6 de novembro de 2008

Buraco do Kassab



Um enorme buraco foi aberto na madrugada de hoje em duas faixas da rua João Teodoro, no sentido bairro-centro antes do cruzamento com a avenida do Estado, no Bom Retiro, região central da cidade de São Paulo. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), as faixas da esquerda e central da João Teodoro foram bloqueadas, porque ocorre no local vazamento de água e gás.

Ministro do Meio Ambiente sofre pressão de todos os lados, diz 'Washington Post'


O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, "sofre pressões de todos os lados", diz o jornal americano Washington Post, em sua edição desta quinta-feira.

Em entrevista concedia ao jornal, o ministro diz que é "um ecologista dentro do governo, mas é do governo" e que equilibrar estes dois papéis se mostrou difícil.

O ministro conta que sofre pressões "todo dia, o dia todo, nas mais diferentes formas imagináveis" para aprovar projetos que têm impacto ambiental.

O artigo cita como exemplo a suspensão, em setembro, do processo de licenciamento da estrada que liga Porto Velho a Manaus.

Minc diz que queria garantir que o projeto incluísse a criação de suficientes áreas protegidas em volta da estrada, e pediu que fosse levada em conta a possibilidade da construção de uma ferrovia, ao invés de uma auto-estrada.

"Este projeto é um sonho do Ministério dos Transportes. Eles querem isto o mais depressa possível. Eles querem a licença (ambiental) amanhã. Eles estão nos pressionando", disse Minc ao jornal, garantindo: "Eu mantive minha decisão. Sem proteção suficiente, eu não darei a licença."

'Che Guevara'

O jornal americano lembra o passado de militância esquerdista do ministro brasileiro na década de 60, e diz que ele tinha "metas grandiosas em seus anos de juventude", quando ambicionava ser um "Che Guevara". "Mas nos primeiros seis meses como principal autoridade ambiental, Minc, 57 anos, descobriu que o nível de combate neste cargo burocrático é mais do que suficiente" em sua trajetória.

Minc assumiu o cargo em maio, depois da repentina renúncia de Marina Silva, que "conquistou status de ícone nos círculos ambientais por sua defesa da maior floresta tropical do mundo", e sentiu que logo começaram as cobranças, diz o diário.

"Em sua primeira semana no cargo, ele (Minc) lembra que foi indagado em uma reunião de autoridades ambientais mundiais em Bonn, na Alemanha, se a Amazônia iria 'se transformar em poeira' durante sua gestão", lê-se no Washington Post.

Desde então, a administração do ministro "tem sido marcada por uma tendência a gestos ousados, mas controvertidos", como o envio de soldados para confiscar gado em áreas desmatadas ilegalmente e a inclusão do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) na lista que divulgou dos cem maiores desmatadores do país.

"Cada medida que eu adoto está na TV. Eu não tenho vergonha do que eu faço", diz Minc. "Você precisa criar exemplos. Você precisa da TV. Ou as pessoas acham que podem destruir a floresta e não vai acontecer nada."

Segundo o jornal, Minc causa controvérsia entre os ativistas pelo meio ambiente. Stephan Schwartzman, especialista em Amazônia do Fundo para a Defesa Ambiental em Washington disse que "ainda é cedo para julgar, mas é certo que Minc sucede a uma ministra do Meio Ambiente que deixou um legado incrível".

'Otimismo cauteloso'

"Vários ambientalistas disseram que mantém um otimismo cauteloso até agora de que Minc não pretende se afastar radicalmente das políticas de (Marina) Silva, embora alguns expressem preocupação de que ele parece mais disposto a aprovar projetos de desenvolvimento de larga escala planejados no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", de acordo com o Washington Post.

"Minc disse que espera ser criticado por todos os lados e às vezes acha isso útil. Pressão de grupos ambientais ajudam-no a exigir mais concessões de empresas e do governo", afirma o artigo.

