exatas, o colégio investe na área humanística e nas atividades extracurriculares. Na biblioteca, à disposição dos alunos, há laptops e jornais nacionais e internacionais para pesquisa, mensalmente são feitos debates sobre temas da atualidade no auditório e, nas aulas de mídia, os alunos escrevem e editam uma revista.

"Acredito que nossa diferença está no preparo contínuo do professor e do funcionário, que também é visto como educador, mesmo que seja a secretária ou a recepcionista", afirma o diretor do colégio, Mauro Aguiar. "Temos consultores que nos ajudam a capacitar a equipe para o trabalho com adolescente", diz.

Todos os professores são estimulados a fazerem mestrado e doutorado, além de participarem de seminários, cursos e congressos. As oportunidades são dadas e, em contrapartida, há uma forte cobrança por bom desempenho - de professores e alunos. O colégio ocupa um quarteirão no bairro do Paraíso (zona sul) e atende 1,8 mil alunos do 6º ao 9º ano do fundamental e ensino médio. As mensalidades estão em torno de R$ 2 mil.

SIMONE IWASSO


4 Colégio Etapa
VALINHOS


Não são só as seis aulas diárias, entre 7h25 e 12h45, ministradas por 28 professores para 400 estudantes divididos em oito salas, que fazem os alunos do colégio Etapa, em Valinhos, estarem preparados para o Enem e para o vestibular. De acordo com o coordenador geral do Etapa (São Paulo e Valinhos), Edmilson Motta, e com a diretora da unidade Valinhos, Ana Cristina Cicchetto, o incentivo à busca do conhecimento, o estabelecimento de projetos pessoais e metas, o desenvolvimento da visão crítica e a garantia de bons professores são ferramentas que fazem a diferença.

A estrutura também ajuda. Os alunos têm quatro laboratórios, ginásio, piscina aquecida e coberta, duas quadras poliesportivas, refeitório e uma biblioteca na qual podem ser solicitados livros da unidade de São Paulo. Ao todo, o Etapa oferece 23 mil títulos.

Além das aulas regulares, os estudantes são submetidos a provas quase diárias - elas são aplicadas de terça a sexta-feira, todas as semanas. Os alunos do 3º ano fazem ainda simulado semanal às segundas-feiras. Quem está nos 1º e 2º anos do ensino médio faz ao menos três testes do gênero ao longo do ano.

Eles também têm aulas à tarde, duas vezes por semana. Quem quer se candidatar a uma vaga no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) estuda durante à tarde em três outros dias - incluindo sábados. Candidatos a medicina e arquitetura também fazem aulas específicas de reforço.

Além de todas essas tarefas, pelo menos 90% dos alunos do Etapa ainda participam de atividades extracurriculares opcionais, como esportes, clube de cinema (para analisar filmes), clube de leitura, aulas de atualidade, filosofia e línguas (alemão, francês e espanhol).

"O colégio dá as ferramentas. A gente tem que ir atrás do que quer", afirma o estudante Rafael Tafarello, de 17 anos, classificado para a Olimpíada Latino-Americana de Astronomia. Desde que entrou no Etapa ele não perde uma aula preparatória para olimpíadas.

"Faço de física, matemática, química, astronomia, biologia. As aulas das olimpíadas são mais legais que as aulas normais, são menos básicas", disse Tafarello, que às vezes sai de Valinhos rumo a Itatiba, onde mora, perto de 18 horas, após ter passado o dia na escola.

Para quem acha impossível estudar tanto, Bruno Brinati, de 17 anos, é exemplo de que dá, sim, para conciliar o colégio com outras atividades. Além da grade obrigatória e de algumas atividades extracurriculares, Brinati toca flauta, integra um grupo de dança e joga tênis. Isso porque deixou as outras atividades - vôlei, inglês e espanhol - que fazia no ano passado, para se dedicar mais aos estudos no 3º ano. "Tem gente que tem a imagem de que fazer Etapa é algo pesado. Se você se organizar consegue equilibrar tudo", diz.


TATIANA FÁVARO



5 Colégio Mobile
SÃO PAULO

Com uma filosofia de ensino liberal, a escola busca estimular a autonomia e a cidadania nos estudantes. "Nosso objetivo é que eles aprendam conceitos e sejam capazes de aplicá-los em qualquer situação do cotidiano. Buscamos trabalhar competências, desenvolver o espírito crítico e a capacidade de conviver com a diversidade", conta a diretora-geral, Maria Helena Bresser, fundadora da instituição que completa 34 anos.

Situado no Bairro de Moema, zona sul da capital, o colégio tem hoje 1.912 alunos, sendo 390 do ensino médio.

"A partir do 8º ano do ensino fundamental, os estudantes assistem às aulas nas chamadas salas-ambiente, que possuem os equipamento necessários para o ensino de cada disciplina. Ou seja, os alunos é que mudam de sala, não o professor", conta Maria Helena.

Há processo seletivo para os interessados em ingressar no ensino médio, com provas de português e matemática.

Para esses alunos, há cursos orientados - para os que precisam de reforço em uma área específica -, plantões de dúvida e cursos avançados de todas as disciplinas.

Além disso, há atividades extracurriculares, como treinos esportivos, aulas de música, atividades comunitárias e atividades culturais, como palestras, peças de teatro e apresentação de filmes, seguidas de debates.

"A escola é bastante exigente, mas oferece ao aluno todas as condições para que ele se desenvolva e atinja os objetivos propostos", diz a diretora. A mensalidade para o ensino médio é de R$ 1.730.


KARINA TOLEDO



6 Colégio Mater Amabilis
GUARULHOS


Fundada há 40 anos, a escola figura pela primeira vez entre as 10 melhores de São Paulo. Para o mantenedor Carlos Eduardo Portela, a colocação se deve ao fato de a Fuvest ter passado a considerar a nota de redação do Enem em seu vestibular. "Antes os alunos não davam tanta importância à redação, concentravam-se mais nas questões objetivas. Com a mudança, passaram a se dedicar mais à elaboração do texto, e nossos alunos escrevem muito bem", afirma.

O colégio tem hoje 1.900 alunos, sendo 413 do ensino médio. Sua proposta pedagógica visa a estimular a busca do conhecimento e a participação em ações sociais. "Buscamos promover nos estudantes a autonomia, os professores atuam como mediadores do debate", diz Portela.

Segundo ele, a escola oferece infraestrutura para que o aluno permaneça após o período de aula e participe de atividades extracurriculares. "Contamos com restaurante, cantina, ginásios poliesportivos, biblioteca e anfiteatro."

Não há processo seletivo para novos alunos, mas é aplicada uma prova para avaliar o nível de conhecimento dos ingressantes. "Se verificado que o aluno possui deficiências, podemos encaminhá-lo para aulas de reforço, por exemplo."

A partir do 6º ano do ensino fundamental, escola utiliza material apostilado do Sistema de Ensino Poliedro. Para ajudar na escolha da carreira, os estudantes do ensino médio podem cursar matérias optativas como linguagem arquitetônica, jornalismo, publicidade e relações internacionais. A mensalidade para esses alunos é de R$ 1.080.


KARINA TOLEDO


7 Centro Fed. de Educ. Tecnológica
SÃO PAULO



O Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (Cefet) é conhecido por ser uma ilha de excelência no ensino público da cidade - ano após ano desponta como uma das únicas instituições públicas no topo das avaliações nacionais.

Localizado no Canindé (zona norte), o Cefet funciona como uma autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), oferecendo gratuitamente, além do ensino médio, ensino técnico, superior tecnológico, engenharia e licenciatura. Aliás, por essa proximidade com o ensino superior, suas instalações lembram um câmpus universitário.

Além disso, os 400 estudantes do ensino médio usam a mesma infraestrutura disponível aos universitários: 20 laboratórios de informática e outros oito, divididos em biologia, física e química. Há salas de redação e biblioteca com acervo de 30 mil livros.

Parte do corpo docente do ensino médio também é o mesmo dos cursos superiores - mais da metade dos professores têm mestrado ou doutorado e cerca de 30% deles tem especializações em áreas específicas.

Segundo a instituição, mais de 80% dos seus estudantes são aprovados em vestibulares de universidades públicas.

O resultado é uma procura muito grande por parte dos estudantes. Para conseguir uma vaga no Cefet é preciso passar por um vestibulinho acirrado. A concorrência do último exame, por exemplo, foi de 18 candidatos por vaga.


SIMONE IWASSO



8 Colégio Santa Cruz
SÃO PAULO


Situado no Alto de Pinheiros, em um terreno de 50 mil metros quadrados, o colégio de 57 anos tem 3 mil alunos no curso regular - 704 no ensino médio - e 450 no curso de educação de jovens e adultos (EJA), oferecido gratuitamente no período noturno.

A pedagogia humanista da instituição se propõe a desenvolver nos estudantes o domínio crítico do conhecimento, a consciência política e a ação social. Além da grade de atividades extracurriculares, como teatro, prática musical, treinamentos esportivos, palestras e debates, a escola tem como parte do currículo a participação em ações comunitárias.

"Os alunos podem optar por realizar essas atividades na capital ou em comunidades carentes do Amazonas, do Pará ou com o quilombolas de Ubatuba", conta o vice-diretor, Fabio Luiz Marinho.

O colégio utiliza material apostilado próprio e o complementa com livros didáticos e paradidáticos.

Para alunos do ensino médio, há cursos extracurriculares de redação e aulas avançadas de todas as disciplinas, que permitem o aprofundamento nas áreas de interesse de cada aluno. "Um diferencial é que nossas aulas têm duração de 75 minutos para que o professor possa desenvolver atividades mais elaboradas."

A mensalidade para o ensino médio é de R$1.655. É realizado um processo seletivo para o ingresso de novos alunos, com provas de português, matemática e redação.


KARINA TOLEDO



9
Colégio Etapa
SÃO PAULO



Com foco na preparação para o vestibular, o colégio aposta na avaliação continuada dos estudantes. No ensino médio, quatro provas e um simulado são aplicados semanalmente. "Isso estimula o aluno a estudar todos os dias", afirma o coordenador Edmilson Motta.

Quase metade dos 2.300 alunos da instituição são do ensino médio. Para eles, há projetos de ensino diferenciados, voltados, por exemplo, para aqueles que pretendem prestar vestibular para carreiras concorridas como medicina ou para instituições como Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

"Investimos na orientação profissional, promovendo visita a empresas e palestras com profissionais para que os alunos conheçam melhor a carreira que pretendem seguir." A participação em olimpíadas de matemática, química e outras disciplinas é fortemente estimulada. "Há ainda outras atividades extracurriculares como clube de cinema e de leitura, idiomas, treinamentos esportivos e aulas de atualidades", conta Motta.

Outro diferencial por ele apontado são os convênios com duas instituições de ensino na França. "Todos os anos encaminhamos um determinado número de alunos para cursar a graduação nessas universidades. Também temos um sistema para orientar os interessados em estudar em países como Estados Unidos e Japão."

Novos estudantes interessados em ingressar no colégio devem passar por uma entrevista e análise do boletim escolar. Há também uma prova para avaliar o nível de conhecimento do aluno. A mensalidade do ensino médio é de R$ 1.655.


KARINA TOLEDO


10
Col. Agostiniano Mendel
SÃO PAULO



Com mensalidades em torno de R$ 1 mil, o colégio católico localizado no Tatuapé (zona leste) é um dos mais acessíveis entre as instituições particulares da capital cujos estudantes tiveram melhores desempenhos no Enem. Na definição da própria direção, trata-se de um colégio conservador, que prioriza o rigor e a disciplina em todas as etapas de ensino - infantil, fundamental e médio.

No Agostiniano Mendel, os alunos são obrigados a usar uniforme. Piercings e acessórios chamativos são proibidos - garotos não podem usar brinco, por exemplo. Celulares em sala de aula também são banidos e podem resultar até em expulsão. Aulas de religião são obrigatórias em todos os anos - apesar disso, o colégio abriga também estudantes oriundos de famílias de outras religiões, como espíritas, budistas, agnósticas e ateias.

O foco da escola é a preparação para o vestibular - e o orgulho do colégio é aprovar todos os anos pelo menos dois ou três candidatos em medicina ou Direito na USP. Seguindo um currículo parecido com o das grandes redes associadas a cursinhos, como Anglo, Objetivo e Etapa, no Agostiniano todo o conteúdo do ensino médio é ministrado nos dois primeiros anos.

O terceiro ano do ensino médio é dedicado a uma revisão dos conteúdos, além das aulas extras específicas para alguns processos seletivos, como o do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Agostiniano tem lista de espera. Para entrar, é preciso passar por um processo seletivo - prova e entrevista na companhia dos pais.

Siemens prevê investir US$ 600 milhões no País


O expressivo crescimento alcançado no Brasil em 2008, de 33%, e um faturamento líquido de R$ 4,6 bilhões chamaram a atenção da gigante alemã Siemens , que na última semana realizou no País uma reunião mundial de diretoria, sob o comando do presidente do grupo, Peter Löscher.

Siemens prevê investir US$ 600 milhões no País

- Na fábrica em Jundiaí, no interior de São Paulo, uma agitação pouco comum toma conta do lugar. Diversos seguranças se apressam e não desgrudam dos radiocomunicadores. Organizam a saída dos diversos carros pretos, de luxo, colocados em fila. Neles embarcam, dois a dois, os membros da alta cúpula da gigante alemã Siemens, que seguem o líder mundial da companhia em sua primeira visita ao Brasil. O movimento tem motivo: há 11 anos não se realizava um evento desse porte, com toda a diretoria mundial reunida no País. O encontro reforça o reposicionamento como uma empresa de infraestrutura, não apenas mundialmente mas também no País, aproveitando os investimentos anunciados pelo governo para este segmento nos próximos anos. Além disso, eleva o País dentro da estrutura global ao posto de um cluster, condição normalmente dada a um grupo de países. Apenas Alemanha, Canadá, Estados Unidos e Japão também são considerados, individualmente, cluster.

Em entrevista exclusiva à Gazeta Mercantil, o presidente mundial do grupo , Peter Löscher - que desde junho de 2007 assumiu o comando da companhia, após a eclosão dos escândalos sobre pagamentos de propina em diversos países -, fala sobre a posição do Brasil como mercado-chave para o crescimento da Siemens e como a reestruturação organizacional implementada entre 2007 e 2008 preparou a empresa para enfrentar a crise global.

Primeiro executivo não alemão a assumir a direção da companhia e sem ter feito carreira no grupo, o austríaco Löscher elogiou a atuação da equipe nacional, que fez a operação crescer quatro vezes mais que o PIB brasileiro. O presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, destacou que após ter investido US$1 bilhão no País, nos últimos cinco anos, a empresa prevê investimentos de US$ 600 milhões nos próximos quatro anos. A seguir a entrevista.

Gazeta Mercantil - Por que depois de diversos anos sem uma visita da direção mundial, um presidente da Siemens e seus principais executivos vieram ao Brasil?

Löscher - O Brasil é um grande e importante mercado em crescimento para nós, um cluster-chave na organização global. No último ano foi o país de crescimento mais rápido no mundo dentro do grupo e acreditamos no futuro do Brasil e também que a estratégia da empresa - focada em eficiência energética, cuidados com a saúde e automação industrial - responde às mais altas necessidades básicas de infraestrutura do País. O Brasil obviamente foi afetado pela crise, como qualquer outro lugar do mundo, mas tem uma demanda de mercado muito forte, tem um claro programa de estímulo governamental, e está ficando mais forte, segue em frente e por isso nós queremos dar o suporte para o crescimento do País.

Gazeta Mercantil - O que significa transformar o Brasil em um cluster?

Löscher - Para o Brasil significa maior visibilidade global. É uma clara indicação de que vemos o potencial do País, seja do ponto de vista do mercado doméstico, seja da perspectiva da pesquisa e desenvolvimento, desenvolvendo produtos. E vai além do Brasil, com exportações dentro da região e para outras regiões.

Gazeta Mercantil - Qual o resultado da reunião no Brasil?

Löscher - Tivemos um bom diálogo sobre quais são as oportunidades de crescimento agora no Brasil, quais os principais projetos e que recursos vamos aplicar aqui. Vamos continuar a acelerar o crescimento do Brasil, mesmo durante a crise. Nosso objetivo é claramente continuar a desenvolver significativamente nosso negócio versus o PIB brasileiro. Tenho muito orgulho que nos últimos cinco anos, o Sr. Primo e sua equipe conseguiram crescer quatro vezes o crescimento do PIB brasileiro e esta é hoje a base em que construímos nosso futuro no Brasil.

Primo - O foco da reunião da diretoria foi justamente o Brasil. Nós investimos nos últimos cinco anos, considerando novas plantas, extensão de linhas de produção, P&D (Pesquisa e desenvolvimento), investimos quase US$ 1 bilhão. E nossa expectativa nos próximos quatro anos é investir algo em torno de US$ 600 milhões, em novas plantas, novas linhas, infra-estrutura da própria planta.

Gazeta Mercantil - Qual a principal área de investimento?

Primo - Basicamente, indústria e energia são as áreas que consomem maior percentual de investimentos.

Gazeta Mercantil - E em equipamentos médicos?

Primo - Estamos discutindo neste momento com a matriz a possibilidade de podermos ter uma linha de produtos voltados para solução low end (equipamentos com menos funções e, por isso, de custo mais baixo), também para a área de cuidados com a saúde, como ultrassom. Já temos o Raio X e estamos buscando outros produtos para atender este mercado. Na Europa você precisa muito mais de high end e aqui ainda tem áreas que precisam de soluções low end. Temos de nos beneficiar das vantagens que temos aqui: é um país de baixo custo, mão de obra ainda barata, de qualidade. Temos excelentes institutos de pesquisa com o quais mantemos parcerias no País. Essas são vantagens competitivas que a Siemens, como uma companhia global, utiliza em operações no mundo todo.

Gazeta Mercantil - Como a companhia foi afetada pela crise?

Löscher - A crise é uma grande oportunidade para nós. Porque a Siemens é uma empresa que foi fundada há 162 anos, muito forte em propor inovação. Estamos em 190 países do mundo. Muitas outras empresas estão começando a olhar para os países emergentes agora. Estamos no Brasil desde 1867 (o primeiro cliente foi Dom Pedro II, que solicitou uma linha telegráfica entre o Rio de Janeiro e a província de São Pedro, hoje o Rio Grande do Sul, num total de 1.650 km), na Rússia desde 1853, na China desde 1864, na Índia desde 1867 também. Em muitos dos países emergentes estamos presentes há mais de 100 anos. Então temos uma forte posição de liderança nesses mercados, com uma estratégia global de inovação. E essa crise é uma grande oportunidade para ampliar a liderança. A companhia está contratando 100 dos melhores talentos, em diversos países. O Brasil é um grande exemplo da diversidade da nossa força de trabalho, usamos o talento brasileiro para o nosso negócio global. Somos capazes de ligar a diversidade de talentos globais em mais de 190 países.

Gazeta Mercantil - Mas no quarto trimestre de 2008, que corresponde ao primeiro trimestre do ano fiscal da Siemens, a companhia registrou uma redução de 8% nos novos pedidos em comparação com igual período de 2007, sendo que as maiores divisões do grupo, indústria e energia, apresentaram as maiores quedas, de 11% e de 6%, respectivamente....

Löscher - Isso não é verdade. Energia continua a crescer muito, muito forte e conduz o crescimento, com aumento do faturamento no primeiro trimestre do nosso ano, que foram os três últimos meses do ano passado. Continuamos a ter uma forte performance em todos os nossos negócios. Naquele momento nós vimos sinais de que a divisão industrial está caindo, e antecipamos, em comunicado, que os negócios de ciclo curto têm sido evitados após a crise, como negócios de iluminação e de automação industrial. Mas, ainda há uma forte demanda e performance na divisão de energia. E uma das razões pelas quais a Siemens está em uma situação privilegiada é porque temos um bom mix de negócios de ciclos curtos e longos, 70% de ciclo longo e 30% de ciclo curto e há um balanço de oportunidades.

Gazeta Mercantil - O Sr. considera que tenha havido ou que ainda possa haver alguma perda devido ao escândalo de corrupção que a Siemens enfrentou entre 2006 e 2007?

Löscher - Nós claramente demonstramos que isso ficou para trás, que é coisa do passado. Nós enfrentamos um momento difícil, mas conseguimos altas taxas de crescimento. Mostramos os dados corporativos, cada registro, o que fosse necessário, e, portanto, isso ficou esclarecido e superado e não deve afetar os negócios futuramente.

Gazeta Mercantil - O que a Siemens faz para evitar problemas semelhantes no futuro?

Löscher Nós somos reconhecidos como líderes globais devido à forma como organizamos a nossa verificação de compliance (termo corporativo que se refere ao comportamento ético nos negócios). E fomos reconhecidos por órgãos independentes, como o índice de sustentabilidade do Dow Jones. Em 2007 tínhamos zero pontos e em 2008 obtivemos 93 pontos nos códigos de conduta de compliance, o que nos tornou líderes globais em compliance. Nossos esforços foram reconhecidos externamente pelos consumidores e por fontes independentes.