O artigo termina com uma avaliação de Paulo Adário, do Greenpeace. "Eu acho que ele está fazendo um bom trabalho. Nós temos que levar em conta que quando Marina Silva deixou o Ministério e Minc foi convidado a assumir, foram colocadas muitas exigências sobre seus ombros. Todo mundo agora quer soluções para vários problemas diferentes", diz Adário.

CPI recebe 18 mil álbuns da web suspeitos de pornografia


O Google Brasil entregou ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, em Brasília, 18.330 álbuns do Orkut suspeitos de conter imagens de pornografia infantil. Os endereços eletrônicos, solicitados em 2 de julho, foram identificados com base em denúncias enviadas à ONG SaferNet. O presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), espera identificar até 8 mil pedófilos que atuam na maior rede virtual de relacionamentos do País, com 27 milhões de usuários.

O próximo passo será identificar os IPs (os computadores dos usuários) e quebrar o sigilo telefônico dos suspeitos.? Malta disse que os novos dados, em conjunto com a aprovação pela Câmara dos Deputados hoje de uma legislação mais rígida contra a pedofilia, permitirão fazer a maior operação policial já vista no País contra abusos infantis. ?E não será uma ação qualquer, como ocorre hoje, só com buscas e apreensões. Qualquer proprietário de qualquer computador que distribuir ou guardar pedofilia poderá ser preso.?

O diretor de Comunicação do Google Brasil, Félix Ximenes, disse que a empresa acatou uma ordem da comissão. ?Entregamos o material porque a CPI tem poder de investigação e de polícia?, afirmou ele, ao destacar que a companhia está disposta a colaborar. ?Se for comprovada qualquer irregularidade, excluiremos os usuários.? Entre os denunciados há perfis ativos e inativos

Leia a íntegra do primeiro discurso de Barack Obama após a vitória



Oi, Chicago. Se alguém ainda duvida que a América é um lugar onde tudo é possível, pergunta se o sonho dos pioneiros está vivo em nossos tempos e questiona o poder da nossa democracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta das filas que cercaram escolas e igrejas em números que essa nação nunca havia visto. [É a resposta] das pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas pela primeira vez em suas vidas, porque acreditavam que agora precisava ser diferente, que as suas vozes podiam fazer diferença.

É a resposta de jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, gays, heterossexuais, deficientes e não-deficientes. Americanos que enviaram ao mundo a mensagem de que nós nunca fomos somente uma coleção de indivíduos ou uma coleção de Estados vermelhos e azuis. Nós somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.

É a resposta que motivou aqueles que ouviram por tanto tempo e de tanta gente que era preciso ser cínico, medroso e cético em relação ao que poderiam conquistar até colocar a mão no arco da história e abraçá-lo uma vez mais na esperança de dias melhores.

O caminho foi longo, mas esta noite, graças ao que fizemos nesse dia de eleição, nesse momento decisivo, a mudança chegou à América. Há alguns instantes, recebi um telefonema extraordinariamente gracioso do senador McCain. Ele lutou muito e por muito tempo nesta campanha.

Ele lutou ainda mais e por mais tempo ainda por esse país que ama. Ele enfrentou sacrifícios pela América que a maioria de nós nem pode começar a imaginar. Nós estamos melhores graças ao serviços desse líder corajoso e altruísta.

Eu o parabenizo e parabenizo a governadora Palin por tudo o que eles conquistaram. Estou ansioso por trabalhar com eles e renovar a promessa da nação nos próximos meses.
Eu quero agradecer ao meu parceiro nessa jornada, ao homem que fez campanha com o coração e falou pelos homens e mulheres ao lado de quem cresceu nas ruas de Scranton e com os quais andou de trem a caminho de Delaware: o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

E eu não estaria aqui nesta noite sem o incansável apoio da minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a pedra-angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama dessa nação: Michelle Obama. Sasha e Malia [filhas de Obama], eu amo vocês mais do que podem imaginar. E vocês mereceram o cachorrinho que irá morar conosco na nova Casa Branca.