Gazeta Mercantil - A reestruturação operacional da companhia, de alguma forma, a ajudou a enfrentar a crise que o mundo atravessa agora?

Löscher - Totalmente. O grande benefício que tivemos é que, ao definir nossa linha estratégica, com foco em energia, automação industrial e cuidados com a saúde, nós organizamos a operação global e a simplificamos para torná-la mais próxima dos consumidores, tornando os consumidores próximos das fábricas, e para ter mais agilidade nos processos de tomada de decisões. Nós finalizamos este processo no ano passado e reduzimos nossos custos com a redução de camadas na nossa organização global e, em seguida, entramos na crise, significativamente mais forte que muitos outros competidores. E este é, atualmente, um dos nossos principais benefícios que nos deixa em forma para enfrentar o cenário atual. Nós vamos anunciar no dia 29 (hoje) que estamos focados em otimizar a nossa cadeia de suprimentos global.

Gazeta Mercantil - Então a Siemens reencontrou sua vocação?

Löscher - Siemens está forte, tem uma linha estratégica e está bem-preparada para enfrentar a crise. Este é o motivo pelo qual acreditamos que vamos passar bem por esta crise. A crise chegou à Siemens, mas a Siemens não está na crise como muitos dos nossos concorrentes, esta é a diferença.

Gazeta Mercantil - O retorno do foco no negócio entre empresas significa que a Siemens não teve uma boa experiência com o consumidor final?

Löscher - De maneira nenhuma. Mas decidimos fortalecer a posição como uma companhia de infraestrutura, onde somos líderes. A Siemens é a melhor em soluções para grandes projetos estruturais, com uma diversificada área de atuação: mobilidade, eficiência energética, diagnósticos. Nosso foco em ser provedor de infraestrutura, isso é clareza de estratégia.

Gazeta Mercantil - Quais são os planos para cada uma das divisões?

Löscher A Siemens hoje é uma gigante de infraestrutura verde. Temos € 19 bilhões no portfólio verde, um dos maiores e mais amplos na área ambiental em todo o mundo, e esta é a maior estratégia da companhia em todas as áreas. Dois terços dos negócios em que estamos, globalmente, somos número um ou número dois. A Siemens investe € 3,8 bilhões em Pesquisa e Desenvolvimento, dos quais cerca de um € 1 bilhão no portfólio verde, que tem mais de 38 inovações por dia. Investimos continuamente em inovação para o futuro.

Gazeta Mercantil - Em que tipo de inovação verde a Siemens foca seus esforços?

Löscher - Em geração de energia, por exemplo, fabricamos a turbina mais eficiente do mundo. Somente este ano, evitamos a emissão de carbono correspondente a 10 mil carros médios dirigindo 20 mil quilômetros por ano, é um enorme ganho de eficiência. Temos a mais eficiente linha de transmissão HVBC (corrente direta de alta voltagem). Em consumo de energia, temos um grande foco em eficiência, com tecnologias de construção e de iluminação que podem reduzir em, por exemplo, 20% o consumo de energia, há muitas soluções neste sentido.

Gazeta Mercantil - Como o Brasil entra nesta estratégia?

Primo - O Brasil é um país em que boa parte da matriz energética vem de energias renováveis. Temos um centro de competência para a área de açúcar e etanol, para usinas hidroelétricas. Também estamos desenvolvendo soluções para a área de saneamento e para a Petrobras tornar as plataformas mais eficientes. Então, estamos atrelados a esta política global dando uma contribuição local. Evidentemente temos todo o suporte da operação global, mas desenvolvemos aqui soluções locais adaptadas às necessidades regionais. E isso deve ser levado ao exterior. Já estamos exportando a área de açúcar e álcool para países da América Latina e Central e esse expertise foi desenvolvido aqui. A fábrica de Jundiaí está desenvolvendo chaves seccionadoras para a Índia. Ou seja, o centro de competência é aqui, nós desenvolvemos para a nossa operação na Índia. Acho que o Brasil tem muito mais a desenvolver nesta área de produtos ecologicamente corretos.

Gazeta Mercantil - Qual é a estratégia para a divisão de saúde?

Löscher - Em cuidados com a saúde, a Siemens é a única com um portfólio completo em toda a cadeia de diagnósticos, in vitro (exames laboratoriais) e in vivo (imagens), e estamos ligando estas duas áreas em uma solução integrada em tecnologia da informação. Estamos otimizando o fluxo de trabalho clínico via web para os clientes. Nos últimos anos investimos mais de € 10 bilhões nesta área e durante a crise queremos continuar a ser um parceiro em inovação nesta área.

Gazeta Mercantil - Qual é o foco de pesquisa nesta área?

Löscher - Estamos trabalhando para identificar doenças mesmo antes de os sintomas aparecerem, para identificar a origem da doença em nível molecular. Temos tecnologias que permitem aos médicos identificar marcadores genéticos que podem mostrar a propensão de um indivíduos a determinada doença. E neste esforço, temos trabalhado junto com as empresas farmacêuticas para sermos capazes de identificar as doenças como câncer e Alzheimer em um estágio bem inicial. Poderemos identificar essas doenças antes mesmo de os sintomas aparecerem. E aí seremos capazes de indicar um tratamento que funcione para aquele paciente. Então estaremos em um nível de diagnóstico sob medida associado ao tratamento sob medida. Isso mudará o paradigma de como tratamos as doenças hoje.

Gazeta Mercantil - A sua carreira na indústria farmacêutica o ajuda na posição atual?

Löscher - Sem dúvida. Mas a estratégia não depende de mim, já fazia parte da Siemens há muito tempo, faz mais de uma década que a Siemens pesquisa soluções de diagnósticos continuamente. Obviamente que, com a minha vinda, pude dar total suporte para a decisão estratégica que a Siemens já havia estabelecido antes. A chave é que nossas pesquisas e desenvolvimentos globais estão liderando pesquisas e desenvolvimentos para reconhecer esses campos e trabalhar muito próximo com as pesquisas dos laboratórios e podem tornar este novo paradigma uma realidade.

Gazeta Mercantil - No início do ano, a Siemens informou que reduziria investimentos em ampliação da capacidade. Houve um rearranjo?

Löscher - O que dissemos é que obviamente reduzimos investimentos de capital (capex) globalmente. Buscamos encontrar uma orientação do ponto de vista das prioridades globais. Há diversos aspectos que procuramos avaliar. Mas vamos continuar a investir no Brasil, que é um mercado em contínuo crescimento, vamos continuar a investir no futuro da nossa operação Brasil, e apostar no mercado, em energia, no trem de alta velocidade, em todas as nossas áreas, e em pesquisa e desenvolvimento.

Gazeta Mercantil - Como a crise afeta as margens da companhia? Houve alguma mudança nas metas?

Löscher - Obviamente nesta crise avaliamos desempenhos em bases trimestrais. Até agora em suas bases totais, as nossas metas não foram modificadas.

28 de abril de 2009

PF busca 21 por desvio de verbas no interior do Maranhão


A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), desencadeou, na manhã desta terça-feira, 28, a operação Rapina IV, cujo objetivo é desarticular uma quadrilha especializada no desvio de verbas públicas nas cidades de Montes Altos, São Pedro da Água Branca e Governador Edison Lobão, no interior do Estado do Maranhão.

De acordo com a PF, cerca de 170 policiais federais, com apoio de 25 analistas da CGU, saíram às ruas para cumprirem 21 mandados de prisão temporária, 42 mandados de busca e apreensão, além de 15 mandados de condução coercitiva, expedidos pela Justiça Federal no Maranhão.

Esta operação, que é um desdobramento da Rapina III (2009), foi deflagrada a partir de um inquérito policial que tramita na Superintendência de Polícia Federal no Maranhão, desde o ano de 2007.

Ainda segundo a PF, a investigação, que durou um ano e meio, teve por objetivo apurar responsabilidade criminal de integrantes de organização criminosa em atividade na região tocantina do Estado do Maranhão, especializada na produção de licitações e prestações de contas fraudulentas.

Conforme apurado pelos dois órgãos, as três prefeituras fraudavam licitações, balancetes contábeis e utilizavam notas fiscais falsas das empresas de fachada investigadas com objetivo de encobrir desvios e apropriações ilícitas de recursos públicos oriundos da União por meio de convênios, fundos e planos nacionais. O esquema era coordenado por prefeitos e outros servidores públicos de municípios da região, contando ainda com a participação de escritórios de contabilidade e empresários.

Nesta etapa da investigação, apurou-se um prejuízo de cerca de R$ 14 milhões aos cofres públicos de valores repassados pela União aos três municípios.

Até o momento, foram contatados os vários crimes, como falsificação de documento público, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, uso de documento falso, peculato, emprego irregular de verbas públicas e formação de quadrilha ou bando, além de fraude a licitação e lavagem de dinheiro.

Lula reforça aposta no mercado interno para reativar economia


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou as apostas no mercado interno como principal elemento para reativar a economia brasileira, deixando claro que a recuperação dos mercados internacionais é bem-vinda e esperada, mas ainda uma incerteza. Ontem, no programa semanal de rádio "Café com o Presidente", Lula destacou as ações tomadas pelo governo, desde o ano passado, para garantir o acesso ao crédito e reativar a economia. "O que existe são medidas concretas para motivar o consumidor brasileiro a consumir, o comércio a vender e a indústria a produzir. Isso vai gerar emprego, vai gerar renda", declarou o presidente.

"Precisamos ter tranquilidade, continuar trabalhando com muita seriedade, sabendo que a crise é profunda", afirmou Lula. Mas também houve espaço para o otimismo que marcou as primeiras declarações do Presidente sobre a crise. "O Brasil continua sendo um país com maiores possibilidades de sair dessa crise muito fortalecido."

Na avaliação do presidente os efeitos da crise foram superestimados no Brasil. "Houve um pânico na sociedade. De tanto se falar de crise e mostrar o que estava acontecendo nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, houve, por parte dos brasileiros, um certo bloqueio na compra de produtos que, em uma situação normal, eles continuariam comprando", afirmou.

Segundo Lula, ao perceber essa tendência, o governo "tomou todas as medidas necessárias para que a crise fosse amenizada e começássemos a extirpar a crise no Brasil".

O presidente destacou que a primeira atitude foi liberar os depósitos compulsórios para irrigar o mercado de crédito com lastro interno. Aliás, Lula afirmou que a crise atingiu o Brasil principalmente por conta da ausência de crédito no mercado internacional. "Tínhamos 30% do crédito brasileiro tomado em dólares por empresas brasileiras e, de repente, esses dólares desapareceram", afirmou. O presidente disse torcer para que a crise diminua nos países ricos, argumentando que "se eles estiverem bem, a economia mundial tende a estar melhor", disse, mas focando o seu discurso no que foi feito internamente.

Além da liberação do compulsório, Lula destacou o reforço de R$ 100 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil e a aquisição de 50% do Banco Votorantim também pelo BB. "Colocamos dinheiro para ajudar os bancos pequenos a voltarem a funcionar o setor produtivo, sobretudo o capital de giro, colocamos dinheiro na agricultura brasileira", disse. Lula destacou a manutenção das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o aumento dos investimentos da Petrobras e o lançamento do programa habitacional que prevê a construção de 1 milhão de novas moradias.

Segundo Lula, fatores como o aumento da produção da indústria automobilística em março e o aumento de oferta de crédito pela Caixa Econômica Federal no primeiro trimestre deste ano são provas do sucesso do plano de aquecimento da economia interna.

Consumo reage e sobe 5% sobre fevereiro


O consumo brasileiro de energia elétrica caiu 0,4% em março deste ano na comparação com o mesmo mês de 2008. Apesar de ainda ser uma variação negativa, a demanda por eletricidade teve recuperação em relação ao comportamento do consumo verificado nos meses de fevereiro, janeiro e dezembro, quando a taxa mensal registrou baixa de 4,4%, 4,6% e 1,8%, respectivamente, na comparação anual. Em relação a fevereiro, o consumo total de eletricidade em março de 2009 cresceu 5,2%.

"Este é o primeiro mês desde dezembro em que o consumo de energia está subindo (na comparação com o mês anterior)", afirmou à Gazeta Mercantil Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia. "É um sinal de retomada", avaliou o executivo. Em relação a fevereiro, o consumo total de eletricidade em março de 2009 cresceu 5,2%.

Para este ano, a EPE mantém sua projeção de crescimento de 1,2% no consumo sobre 2008, para 397 mil gigawatts-hora (GWh).

O recuo menos expressivo na demanda por energia em março foi atribuído por Tolmasquim pelos sinais de recuperação da indústria nacional, que representa cerca de 46% do consumo total do País, em um momento de crise financeira. Em março, o consumo de eletricidade no setor produtivo, apesar de ter sido 10,5% abaixo do resultado do mesmo mês de 2008, superou os números de fevereiro deste ano em 6,2%. "O grande fator que ocasionou essa mudança no mês de março foi a indústria", ressaltou Tolmasquim. "O mercado industrial de energia elétrica mantém sinais de recuperação, movimento que continua desde o mês passado", afirmou a EPE em comunicado.

Segundo Tolmasquim, levando em conta o período entre 2004 e 2009, é possível observar que março deste ano teve a maior alta, ou seja, o maior ritmo de crescimento dos últimos anos. Considerando apenas as variações de demanda elétrica do setor industrial, segundo o presidente do órgão estatal, a taxa de março deste ano "é praticamente o dobro da taxa média que tem sido verificada" desde de 2000. "Olhando os últimos meses de março na comparação com fevereiro, o crescimento médio do consumo industrial foi de 3%. Neste ano, a ascensão foi de 6,2%", comparou.

No entanto, de acordo com o presidente da EPE, parte deste crescimento se deu por conta da baixa base comparativa verificada em fevereiro deste ano. "De fato há um efeito de base, mas há uma forte reversão da curva", comentou o executivo. "É como se tivéssemos chegado ao fundo do poço, e agora estamos subindo", completou.

Questionado sobre se o crescimento industrial será mais expressivo neste mês de abril, Tolmasquim é enfático: "Os resultados de março são um sinal, mas não dá para dizer como será o comportamento do mês seguinte", avaliou.

No mercado livre (sem vínculo com uma distribuidora e que reúne grandes indústrias), o consumo por energia, que desde outubro de 2008 apresentou mês a mês valores decrescentes, reverteu a trajetória e fechou março com alta de 7,9% na comparação com fevereiro de 2009. "Aparentemente, em março houve uma reversão ao que ocorreu no início da crise financeira", disse Tolmasquim. "Não dá para dizer se isso é um episódio isolado ou se vai continuar daqui em diante", insistiu.

Residencial e comercial

Os setores residencial e comercial apresentaram crescimentos de demanda superiores a 10% na região Sudeste do País, "influenciando os resultados nacionais. No geral, houve aumento de 10,3% no consumo residencial e de 8,6% no comercial", segundo a EPE. "Os segmentos residencial e comercial foram os menos afetados pela crise financeira mundial e o consumo de energia é prova disso", disse Tolmasquim. "As pessoas não pararam de consumir", completou. "Estas altas taxas continuam sustentadas pelo acréscimo do nível de renda e fortalecimento do mercado interno verificados nos últimos anos", afirmou o comunicado da Empresa de Pesquisa Energética.

Números do trimestre

O consumo total de energia elétrica fechou o primeiro trimestre deste ano com redução de 3,1% sobre os mesmos meses de 2008, somando 93.858 GWh. "O baixo patamar do consumo de energia elétrica industrial no primeiro trimestre teve forte influência no resultado", disse a EPE em seu comunicado.

Comparando a demanda de janeiro a março de 2009 com os mesmos meses de 2008, a retração no setor industrial chegou a 12,5%. "No trimestre, a queda do consumo de energia industrial alcançou todas as regiões. No consolidado, o volume consumido retornou ao patamar de 2005", disse a EPE. Por outro lado, os segmentos residencial e comercial seguiram apresentando crescimento. O consumo nas residências teve alta de 5,9% no trimestre, sobre o primeiro trimestre de 2008, enquanto a demanda no segmento comercial subiu 5,3% no mesmo período de comparação.

Balança supera previsões e eleva superávit para US$ 5,5 bilhões


O saldo comercial da última semana de abril elevou o superávit acumulado no ano para US$ 5,557 bilhões. A cifra cresceu 33% sobre os US$ 4,170 bilhões apurados até a quarta semana de abril de 2008, segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) revelados ontem.

Apenas na última semana, entre os dias 20 e 26, o saldo ficou positivo em US$ 880 milhões, resultado gerado pelas exportações de US$ 2,493 bilhões e importações de US$ 1,613 bilhão. No acumulado do mês, as exportações somaram US$ 9,4 bilhões e as importações US$ 6,9 bilhões. Com isso, o saldo comercial ficou em US$ 2,5 bilhões. Em igual etapa do ano passado, a balança comercial tinha sido prejudicada pela greve dos auditores fiscais da Receita Federal.

O saldo comercial registrado na última semana deste mês superou as expectativas de analistas de mercado que elevaram suas apostas para o fechamento do mês. O economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa Faria, aumentou a previsão para o fechamento do mês de US$ 2 bilhões para US$ 2,957 bilhões. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) acredita que o saldo do mês ficará próximo de US$ 3 bilhões.

Apesar do saldo mais robusto no acumulado do ano, a corrente de comércio caiu US$ 20 bilhões no acumulado deste ano em razão da crise financeira mundial. As exportações somam US$ 40,671 bilhões, contra os US$ 50,436 bilhões obtidos em igual período do ano passado. Já as importações atingem US$ 35,114 bilhões, ante os US$ 46,266 bilhões apurados até a quarta semana de abril de 2008.

A LCA mantém, por enquanto, a aposta para o fechamento do saldo comercial em 2009, em US$ 14 bilhões. É mais pessimista do que a mediana da Pesquisa Focus, cuja estimativa é de US$ 16 bilhões, a mesma previsão da semana passada. Para 2009, porém a pesquisa Focus mostra que o mercado elevou a aposta de US$ 14 bilhões para US$ 15 bilhões.

Outro ingrediente de última hora pode prejudicar os negócios é a gripe suína que representa uma ameaça à corrente de comércio mundial este ano, segundo os economistas.

"A gripe suína pode vir a ser uma ameaça à balança comercial", analisou o economista da LCA Consultores. Ele lembrou do efeito da crise da gripe aviária em 2006 - ano marcado pela contaminação de aves domésticas e silvestres em diversos países - que, apesar de o foco de H5N1 não ter chegado ao Brasil, o surto derrubou as vendas de carnes no mundo.

O economista da Tendências Consultoria Integrada, André Saconatto, também acredita que a gripe suína deve surtir efeitos negativos sobre a balança comercial no decorrer de 2009. A Tendências Consultoria mantém as previsões para o saldo comercial para o fechamento deste ano, em US$ 21,8 bilhões. As apostas são de exportações de US$ 158 bilhões e importações de US$ 136 bilhões.

O pior da crise já passou, diz Abílio Diniz


O pior da crise já passou. Foi com este título que foi publicada uma entrevista com um dos mais respeitados empresários do Brasil, Abílio Diniz, dono do Grupo Pão de Açúcar . O mais surpreendente é que realmente o Brasil tem-se diferenciado da maioria dos outros países, quanto aos impactos causados pela crise financeira mundial. As notícias de consumo não poderiam ser melhores, na média o aumento do consumo tem subido 10% se comparado com o mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, muitas indústrias têm sofrido, sim, diretamente os impactos da redução da economia, principalmente as indústrias que têm grande dependência das exportações ou que sejam geradoras de produtos de bens mais caros. As grandes consequências, no Brasil e, principalmente, nos países desenvolvidos, tem sido o tão preocupante desemprego.

Os dados mundiais acabam sendo alarmantes. No mês de março, os Estados Unidos divulgaram que seu nível de desemprego havia subido para 8,1%, desde que a recessão teve início. Mais 4,4 milhões de pessoas ficaram sem trabalho, o maior nível em 25 anos. Há uma forte percepção de que as chances de os novos desempregados encontrarem outros postos de trabalho são as piores, desde que foram iniciados os registros, há 50 anos. Na China, 20 milhões de migrantes já foram despedidos, o que significa 3% da força de trabalho. Outro país que está sofrendo muito os impactos mundiais é a Espanha, que em janeiro estava com um nível de desemprego no patamar de 14,8%.

Transporte escolar ganhará 3,3 mil barcos


Depois dos ônibus escolares, o governo federal programa a encomenda de 3,3 mil embarcações para uso, principalmente, na região amazônica. Desse total, 3 mil serão lanchas, além de 300 catamarãs. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia ligada ao Ministério da Educação, dispõe este ano de R$ 100 milhões para comprar embarcações dentro do programa Caminho da Escola.

Barco para transporte escolar terá R$ 100 milhões do FNDE este ano

O governo federal acerta a encomenda de 3,3 mil embarcações para uso no transporte escolar, principalmente, na região amazônica e no litoral. A compra faz parte do programa "Caminho da Escola", administrado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia ligada ao Ministério da Educação.