E, embora ela não esteja mais entre nós, sei que minha avó está nos vendo, ao lado da família que me fez ser quem eu sou. Eu sinto falta deles nesta noite.
Sei que minha dívida com eles está além de qualquer medida.

À minha irmã Maya, à minha irmã Alma, a todos os meus outros irmãos e irmãs, muito obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a eles.

E agradeço ao meu chefe de campanha, David Plouffe, o herói anônimo que construiu aquela que eu considero a melhor campanha política da história dos EUA.

[Obrigado] ao meu estrategista-chefe David Axelrod, que tem sido um companheiro em cada passo desse caminho. [Obrigado] à melhor equipe de campanha na história da política -vocês fizeram isso acontecer, e eu serei eternamente grato pelos sacrifícios que vocês fizeram para chegarmos lá.

Mas, acima de tudo, eu nunca esquecerei a quem essa vitória realmente pertence. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês. Eu nunca fui o candidato favorito na disputa por esse cargo. Nós não começamos com muito dinheiro ou apoios.

Nossa campanha não nasceu nos corredores de Washington. Ela nasceu nos quintais de Des Moines, nas salas de estar de Concord e nos portões de casa de Charleston. Ela foi construída por homens e mulheres trabalhadores que sacrificaram as pequenas poupanças que tinham para doar US$ 5, US$ 10 ou US$ 20 à [nossa] causa.

Ela [a campanha] cresceu por impulso dos jovens que rejeitaram o mito da apatia da sua geração e trocaram suas casas e suas famílias por empregos que ofereciam baixo salário e [poucas horas de] sono. Ela tirou suas forças de pessoas não tão jovens assim que bravamente enfrentaram frio e calor para bater às portas de estranhos, e dos milhões de americanos que se voluntariaram e se organizaram e provaram que, mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra. Essa é a nossa vitória.

E eu sei que vocês não fizeram isso só para ganhar uma eleição. Eu sei que vocês não fizeram tudo isso por mim.

Vocês fizeram isso porque entendem a grandiosidade da tarefa que nos espera. Por mais que comemoremos nesta noite, entendemos que os desafios que de amanhã são os maiores de nossos tempos -duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui nesta noite, sabemos que há corajosos americanos acordando no deserto do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscar suas vidas por nós. Há mães e pais que ficam acordados depois de os filhos terem dormido, se perguntando como poderão pagar suas hipotecas e consultas médicas, ou poupar o suficiente para financiar os estudos dos filhos. Há novas energias para explorar, novos empregos para criar, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para consertar.

O caminho será longo. Nossa subida será íngreme. Nós talvez não cheguemos lá em um ano ou mesmo em um mandato. Mas, América, nunca tive mais esperança do que hoje de que chegaremos lá. Eu prometo a vocês que nós, como pessoas, chegaremos lá. Haverá atrasos e inícios em falso.

Muitos não irão concordar com todas as decisões ou políticas que eu adotarei como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas.
Mas eu sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que enfrentaremos. Eu os ouvirei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, eu peço que vocês participem do trabalho de reconstrução desta nação, do jeito que tem sido feito na América há 221 anos -bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada por mão calejada.

O que começamos há 21 meses em pleno inverno não pode terminar nesta noite de outono. Esta vitória isolada não é a mudança que buscamos. Ela representa apenas a oportunidade de fazermos a diferença. E isso não vai acontecer se voltarmos ao modo como as coisas eram. [A mudança] não pode se feita sem vocês, sem um novo espírito de serviço, um novo espírito de sacrifício. Então alcemo-nos até um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, graças ao qual cada um de nós irá se levantar e trabalhar ainda mais e cuidar não apenas de si mesmo mas também dos outros.

Vale lembrar que, se essa crise financeira deixou algum ensinamento, é o de que não podemos ter uma próspera Wall Street enquanto a Main Street [economia real] sofre.
Nesse país, nós crescemos ou caímos como uma mesma nação, como um só povo. Resistamos à tentação de voltar ao partidarismo, à mesquinhez e à imaturidade que envenenou nossa política por tanto tempo.

Lembremo-nos que foi um homem deste Estado o primeiro a carregar a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre valores de autoconfiança, liberdade individual e unidade nacional.

Esses são valores que todos compartilhamos. E mesmo que o Partido Democrata tenha conseguido uma grande vitória nesta noite, temos uma dose de humildade e de determinação para superar as divergências que têm travado nossos avanços.

Como [o ex-presidente Abraham] Lincoln [1861-1865] havia declarado a uma nação muito mais dividida do que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. A paixão fervente pode ter se acirrado, mas não pode romper nossos elos de afeição. E àqueles americanos cujo apoio eu ainda terei que merecer, eu talvez não tenha ganho seu voto, mas eu ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda. Serei seu presidente também.

E a todos aqueles que nos acompanham nesta noite, para além das nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, àqueles que se reúnem ao redor de rádios, nas esquinas esquecidas do mundo, nossas histórias são únicas, mas nosso destino é partilhado, e uma nova aurora na liderança americana irá surgir.

Àqueles que querem destruir o nosso mundo: nós os derrotaremos. Àqueles que buscam paz e segurança: nós os apoiamos. E a todos que vêm se perguntando se o farol da América ainda brilha como antes: nesta noite nós provamos mais uma vez que a verdadeira força da nossa nação vem não da bravura das nossas armas ou do tamanho da nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inabalável esperança.

Esse é o verdadeiro talento da América: a América é capaz de mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançamos nos dá esperança em relação ao que podemos e ao que precisamos alcançar amanhã.

Essa eleição teve muitos feitos inéditos e muitas histórias que serão contadas por gerações. Mas há uma em especial, que está em minha mente nesta noite, a respeito de uma mulher que votou em Atlanta. Ela poderia ser mais uma entre milhões de pessoas que fizeram fila para terem a voz ouvida nessa eleição, não fosse por um detalhe: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Ela nasceu apenas uma geração após a escravidão; uma época na qual não havia carros nas vias nem aviões nos céus; [uma época] na qual uma pessoa como ela não podia votar por dois motivos -porque era mulher e por causa da cor de sua pele. Nesta noite penso em tudo que ela viu ao longo de seu século na América -as dores e as esperanças, o esforço e o progresso, a época em que nos diziam que não podíamos, e as pessoas que continuaram com o credo: Sim, nós podemos.

Em um tempo no qual vozes de mulheres eram silenciadas e suas esperanças, descartadas, ela viveu para vê-las se levantar e ir às urnas. Sim, nós podemos.
Quando havia desespero nas tigelas empoeiradas e depressão por toda parte, ela viu uma nação conquistar seu New Deal, novos empregos, um novo senso de comunidade. Sim, nós podemos.

Quando bombas caíam em nossos portos e a tirania ameaçava o mundo, ela estava lá para testemunhar uma geração chegar à grandeza, e a democracia foi salva. Sim, nós podemos. Ela estava lá para ver os ônibus em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, a ponte em Selma e um pregador de Atlanta que dizia "Devemos Superar". Sim, nós podemos.

Um homem chegou à Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo foi conectado por nossa ciência e imaginação. Neste ano, nesta eleição, ela [Cooper] tocou o dedo em uma tela e registrou o seu voto porque, após 106 anos na América, atravessando os melhores e os mais escuros dos tempos, ela sabe que a América pode mudar. Sim, nós podemos.

América, nós chegamos de tão longe.

Vimos tanto. Mas há tantas coisas mais para serem feitas. Então, nesta noite, devemos nos perguntar: se nossas crianças viverem até o próximo século, se minhas filhas tiverem sorte suficiente para viver tanto quanto Ann Nixon Cooper, quais mudanças elas irão ver?