De acordo com José Carlos Wanderley Dias de Freitas, diretor de administração e tecnologia do FNDE, o governo já conta com recursos de R$ 100 milhões para investir no projeto neste ano. Os primeiros barcos serão entregues até dezembro.

Freitas afirmou que viaja na próxima semana à Base Naval de Val-de-Cães (BNVC), Organização Militar da Marinha sediada em Belém, para aprovar o primeiro modelo de embarcação - uma adaptação das Lanchas de Ação Rápida (LAR), utilizadas pela Marinha para serviços na Amazônia.

Com capacidade para 16 alunos, as lanchas serão destinadas a populações ribeirinhas ou moradores de ilhas no litoral, que precisam de transportes curtos e rápidos. O valor final de cada embarcação ainda não foi definido, mas pode custar por volta de R$ 50 mil.

Além disso, o governo também projeta a construção de 300 barcos catamarãs. Eles teriam capacidade para até 35 alunos e também serviriam de sala de aula, em casos de enchentes. Com um grande convés, os catamarãs poderão ser adaptados como salas de aula, uma vez que serão equipados com quadro negro e cadeiras fixas.

As lanchas serão construídas na Base Naval de Val-de-Cães, em Belém pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), empresa de capital público que presta serviço para o Ministério da Defesa.

De acordo com o diretor do FNDE, em consulta feita a diversos estaleiros em todo o País, não houve interessados no projeto. Segundo Freitas, o tipo de embarcação não atraiu empresas nacionais, mais focadas nas grandes embarcações ou em iates e lanchas de grande porte voltados ao luxo.

Para Freitas, mesmo não atraindo o interesse privado, o programa tem dimensões jamais vistas no País. "Nunca houve a encomenda de cerca de 3 mil unidades de lanchas. A construção das embarcações vai gerar muitos empregos", disse;

O programa "Caminho da Escola" foi criado em 2007 com o objetivo de renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais.

PadronizaçãoO programa também busca a padronização dos veículos de transporte escolar, a redução dos preços dos veículos e o aumento da transparência nessas aquisições.

O FNDE, em parceria com o Inmetro oferece a prefeituras e estados veículo com especificações exclusivas, próprias para o transporte de estudantes, e adequado às condições de da zona rural brasileira.

O programa consiste na aquisição, por meio de pregão eletrônico, de veículos padronizados para o transporte escolar. No ano passado, foram comprados 2,2 mil ônibus. Neste ano, o programa prevê a compra de 10 mil ônibus.

27 de abril de 2009

JPMorgan vê oportunidade no Brasil


o JPMorgan busca aproveitar oportunidades para ampliar mais sua participação no promissor mercado brasileiro, diz Steven D. Black, um dos dois homens mais importantes da área de banco de investimento global em sua quarta visita ao país. Nicolas "Gucho" Aguzin, presidente do banco de investimento do JPMorgan para América Latina e no Brasil, vê uma desaceleração no país em 2009, que poderá forçar alguns bancos concorrentes a saírem do mercado. "Entretanto, os fundamentos de médio e longo prazos continuam fortes e apontam para uma rápida recuperação do Brasil nos anos subsequentes."

Black vê oportunidades no país nas áreas de corretagem de renda fixa e variável, assessoria às fusões e aquisições e de estruturação e venda de títulos de dívida e ações para clientes. Aguzin reconhece que o mercado de emissões públicas iniciais de ações permanece com pouca atividade, mas acredita que algumas companhias brasileiras "de qualidade" lançarão ações em 2009.

Segundo Aguzin, as empresas brasileiras vão continuar a acessar o mercado de dívida por meio da emissão de eurobônus com sucesso, como demonstrado pela Telemar e pela JBS. "Adicionalmente, as melhor capitalizadas terão uma oportunidade única de consolidar suas indústrias e de se expandir para fora do Brasil", afirma. Hoje, o JPMorgan tem 300 funcionários no país.

Com os olhos de um legítimo representante de Wall Street, Black considera que é até mesmo difícil dizer que o Brasil está em crise. Afinal, segundo percebeu ele, no país o debate é se as taxas de crescimento da economia serão ligeiramente positivas ou ligeiramente negativas, enquanto nos Estados Unidos, um dos países mais afetados pela retração, as apostas de queda no Produto Interno Bruto ficam entre 4% e 5%.

Lula vai à China em busca de novos investimentos


A visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará no mês que vem à China buscará resolver entraves comerciais e marcará o lançamento de uma iniciativa conjunta de satélites sobre a África, num momento em que Brasília e Pequim buscam ampliar sua aliança estratégica para além do comércio.

O presidente Lula visitará Pequim em meados de maio, pela segunda vez em seu governo. O governo brasileiro espera que a viagem amplie as relações e leve a investimentos significativos dos chineses no país, além de mais exportações de produtos industrializados nacionais, e não só de matérias-primas.O comércio bilateral disparou desde a primeira visita de Lula, em 2004. A China é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, de onde compra principalmente soja e minério de ferro, e vende produtos industrializados. As relações comerciais se mantiveram sólidas apesar da crise global atual.

23 de abril de 2009

PF se isenta de ligação com relatório sobre Victor Martins


As investigações realizadas pela Polícia Federal do Rio já confirmaram que não foi preparado por nenhum de seus órgão o chamado "relatório de inteligência", com acusações ao diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Victor Martins, irmão do ministro Franklin Martins.


A PF, porém, ainda não tem como dizer se as informações contidas no documento são verdadeiras ou falsas. Ela só poderá afirmar isso ao dar prosseguimento à investigação sobre os reajustes dos repasses de royalties a alguns municípios, o que está sendo feito em inquérito aberto em novembro de 2007, que estava paralisado. O inquérito foi remetido à Procuradoria da República e, apesar de já liberado pelo procurador Marcelo Freire com mais 30 dias para as investigações, ainda não chegou à Delegacia Fazendária.

A informação de que o relatório - que chegou a ser noticiado como peça da Diretoria de Inteligência da PF - não foi preparado dentro do departamento será divulgada oficialmente pelo superintendente da instituição no Rio, Ângelo Gióia, na próxima semana. Nos próximos dias, a polícia quer concluir as investigações sobre a elaboração do relatório e sua divulgação à imprensa. Admite-se na superintendência que o documento saiu da ANP. Mas essa hipótese ainda precisa ser confirmada, assim como a avaliação de que pode se tratar do fruto de uma disputa política.

O documento tinha as mesmas características de documentos de inteligência policial, dando detalhes dos chamados "suspeitos", apresentando fotos e dados pessoais. Ele acusa Martins de beneficiar com aumentos dos repasses de royalties municípios que teriam contratado a assessoria da empresa Análise Consultoria, da qual ele e a mulher, Josenia Seabra, são sócios.

O documento também afirma que o ex-assessor de Martins na ANP, o engenheiro Newton Simão, deixou o órgão e foi trabalhar na consultoria Petrobonus. A empresa é responsável pelo pedido de reajuste dos royalties de Angra dos Reis, que acabou sendo atendido pela ANP.

O documento apontado como "relatório de inteligência" não constava do inquérito aberto para apurar os aumentos nos repasses de royalties, até ele ser noticiado no início do mês. A notícia dizia ser um relatório preparado pela inteligência da Polícia Federal que tinha sido entregue ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e por ele engavetado.

Deputados fazem, em 2 anos, 1.885 voos para o exterior


No período de janeiro de 2007 a outubro de 2008, os deputados utilizaram a cota de passagens da Câmara para fazer nada menos do que 1.885 viagens internacionais, segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco. Isso equivale a 89,8 viagens internacionais por mês, pagas com as verbas destinadas, em tese, para custear os deslocamentos desses parlamentares de Brasília para seus Estados de origem. Esse ritmo representa, praticamente, a emissão de três bilhetes por dia para o exterior.


A prática de usar esse expediente para viajar ao exterior se disseminou entre os parlamentares, abrangendo mais da metade do total de integrantes da Câmara. Ao todo, 261 dos 513 deputados - 51% deles - acumularam créditos que teriam direito pelas viagens que não fizeram para seus Estados e trocaram isso por passagens internacionais.

Os bilhetes não foram aproveitados apenas por políticos, mas também por seus parentes e por terceiros, nem sempre identificados pelos parlamentares que emitiram a passagem.

CUSTO

A despesa com essas viagens também não foi baixa. Apenas nesse período de 21 meses, essas passagens internacionais custaram aos cofres públicos R$ 4,7 milhões, sendo R$ 3 milhões no valor dos bilhetes e R$ 1,7 milhão em pagamento de taxas de embarque. Uma média de gastos de R$ 226,9 mil mensais com esse tipo de despesa.

Nos roteiros internacionais escolhidos pelos políticos e seus parentes aparecem apenas 13 cidades como destino: Miami e Nova York (Estados Unidos); Paris (França), Londres (Inglaterra), Roma e Milão (Itália), Bariloche e Buenos Aires (Argentina), Madri (Espanha), Frankfurt (Alemanha), Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Caracas (Venezuela).

O campeão desses deslocamentos foi o deputado Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS), que emitiu 40 passagens internacionais através do sistema. Outros 17 deputados fizeram mais de 20 viagens para o exterior.

Álcool já custa menos de R$ 1


O litro do álcool já pode ser comprado por menos de R$ 1 em pelo menos 13 cidades paulistas, incluindo a capital. Segundo a pesquisa semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a cidade com álcool mais barato na semana passada era Franca: R$ 0,939. A tendência de preços baixos deve se manter, dizem especialistas, já que a safra de cana-de-açúcar está apenas no início.


Na capital, o litro do álcool custava, em média, R$ 1,266 na semana passada, diz a ANP. Em alguns postos, porém, os pesquisadores da agência encontraram o combustível por menos de R$ 1. O preço mais baixo encontrado na cidade foi de R$ 0,980.

As outras cidades que tiveram preços abaixo de R$ 1 foram Americana, Atibaia, Bauru, Campinas, Itápolis, José Bonifácio, Mogi-Guaçu, Olímpia, Ourinhos, Santa Bárbara D?Oeste e Sertãozinho.

Na média nacional, o litro do álcool hidratado está sendo vendido a R$ 1,465, 2,85% menos do que um mês antes. Em relação a dezembro, caiu 3,1%.

A redução nas bombas, porém, ainda é bem inferior à das usinas: entre a última semana de dezembro e a semana passada, o litro do álcool hidratado vendido pelas usinas ficou 9,3% mais barato.