Quanto progresso teremos feito? Chegou a nossa hora de responder a esse chamado. É o nosso momento.

Esse é nosso tempo de devolver as pessoas ao trabalho e criar oportunidade para nossas crianças; [tempo de] restaurar a prosperidade e promover a paz; de reavivar o sonho americano e reafirmar a verdade fundamental de que, em meio a tantos, nós somos um; de que, enquanto respirarmos, temos esperança. E onde estamos vai de encontro ao cinismo, às dúvidas e àqueles que dizem que não podemos. Responderemos com o brado atemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.
Obrigado. Deus os abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.

5 de novembro de 2008

Eleito o primeiro negro americano


Candidato democrata consolida vitória histórica nas urnas após rival republicano John McCain reconhecer derrota Há apenas quatro décadas, os negros lutavam para garantir na prática o direito de voto no Sul dos EUA. No dia 20 de janeiro, o senador democrata Barack Obama, de 47 anos, tomará posse como o primeiro presidente negro da história americana. De acordo com projeções sobre os votos apurados até 2h30 de hoje em Brasília, Obama havia conquistado 333 votos no Colégio Eleitoral, contra 155 para o seu adversário, o senador republicano John McCain. São necessários 270 votos do total de 538 para se eleger presidente. Com um terço dos votos apurados, Obama, um senador em primeiro mandato desconhecido pela maioria dos americanos até recentemente, vencia na contagem nacional por 51% a 49%.

McCain apareceu diante de milhares de simpatizantes às 21h18 em Phoenix (2h18 em Brasília) para reconhecer a derrota. "O povo americano se posicionou claramente", disse ele, ao lado de sua candidata a vice, Sarah Palin. "Tive a honra de ligar há pouco para o senador Obama para felicitá-lo", continuou, elogiando a "habilidade e perseverança" do rival. Com a voz embargada, McCain exaltou o "especial significado" da vitória de Obama para os negros, e o "especial orgulho que eles sentem esta noite".

Obama e os candidatos democratas a deputados e a senadores venceram em quase todos os seus redutos e ainda avançaram sobre antigos bastiões republicanos, ampliando os resultados de 2004. McCain, de 72 anos, herói da Guerra do Vietnã e senador há 26 anos, sofreu derrotas de alto valor simbólico. Segundo as projeções, ele perdeu em Ohio e Iowa, dois redutos conservadores do Meio-Oeste. Nenhum republicano foi eleito presidente sem vencer em Ohio. McCain foi derrotado também na Virgínia, onde um democrata não vencia desde 1964. Obama conquistou ainda a Pensilvânia, um Estado democrata que os republicanos consideravam crucial para sua vitória, pela qual McCain se engajou fortemente. O republicano também foi derrotado em New Hampshire, que conta com quatro votos, mas onde também fez um esforço pessoal extra para ganhar. Com exceção de Nebraska e Maine, todos os votos de cada Estado no Colégio Eleitoral - proporcionais à sua população - vão para o vencedor.

A eleição de ontem foi marcada por um comparecimento recorde. E esse dado pode ajudar a explicar a vitória de Obama. Durante a campanha, os democratas conseguiram registrar o dobro de eleitores novos em comparação com os republicanos. A dúvida era se eles compareceriam para votar. Pesquisa de boca-de-urna realizada pela CNN mostrou que 72% dos eleitores que foram às urnas pela primeira vez votaram no candidato democrata.

A crise econômica e sua relação com a impopularidade do presidente George W. Bush - que sofre de uma desaprovação de mais de 70% - podem ter sido centrais na eventual vitória democrata. Para 62% dos eleitores ouvidos pela boca-de-urna, a economia era a questão mais importante nessa eleição.

O Iraque veio em segundo lugar distante: 10% dos eleitores o consideraram a questão principal. Desses, 64% votaram em Obama e 36%, em McCain, o que demonstra que o candidato republicano não se saiu bem em uma de suas principais bandeiras, a da segurança nacional, além de ela não ser tão decisiva nessa eleição. Outros 9% escolheram o terrorismo, outro tema-chave para McCain. Desses, 86% votaram em Obama, que prometeu retirar as tropas do Iraque e concentrar as forças no combate à Al-Qaeda e aos taleban no Afeganistão.

O sistema de saúde foi a principal questão para outros 9% dos votantes. Obama prometeu criar um sistema público de saúde com adesão opcional, enquanto McCain ofereceu um crédito tributário de US$ 5 mil para famílias de baixa renda pagarem pelo convênio privado de sua escolha.

Outro dado interessante é que 52% dos eleitores com renda anual acima de US$ 100 mil votaram em Obama; 47% escolheram McCain e 1%, outros candidatos.

3 de novembro de 2008

Perda no Bolsa Família


Principal gestora do programa Bolsa Família e secretária de Renda da Cidadania do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rosani Cunha, 47 anos, morreu na noite de sábado, vítima de um acidente de carro na cidade de 25 de Mayo, na Argentina, onde estava em férias. Outras três pessoas, entre elas seu marido, Nilson Figueiredo, estavam no veículo, que capotou após o estouro de um dos pneus dianteiros. Segundo informações do hospital para o qual foram conduzidos, eles não correm risco de morte.

O acidente ocorreu no quilômetro 220 da estrada número 51, entre as cidades de Chivilcoy e Veinticinco de Mayo, esta distante 230Km de Buenos Aires. Ela e o marido estavam no banco traseiro do veículo. Segundo a polícia argentina, Rosani foi ejetada do carro durante o capotamento.

A secretária participaria hoje de um seminário organizado pelo Centro de Implementação de Políticas Públicas (Cippec), reunindo especialistas do setor de toda a América Latina. Ela faria palestra sobre "Diálogos de Proteção Social". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Patrus Ananias, de quem Rosani era subordinada, divulgaram nota lamentando a morte.

O presidente Lula mostrou estar abalado com a perda da colaboradora.

–A morte da companheira Rosani Cunha deixou-me consternado. Lastimo as circunstâncias trágicas em que ocorreu e a perda de uma servidora pública competente e dedicada, que há quatro anos fazia um trabalho admirável na gestão do Bolsa Família, importantíssimo para os brasileiros mais necessitados – afirmou o presidente na nota.

Elogio

Responsável pela indicação de Rosani para a pasta em 2004, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, a chamou de "esplêndida servidora pública".

– Gestora competente, lia muito, estudava, entendia de políticas públicas e pensava para frente. Pensava no Bolsa Família no contexto de integração da nossa rede de proteção e promoção social, sempre provocando discussões pertinentes na linha de aperfeiçoamento das nossas políticas – disse o ministro.

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), foi a capital argentina para fazer o translado do corpo da secretária de Renda da Cidadania para o Brasil. Na aeronave estava o filho de Nilson Figueiredo, acompanhado de um médico. Rosani Cunha será cremada no final da tarde de hoje no Cemitério Parque Renascença, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

Desafio

Servidora pública de carreira, Rosani Cunha era formada em Fisioterapia pela Universidade Federal de Minas Gerais, foi assessoria da Frente Nacional dos Prefeitos, diretora de gerenciamento de investimento do Ministério da Saúde.

Desde que assumiu a gestão do programa Bolsa Família, projeto que atende mais de 10 milhões de famílias no país, Rosani Cunha vinha trabalhando na ampliação do número de pessoas atendidas e em como orienta-las sobre os direitos e deveres para ter direito ao benefício do governo federal. Ainda não foi definido quem será o novo ocupante do cargo deixado vago.

União e estatais lucram com a alta do dólar


O governo federal e suas empresas estatais tiveram um lucro de R$ 53,145 bilhões com a valorização de 17,1% na cotação do dólar ocorrida em setembro, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Graças sobretudo e esse efeito cambial, a dívida líquida do setor público caiu de 40,4% para 38,3% do Produto Interno Bruto (PIB) entre agosto e setembro.