De todo modo, espera-se que os preços ainda experimentem alguma queda nas próximas semanas. A expectativa é de safra recorde e o mercado externo não deve comprar álcool brasileiro como se esperava.

"Em época de início de safra, os preços costumam ser baixos mesmo. Não há perspectivas de aumento", disse o vice-presidente executivo do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz.

Esse cenário preocupa o setor sucroalcooleiro, que se endividou para investir em produção e agora tem de conviver com margens em baixa. A situação pode piorar caso o governo opte por reduzir os preços da gasolina, com repasse às bombas.

Na semana passada, o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Marcos Jank, disse que "qualquer redução seria muito ruim para nós". O setor confia na competitividade ante o derivado de petróleo para manter o nível de vendas.

Além disso, articula-se para obter ajuda do governo federal. Um dos pontos em debate é o aumento da mistura de álcool anidro na gasolina, hoje no limite legal de 25%.

Há entendimentos de que uma medida provisória poderia ampliar o limite para até 30% ou um pouco menos, dependendo de análise técnica feita pelas montadoras.

17 de abril de 2009

MEC quer saída do reitor da Ulbra para solucionar crise financeira que paralisou atividades


Deputados estaduais e federais do Rio Grande do Sul se reuniram hoje (16) com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para pedir que o ministério intervenha na atual crise financeira enfrentada pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

A instituição particular tem cerca de 140 mil alunos e possui diversos campi dentro e fora do estado. Os professores estão em greve e as atividades letivas parcialmente paralisadas. Segundo os parlamentares, os funcionários e professores da instituição não recebem pagamentos há três meses. Por decisão judicial, as contas da Ulbra foram bloqueadas.

Haddad afirmou que o ministério não pode interferir diretamente na situação porque a Ulbra é particular e constitucionalmente a pasta só tem responsabilidade pelas instituições federais de ensino superior. Entretanto o ministro marcou para a semana que vem uma reunião com o Ministério Público Federal e com o juiz que está cuidando do caso para discutir uma solução para o problema. Durante a reunião, os parlamentares informaram que já há três pedidos de intervenção para que o atual reitor, Ruben Becker, seja retirado da direção.

O ministro disse que há dois meses teve uma reunião com o reitor da Ulbra em função dos rumores sobre uma possível falência da instituição. Becker teria dito que a situação estava sob controle e desde então se recusou a falar com o ministro novamente. A universidade é filantrópica e, segundo Haddad, a crise financeira é resultado de má gestão.

“Nós vamos ter que lidar com essa situação infelizmente sem o apoio da atual direção. Nós estamos diante de um quadro em que o atual dirigente da instituição não tem a menor condição de continuar à frente dela, sob pena de que o problema se agrave ainda mais”, disse.

Dois estudantes do curso de medicina da Ulbra também estiveram presentes na reunião e entregaram um documento a Haddad pedindo que o ministério tome as providências cabíveis no caso. Segundo eles, além de as aulas terem sido suspensas, os quatros hospitais universitários da Ulbra estão sendo fechados. Os parlamentares informaram que 10 mil alunos já pediram transferência em função da crise

“Não tem condições de nós continuarmos os estudos, a situação está insustentável. Nós não vemos perspectivas de a atual gestão continuar, visto que eles não estão conseguindo resolver a crise”, disse Cleber dos Santos Júnior, vice-presidente do centro acadêmico de medicina. Ele contou que a mensalidade do curso é em torno de R$ 5 mil.

Segundo o ministro, só de imposto de renda dos funcionários que deveria ser retido na fonte, a Ulbra deve ao governo federal R$ 600 milhões.

A presidente da Comissão de Educação da Câmara, deputada Maria do Rosário (PT-RS), disse que agora é necessário esperar uma decisão da Justiça sobre o processo de intervenção. “Nós estamos trabalhando para que o ministério nos ajude e dê apoio aos estudantes, porque eles precisam”, afirmou.

Outra proposta apresentada pelo ministro para solucionar o problema é apresentar ao Ministério da Fazenda uma minuta de projeto de lei ou de medida provisória para extensão dos benefícios da lei de falências, que é a recuperação judicial, a instituições sem finalidades lucrativas, como a Ulbra. Nesse caso, os recursos das mensalidades que hoje estão bloqueados poderiam ser destinados ao custeio e à manutenção da instituição, inclusive no pagamento de professores e técnicos.

Lula e Obama por telefone


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou ontem por 15 minutos, por telefone, com seu colega americano, Barack Obama. A conversa, segundo o Planalto, serviu para acertar detalhes sobre a posição que os dois países levarão para a cúpula de Trinidad e Tobago.

Durante o telefonema, Lula elogiou as medidas de Obama em benefício dos cubanos, mas comentou que Cuba parece esperar mais dos EUA. Lula quis saber o que mais Obama pode apresentar na reunião em favor de Cuba. O líder americano sugeriu que tudo tem de acontecer em uma via de duas mãos. Ele declarou que também tem interesse na aproximação com Cuba, mas precisa de um gesto extra dos cubanos. Obama disse esperar "um passo a mais" dos cubanos "na área de direitos humanos." .

Cobrança do ponto extra da TV paga é proibida


Depois de dez meses de adiamentos e indefinições, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu ontem proibir a cobrança pelo ponto extra da TV por assinatura. Mas as operadoras poderão cobrar pela instalação desse ponto adicional e pela reparação de defeitos. O presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, explicou que essa cobrança pelos reparos será feita eventualmente, quando houver, por exemplo, quebra do decodificador.



As cobranças da taxa de instalação e de reparos poderão ser divididas em parcelas, dependendo de acerto entre o cliente e a operadora. Sardenberg disse que isso dependerá da "criatividade" das empresas. Mas ressaltou que essa criatividade não pode ser transformada em uma mensalidade fixa. " A cobrança não é automática. É preciso que haja eventos."

O presidente da Anatel disse que a TV por assinatura é um serviço prestado pelo regime privado e que, portanto, a agência não fixa preços. Mas, em casos de abusos, garantiu que a Anatel interferirá.

A decisão da Anatel deverá entrar em vigor na próxima semana, assim que for publicada no Diário Oficial da União. A proibição da cobrança, segundo Sardenberg, valerá também para os atuais contratos. Ou seja, quem hoje paga pelo ponto extra ficará livre da cobrança. Sardenberg esclareceu ainda as empresas não podem cobrar retroativamente pelo decodificador que já está instalado na casa do cliente.

As operadoras sempre foram contra o regulamento. Algumas empresas chegaram a afirmar que o ponto extra representava 20% de sua receita total. As prestadoras disseram até que a gratuidade aumentaria os custos das empresas e impediria avanços dos serviços.

Ontem à tarde, diante dos boatos que circularam no mercado de que a Anatel aprovaria o fim da cobrança, as ações da operadora Net caíram mais de 7% na Bolsa de Valores. Sardenberg, dizendo-se indignado, informou que a Corregedoria da Anatel vai apurar eventuais vazamentos de informação. E disse que a agência está "testando" a realização de reuniões de seu conselho diretor abertas ao público, a exemplo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas que essa não é uma decisão fácil.

LIMINAR

Diante da decisão da Anatel, a liminar da Justiça Federal que mantinha a cobrança perde o objeto, na avaliação de Sardenberg. A liminar, obtida pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), foi emitida até que a Anatel tomasse uma decisão. Ele explicou que não cabe mais recursos no órgão regulador, mas disse que "todo mundo tem o direito de ir à Justiça".

A polêmica começou em junho de 2008, quando a Anatel regulamentou os direitos dos usuários de TV por assinatura. O regulamento proibiu a cobrança do ponto extra, mas permitiu que fossem cobradas taxas de manutenção dos serviços.

Na época, órgãos de defesa do consumidor criticaram o regulamento, afirmando que ele abria brechas para que as operadoras transformassem a taxa de manutenção em uma cobrança mensal, o que levou a agência a cancelar os artigos que tratavam do assunto.
''Não fugimos das obrigações''




A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi duramente criticada ontem, durante audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, principalmente em relação às altas tarifas dos serviços de telefonia fixa e celular e de banda larga. Representantes do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União (TCU) e de órgãos de defesa do consumidor cobraram uma atuação mais voltada ao consumidor.



O subprocurador-geral do Ministério Público Federal, Aurélio Veiga Rios, disse que o brasileiro está pagando uma das tarifas mais caras do mundo. "A percepção do Ministério Público é de que a tarifa está descalibrada em desfavor do usuário", afirmou Rios. O coordenador de assuntos jurídicos do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, Amaury Oliva, afirmou que além das altas tarifas a qualidade dos serviços "deixa a desejar".

O superintendente de Serviços Privados da Anatel, Jarbas Valente, disse que a agência aposta no estímulo à competição para baixar as tarifas. "Não fugimos das nossas obrigações. O processo de redução de preços é uma responsabilidade da Anatel", disse Valente. Entre as medidas de estímulo à competição, Valente citou a licitação da terceira geração do celular, cujas regras obrigaram as empresas vencedoras do leilão a levarem o serviço a todo o País.

O comércio varejista apresentou em fevereiro desempenho positivo pelo segundo mês seguido. Na avaliação de economistas, no entanto, a tendência é de redução do ritmo de crescimento ao longo de 2009. No segundo mês do ano, o volume de vendas do setor avançou 1,5%, em relação a janeiro, quando cresceu 1,8%, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com fevereiro de 2008, houve expansão de 3,8%. Com o resultado, o comércio acumula alta de 4,9% no ano e de 8% nos últimos 12 meses, , segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O que sustentou o desempenho do comércio no primeiro bimestre foi a massa salarial, que ainda não apresentou queda neste ano", comenta Thaís Marzola Zara, a economista da Rosenberg & Associados. Mesmo com a crise, a massa salarial no Brasil aumentou em fevereiro 6,2% em relação ao mesmo mês de 2008, segundo o IBGE

A manutenção do poder de compra e a inflação de alimentos favoreceram as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Com uma expansão acima da média, de 5,6% em fevereiro sobre igual mês do ano anterior, o segmento foi responsável pela principal contribuição (74%) da taxa global do varejo. No acumulado de 12 meses, o crescimento é de 5,2%.

Além da inflação e da renda, com a restrição de crédito, os consumidores reduziram gastos com bens duráveis, liberando o orçamento para compra de produtos básicos, acrescenta Luiz Góes, sócio sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza. Após 65 meses de alta, móveis e eletrodomésticos apresentaram o seu primeiro resultado negativo, queda de 2,1% no volume de vendas em relação a fevereiro do ano passado. Nos 12 meses, entretanto, o segmento acumula crescimento de 12,4%. Para Góes, "aparentemente", o índices de produção industrial apontam para o início de uma reposição de estoques. No entanto, o ritmo é mais lento em setores como o de bens duráveis. "Em alimentos, está mais acentuado, já que o consumidor não está embarcando em parcelamentos de bens duráveis", diz.

A consultoria prevê crescimento de 3,9% do comércio varejista neste ano, puxado, principalmente, pelas vendas dos supermercados. A projeção representa uma forte desaceleração em comparação à taxa de 9,1% registrada em 2008. "Vamos ter outros patamares de crescimento, abaixo de 2007 e do ano passado", afirma o especialista, acrescentando que é preciso considerar que as bases de comparação para 2009 serão muito elevadas.

Thais, da Rosenberg, também projeta um cenário de desaceleração das vendas do varejo. Na sua avaliação, o comércio pode até encerrar 2009 com uma taxa inferior aos 4,9% acumulados no primeiro bimestre. "Deve haver uma piora na massa salarial e podemos até ver queda nas vendas na margem."

Para março, a expectativa é que o desempenho do comércio seja melhor, influenciado pelas vendas de veículos. Em fevereiro, o segmento de carros, motos e peças, beneficiado pela redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), avançou 4,6% em relação a janeiro e 0,1% sobre igual mês de 2008. No caso de material de construção, cujas vendas avançaram 3,8% sobre o mês anterior, mas recuaram 12,8% na relação a fevereiro de 2008, a desoneração pode ter impacto em abril.

16 de abril de 2009

Dilma cobra do PT palanque nos Estados


Em reunião com a bancada do PT na Câmara, na noite de terça-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cobrou mais empenho e agilidade de seu partido para montar palanques nos Estados destinados à campanha de 2010. Diante de uma plateia de petistas, a pré-candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou do relacionamento do partido com a base aliada - considerado aquém do desejado, principalmente com o PMDB - e pediu aos companheiros que arregacem as mangas se quiserem vencer a eleição ao Planalto.

Dilma também declarou apoio ao chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. "Ele é o meu candidato à presidência do PT", afirmou a ministra, sob aplausos. A eleição que vai renovar a cúpula petista ocorrerá em novembro, mas Lula não quer liberar Carvalho para a tarefa.

Mesmo assim, o antigo Campo Majoritário - grupo do presidente, rebatizado de Construindo um Novo Brasil - promete insistir no apelo pelo lançamento da candidatura de Carvalho. Não é só: a corrente já começou a passar um abaixo-assinado entre ministros e parlamentares, pedindo que o chefe de gabinete aceite a missão, sob o argumento de que só ele pode unificar o partido às vésperas da campanha de 2010.

Logo que chegou à reunião da bancada com Dilma, Carvalho contou que em duas conversas com Lula, na quinta-feira e no domingo, o presidente disse preferir sua permanência no Planalto. "Conversamos e ele acha que devo continuar no governo. Não tenho nem por que discutir", argumentou. "Fico feliz com o carinho dos companheiros, mas não devo ter condições de ir (para a disputa). Acho que não." Em conversas reservadas, Lula voltou ontem a falar no nome do presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, para dirigir o PT.

Ao fazer um diagnóstico do cenário político, Dilma disse que os governadores tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) estão "em plena campanha", mas "ninguém fala nada".Estadão

Brasil defende ações afirmativas na ONU


O Brasil conseguiu incluir a defesa de ações afirmativas no projeto do acordo da conferência contra o racismo da ONU. A inclusão do tema está sendo considerada uma vitória diplomática pelo Itamaraty. Mas organizações não-governamentais (ONGs) se queixam do comportamento do Brasil, alegando que o País foi "silenciado" em questões sobre o racismo.

Na segunda-feira, a ONU realiza a conferência contra discriminação racial em Genebra. Será uma revisão do encontro realizado em 2001 pela ONU para tratar do tema, em Durban, na África do Sul.

Ontem, os negociadores apresentaram o que esperam que seja a última versão do texto. Hoje, em Genebra, diplomatas se reunirão para tentar aprovar a declaração e evitar que a conferência acabe se tornando um enfrentamento.

O Itamaraty apresentou a sugestão de que a ONU recomende que ações afirmativas sejam adotadas pelos governos. A Europa deixou claro, nos bastidores, que não aceitava a discussão, já que questões como o estabelecimento de cotas são vistas em Bruxelas como uma "discriminação às avessas". Ontem, o rascunho do acordo, obtido pelo Estado, acabou trazendo a referência às ações afirmativas, ainda que com uma redação mais branda. O Itamaraty garantiu estar "satisfeito" com o resultado.

Segundo o texto, governos são incentivados a adotar "medidas, estratégias ou ações afirmativas e positivas para permitir que vítimas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância garantam seus direitos civis, culturais, econômicos, políticos e sociais". Os europeus insistiram para que as ações afirmativas fossem apenas mais uma entre as várias estratégias. O Brasil aceitou.

Mas as ONGs não ficaram satisfeitas. "O Brasil em 2001 era líder de um processo e encarava qualquer batalha. Hoje, estamos a reboque dos demais"", atacou Jurema Werneck, da entidade Criola. Para ela, "os governos estão tentando aprovar uma nova declaração para parecer que estão fazendo algo". "Em Durban, o Brasil era vocal e defendia seus interesses. Hoje, está recuado", afirmou Guacira Oliveira, do Centro Feminista de Estudo e Assessoria.

Lucia Xavier de Castro, também da entidade Criola, deu o exemplo da defesa dos direitos dos homossexuais como indicação da mudança de postura do Brasil. Ativistas brasileiros pressionaram para que o acordo fizesse referência à proibição de discriminação baseada na orientação sexual. Para Claudio Nascimento, representante da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Intersexo, a discriminação contra essa população é algo de que a ONU precisa tratar. Mas a menção foi freada pelos países muçulmanos, que deixaram claro que não aceitariam sentar à mesa para debater o tema.

Brasil recebe elogios por reação à crise global


reação da América Latina à crise financeira global, com redução do crescimento, mas sem o colapso financeiro e cambial de diversos países, como ocorria no passado, foi um dos pontos de destaque no primeiro dia do Fórum Econômico Mundial no Rio de Janeiro.


O Brasil, particularmente, foi saudado como um dos países relativamente bem preparados para retomar o crescimento, quando o pior da crise passar. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, garantiram que o País, um dos últimos a sentir a crise, será também um dos primeiros a sair dela. "O Brasil vai crescer acima da média mundial", prometeu Meirelles.

Apesar disso, como frisou o presidente da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, a projeção média do mercado para 2009 está em torno de queda de 1% do PIB brasileiro. E, durante o primeiro dia do Fórum, que se encerra hoje, surgiram também pontos de preocupação quanto ao desempenho da América Latina, especialmente a má qualidade dos gastos públicos e a tentação do populismo.

O presidente Lula, referindo-se aos países em desenvolvimento e particularmente à América Latina, disse que "não criamos o problema (da crise global), mas somos parte da solução". No mesmo tom quase ufanista, Ricardo Vilella, executivo-chefe para a América Latina do Itaú-Unibanco, foi além, afirmando que a região é uma "exportadora de estabilidade financeira" para o resto do mundo, com seus bancos bem capitalizados. "Não tivemos ativos podres", acrescentou. O presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, comentou que todos sofrem com a crise, "mas a doença não está aqui."

Mas não foram só elogios ao Brasil e à América Latina. Javier Santiso, diretor do Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apresentou um relatório sobre as Perspectivas Econômicas da América Latina, centrado na questão fiscal. O documento mostra que o efeito de melhora na distribuição de renda causado pelos impostos e pelos gastos dos governos dos países da OCDE é dez vezes maior do que o mesmo efeito na América Latina. A OCDE é uma organização que reúne os principais países desenvolvidos e alguns emergentes.

Santiso notou ainda que os países latino-americanos, especialmente o Brasil, vêm ampliando os gastos em educação e diminuindo a distância neste indicador em relação à OCDE. Ainda assim, os resultados de testes internacionais dos alunos da região ainda estão muito abaixo dos da OCDE, e também dos emergentes do Leste Asiático.

Já Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), disse que está preocupado com a qualidade da política econômica na região: "Há um cheiro de populismo no ar, e me preocupa que alguns países possam ir mais longe no populismo. Devemos ser mais cautelosos."

14 de abril de 2009

Miguel do Rosário é o cara


1) Protógenes prendeu, sozinho, Daniel Dantas?
2) Protógenes possuía um feudo na PF, que lhe permitiu reunir, sozinho, informações sobre Daniel Dantas?
3) Protógenes está agindo com profissionalismo, responsabilidade e inteligência, ao participar de seminários, conferências, entrevistas coletivas, prejulgando Daniel Dantas e atrapalhando as investigações?
4) Protógenes é o único agente respeitável da PF?
5) A Satiagraha foi a única operação da PF nos últimos anos?
6) Protógenes sabe de tudo?
7) A perseguição à Protógenes é um fato?


1, 2 e 3) Não, Protógenes não prendeu sozinho Dantas. Teve colaboração de dezenas, quiçá centenas de outros policiais federais. Teve ajuda de juiz e assessores de juízes, de promotores públicos, de funcionários das mais diversas áreas da segurança pública. Se vamos dar mérito ao Protógenes por ter encabeçado a operação Satiagraha, seria injusto esquecermos de diluir essa honra com todos os outros. A mídia elegeu apenas Protógenes como herói. Por que não entrevista os outros delegados que participaram da Satiagraha? E por que eles não falam nada? Por que tem medo? Por que são mais responsáveis? Por que sabem que um agente da lei não deve prejulgar, porque isso pode atrapalhar o processo? Protógenes, ao fazer discursos públicos chamando Dantas de bandido está agindo com uma leviandade, com uma ingenuidade, imperdoáveis. Não me espanta, portanto, que o PSOL o esteja sondado para entrar no partido, e que o PHA tenha defendido (ironia?) sua candidatura para presidente da república, tendo Luciana Genro como vice. Eu adoro o PHA, mas ele tem a sua opinião, eu tenho a minha, e o fato de divergirmos, é um fator democrático. Em alguns casos, eu acredito que tenho razão e ele não. Não é por ele ser mais "famoso", que vou abaixar a cabeça.

4) Não. Seguramente, existem centenas, quiçá milhares de outros policiais dignos de respeito na corporação policial. Nenhum deles está na tribuna fazendo discursos para a mídia, incendiando o país. Ao mesmo tempo, também há muitos policiais corruptos. Assim como juízes. Com certeza, há uma banda podre na PF que está sendo inflamada por Gilmar Mendes, Daniel Dantas e mídia. Policiais e juízes que vinham sendo postos de lado, em virtude das grandes operações sendo feitas nos últimos anos, resolveram botar suas asinhas de fora, e agora estão fazendo a sua festinha particular.