O governo ganha com a valorização do dólar porque, desde 2006, tem mais créditos do que dívidas em moeda estrangeira. Os créditos mais importantes são as reservas internacionais e os "swaps" cambiais vendidos pelo BC no mercado futuro. Com a desvalorização cambial, o governo teve um ganho contábil de R$ 57,564 bilhões apenas nas reservas. Os recursos são mantidos em dólares, mas, para fins de apuração da dívida líquida do setor público, são expressas em reais.


Outro ganho expressivo do governo é nas operações de "swap", em que o BC recebe reais de investidores privados quando o dólar se valoriza. Em setembro, essas operações renderam R$ 6,507 bilhões. Os ganhos com "swap" são considerados, nas estatísticas fiscais, uma receita com juros. O efeito dos "swaps" fez com que, entre agosto e setembro, a despesa com juros do setor público caísse de R$ 12,527 bilhões para R$ 6,142 bilhões, apesar das recentes altas promovidas pelo BC nos juros, que em tese deveriam pressionar os encargos da dívida pública.


Além de fatores positivos, há os impactos negativos do dólar sobre a dívida do governo em moeda estrangeira. A dívida externa federal, por exemplo, aumentou R$ 15,7 bilhões, quando expressa em reais.


Os efeitos positivos da valorização do dólar sobre as contas públicas devem prosseguir em outubro. Os "swaps" deram uma receita de R$ 4,293 bilhões ao BC, nos dados colhidos até o dia 27. "Em novembro, provavelmente não se repetirá esse efeito positivo do câmbio, pois o BC está revertendo suas posições de 'swap' cambial", disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel. O BC estima que a dívida líquida tenha caído a 37% do PIB em outubro.


Além do câmbio, o forte superávit primário também contribuiu para a queda da dívida. Em setembro, o resultado chegou a R$ 10,005 bilhões, a cifra mais alta para meses de setembro desde 2002. O governo federal apresentou um resultado positivo de R$ 12,730 bilhões, e as estatais, de R$ 3,242 bilhões.


Nos dados acumulados em 12 meses, o superávit primário chegou a 4,6% do PIB em setembro. Pelo mesmo critério, o déficit nominal foi de 1,32% do PIB, o mais baixo da série estatística, que começa em 1991.

1 de novembro de 2008

Até fim uma revista do Brasil conta o que a imprensa do exterior diz há tempos

As vendas seguem em alta, o desemprego é o menor em dez anos e, se tudo der errado, o Brasil ainda crescerá 3% em 2009


basta olhar com atenção os indicadores macroeconômicos para enxergar o problema sob novos ângulos. Nas apresentações que tem feito, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descarrega slides com uma profusão de números. O ritmo atual do crescimento do PIB, pela taxa acumulada em quatro trimestres, ainda é de 6%. E a produção industrial avança 6,6% - no setor de bens de capital, que antecipa grandes investimentos, a taxa chega a 18%. "O Brasil vem num ritmo tão forte que, por maior que seja a freada, ela não será capaz de produzir um crescimento abaixo de 3% em 2009", prevê Francisco Lopes, ex-presidente do BC. Para um país que já tem um PIB superior a US$ 1,3 trilhão, 3% não seria nada mal - aliás, essa tem sido a média do governo Lula. A perspectiva favorável continua animando investidores de longo prazo. Na semana passada, em São Paulo, um leilão de concessões rodoviárias movimentou R$ 11,5 bilhões, com deságios de quase 55% nos pedágios. No Salão do Automóvel, a Toyota também confirmou a construção de uma segunda fábrica no Brasil. "Essa crise não deve ser importada", diz o economista Roberto Macedo, da USP. A mensagem implícita é uma só: quem não souber dirigir na neblina, ficará para trás.