5) Não. A Satiagraha foi uma dentre centenas de operações de grande magnitude empreendidas pela Polícia Federal, que já prenderam governadores, desembargadores, juízes, empresários, políticos. Operações que têm incomodado muito os poderosos com alguma culpa no cartório.

6) Não. O Protógenes não sabe de tudo. Os podres poderes por trás de Daniel Dantas seguramente vão além da imaginação do valoroso delegado. Por isso mesmo esse é um caso para ser continuado pelas altas instâncias do Ministério da Justiça, da própria Presidência da República e do Ministério Público, além de jornalistas investigativos idôneos (Mino Carta, Bob Fernandes) e todos os indivíduos, empresários ou não, que foram massacrados pelo rolo compressor de Daniel Dantas.

7) Bem, esperamos mais informações. Até onde sei, a única "perseguição" foi ter revistado o apartamento de hotel do Protógenes. As pessoas estão comparando isso com a ditadura militar, quando se torturava medievalmente, quando corpos desapareciam, e quando havia uma censura total na imprensa. Todos se tornaram, de uma hora para outro, "especialistas" em Polícia Federal. Afirmam que querem saber porque fulano foi afastado e beltrano, transferido. Acho que cada um pode ter a opinião que quiser. Mas também acho que a Polícia Federal não é uma instituição midiática, e não deve satisfações à mídia, nem à opinião pública sobre seus problemas internos. O que ela devia ter feito ela fez: investigou Dantas, reuniu milhares de documentos, prendeu o banqueiro. Gilmar Mendes foi lá e soltou. Surgiram complicações no processo. Houve vazamentos suspeitos. A corregedoria resolveu investigar. Vai investigar quem. Vai investigar todos os policiais envolvidos. Está certo. E aí a mídia cria um novo herói, e a esquerda, ou jornalismo alternativo, cai no conto de fadas do super-herói e surfa na onda anti-lulista patrocinada pela mídia.

O que não entendo é o seguinte. Se é ridículo considerar Lula um herói, ele, com toda a sua história e seus 64 milhões de votos, não seria igualmente ridículo converter o jovem Protógenes num super-homem? Não apoio o Lula por ver nele um santo ou um herói, mas por ele representar um conjunto de forças políticas que apóio. Se descobrirem amanhã que Lula é um tremendo safado ladrão, ficarei chateado, mas não me arrependerei do apoio que dei a ele. Minha confiança em Lula não é cega. E agora vejo as pessoas confiando cegamente em Protógenes? Por que? Por que prendeu Dantas? Mas, já disse, ele não prendeu sozinho! Foi uma equipe, foi a Polícia Federal! Santificar Protógenes é extremamente idiota Empresto apoio político, não confiança ética. Entre um Hitler honesto e um Churchill ladrão, quem você escolheria? Meu apoio à Polícia Federal, portanto, é estratégico e político, porque acompanho todas as operações efetuadas pela PF e vejo, com meus olhos, que ela está combatendo os grandes corruptores nacionais, incluindo Dantas, que ELA PRENDEU! A PF PRENDEU DANTAS, SUA FAMÍLIA, OS DIRETORES DE SUA EMPRESA, PRENDEU SEUS AMIGOS PITTA E NAJI NAHAS! Não foi o Protógenes que prendeu. Foi a Polícia Federal.

Outra bobagem perniciosa, a meu ver, é amarrar o destino do Brasil à prisão de Dantas. Estão agora querendo transformar a prisão de Dantas numa redenção ética, moral, social e política! Ora, bobagem. Não há redenção. Se houve alguma vez redenção no mundo, foi há 2008 anos, quando Cristo nasceu. De lá pra cá, não houve. Nenhuma revolução ou governo foram perfeitos. A revolução francesa decepou cabeças inocentes, inclusive de seus líderes mais sagrados, Danton e Robespierre. Getúlio Vargas, figura fundamental para a industrialização brasileira, ligou-se a figuras altamente suspeitas, como Gregório Fortunato, e seu filho foi acusado de graves crimes de corrupção e tráfico de influência (e várias linhas de investigação levam a crer que foi ele, o filho de Vargas, o arquiteto da tentativa de asassinato de Carlos Lacerda).

Não há santos no mundo. Nem Lula, nem Protógenes. Nem sábios. Todos nós somos confusos e loucos. Por isso, acho melhor termos humildade e enxergarmos as situações com mais calma. Se Lula pôde ser posto à prova por meses e meses de investigação, CPIs de fim de mundo, matérias jornalísticas, e até hoje é insultado diariamente pelos grandes meios de comunicação, porque Protógenes não pode ter seu quarto de hotel revistado? Por acaso, alguém o está torturando num pau-de-arara? Não acho que Protógenes seja um coitadinho. Com a visibilidade e notoriedade que ganhou, poderá escrever livros bombásticos e ganhar rios de dinheiro. Poderá viajar para o Castelo de Caras. Poderá entrar para a política. É um cara jovem, bonito, inteligente, corajoso, um funcionário público federal que ganha 10 mil reais por mês, com acesso pleno à toda mídia brasileira. Não precisa de nossa pena. Há milhões de brasileiros pobres, sem dente, sem emprego, sem casa, sem mídia (sem mídia!), e temos uma crise financeira internacional gravíssima batendo em nossa porta. Vocês querem que o presidente Lula se preocupe com quem: com esses milhões ou com Protógenes?

http://oleododiabo.blogspot.com/2008/11/super-protgenes-para-presidente.html

Governo federal libera R$ 1 bi para municípios


O governo anunciou ontem que vai compensar os municípios com até R$ 1 bilhão pelas perdas com a arrecadação federal. O valor leva em conta o patamar de transferência do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) obtido no ano passado, de R$ 51,3 bilhões. A medida atinge todos os municípios.

O governo acena com aumento do valor do repasse se houver mais perdas no FPM ao longo do ano, mas a avaliação da Presidência e da equipe econômica é que o pior já passou. "A perda se deu nos três primeiros meses do ano e em abril deve haver um pouco, mas achamos que não vamos gastar esse dinheiro todo", disse o Ministro Paulo Bernardo (Planejamento) a jornalistas. Nesses quatro meses, os municípios perderam cerca de R$ 600 milhões, segundo o governo.

A medida foi discutida nas reuniões de coordenação política, com a presença de Ministros e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do Conselho Político, com a equipe do governo e os partidos que formam a coalizão.

A redução dos repasses federais aos municípios se deu com a queda na arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - que foi reduzido para veículos e materiais de construção - além da desaceleração da economia como um todo em função da crise.

O governo enviará uma medida provisória ao Congresso para estabelecer os parâmetros da compensação e um projeto de lei tratará da transferência do dinheiro, que sairá do Tesouro. "Se amanhã a diferença se acentuar, o governo vai dar um crédito complementar", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que espera votar o projeto em uma semana.

O Ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) disse que a decisão vai deixar os prefeitos satisfeitos, uma vez que eles reivindicavam a reposição de recursos levando em conta a média dos últimos três anos do FPM, enquanto o governo optou pelo valor de 2008, que foi recorde. "Não tem do que se queixar. É o melhor FPM da República", disse Múcio, que adiantou que ainda nesta semana o governo vai se debruçar sobre o problema dos Estados. O principal é garantir saídas de financiamento para propiciar investimentos, prevê.

Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), por conta das desonerações do IPI e do Imposto de Renda anunciadas pelo governo federal em 2009, as prefeituras deixaram de receber desde o início do ano R$ 2,1 bilhões.

Casa própria mais barata


O governo destinará até R$ 1 bilhão para ajudar os municípios a enfrentarem a crise econômica. Além disso, levará o programa que prevê a construção de 1 milhão de casas populares a todas as cidades brasileiras e não apenas àquelas com pelo menos 100 mil habitantes, tal qual previsto inicialmente. As duas medidas foram acertadas ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião com o chamado conselho político, formado por líderes de partidos aliados. Realizado no Centro Cultural Banco do Brasil, o encontro também contou com a participação dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais).

A ajuda financeira será custeada pelo Tesouro Nacional. Por determinação de Lula, será feita de modo a garantir que todos os municípios recebam neste ano pelo menos o mesmo valor do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) liberado no ano passado. Em 2008, foram desembolsados R$ 51,3 bilhões do FPM, o maior valor da história. Do R$ 1 bilhão fechado ontem, Paulo Bernardo diz que já está certa a transferência de cerca de R$ 500 milhões a fim de compensar a redução nos repasses verificada entre janeiro e abril. O dinheiro sairá do caixa da União cinco dias depois de o Congresso autorizar a operação.

Para tanto, deputados e senadores terão de aprovar uma medida provisória (MP) com as regras do auxílio financeiro e um projeto que libera o crédito suplementar. Os dois textos ainda serão assinados pelo presidente. Líderes governistas pretendem votá-los em até uma semana depois de encaminhados pelo Executivo. “Os prefeitos pleiteavam um piso igual à média do FPM dos últimos três anos. O presidente quer manter o clima de investimentos no Brasil. Marcamos um golaço”, disse Múcio. Se fosse adotada a média, a ajuda seria inferior. “O governo está dando às prefeituras a garantia do pico do FPM, a garantia do tempo das vacas gordas”, reforçou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Ordem presidencial
Se dependesse da equipe econômica, só os municípios cujas receitas dependem principalmente do FPM seriam socorridos. Lula, no entanto, determinou a ajuda geral e irrestrita. “Não é certo tocar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) enquanto tem prefeito que não consegue pagar o salário do funcionalismo”, declarou o presidente, conforme relato de um líder. O outro meio bilhão só será repassado às prefeituras caso se repita a redução no repasse do FPM de maio a dezembro. O ministro do Planejamento apostou ontem que isso não ocorrerá. “As perdas serão muito fortemente localizadas até abril”, afirmou Bernardo.

Por pressão dos partidos aliados, sobretudo do PMDB, Lula aceitou ontem que o programa Minha Casa, Minha Vida beneficie todos os 5.564 municípios do país. Aos líderes, o presidente deixou claro, no entanto, que pedirá à Caixa Econômica Federal que só feche contratos com cidades nas quais há déficit de moradias. Outra concessão está prestes a sair do forno devido ao lobby dos parlamentares. Trata-se da flexibilização das regras da MP que trata da renegociação das dívidas dos municípios com o INSS. Relatora do texto, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) quer, por exemplo, fixar um prazo de um ano para que as prefeituras comecem a pagar os débitos previdenciários.
 

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