A seguir, a safra de lucros recorde e as histórias de grandes vendedores

NOS ÚLTIMOS DIAS, OS PROGNÓSTICOS apocalípticos a respeito do fôlego da economia brasileira foram combatidos por uma série surpreendente de balanços divulgados por bancos e empresas de setores tão diversos quanto mineração, telecomunicações, equipamentos industriais, têxtil, alimentos, beleza, peças automotivas, energia – para ficar só em alguns exemplos. Se você achava que o Brasil estava prestes a mergulhar numa crise sem precedentes, observe com atenção os números a seguir. A Companhia Vale do Rio Doce obteve no terceiro trimestre lucro de R$ 12,4 bilhões, o que representa uma disparada de 167% ante o mesmo período do ano passado. É o melhor resultado alcançado, em todos os tempos, por uma empresa da América Latina. Também de julho a setembro, o Bradesco lucrou R$ 1,9 bilhão, o terceiro melhor desempenho da história entre bancos brasileiros para o período trimestral. Durante a realização do Salão do Automóvel, em São Paulo, o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, irritou-se com perguntas feitas por jornalistas sobre a derrocada financeira global. “Não vamos criar uma crise onde não existe”, disse Belini. Ele apresentou alguns indicadores à bancada dos pessimistas. “Essa crise tem mais de um ano e durante esse ano a indústria automotiva cresceu 26%. Em outubro, estamos com venda média diária 5% maior que a média diária do ano passado inteiro.” Até a semana passada, 27 companhias cotadas na Bolsa de Valores de São Paulo haviam divulgado seus balanços trimestrais. Segundo a consultoria Economática, 18 delas ganharam dinheiro – algumas, muito dinheiro – nos últimos três meses (veja quadro).

Seria ingênuo dizer que o País está imune ao caos financeiro que contaminou nações dos cinco continentes (ninguém provavelmente está), mas a safra de lucros gigantescos é um indicador de que a economia brasileira continua forte. O Brasil tem muito a ganhar com a performance positiva de suas empresas. É fácil de entender. O lucro é o motor do capitalismo. Ele gera riqueza, permite às empresas investirem mais, estimula a criação de empregos e, no final do processo, favorece o crescimento do País. Quanto mais dinheiro as empresas ganharem, mais protegida fica a economia como um todo. O lucro, portanto, é algo que não deve ser comemorado apenas pelas companhias. “No sistema capitalista, o sucesso de uma nação é aferido pela existência de grandes empresas e pela rentabilidade de seus investimentos”, diz Alberto Borges Matias, professor de Finanças da Universidade de São Paulo e presidente do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad).



A safra de lucros gigantes
Enquanto os pessimistas se deixam levar pelo pânico no mercado, balanços de grandes empresas comprovam que a economia brasileira continua forte Leia tudo aqui

Dívida é a menor em 10 anos em relação ao PIB


A dívida líquida do setor público atingiu R$ 1,127 trilhão em setembro, equivalente a 38,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto, estava em 40,4% do PIB. Como proporção do PIB, é o menor resultado em dez anos. A última vez que a dívida esteve tão baixa foi em outubro de 1998, de 37,58% do PIB.

Esse é outro reflexo positivo da valorização do dólar. Em setembro, a moeda ficou 17% mais cara. Com o dólar em alta, as reservas internacionais crescem quando convertidas em reais. O mesmo ocorre com outros ativos em moeda estrangeira. "A valorização do dólar impacta favoravelmente os ativos cambiais, principalmente as reservas", disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel.

Quando comparados com as dívidas do setor público, os ativos mais valorizados ajudam a diminuir o saldo líquido. O efeito cambial foi responsável pela redução de 1,6 ponto porcentual da dívida líquida em setembro, de uma queda total de 2,1 pontos. No ano, a contribuição da alta do dólar é ainda maior: 4 pontos, em uma queda total de 4,3 pontos.

Além do efeito do câmbio, a dívida líquida caiu em setembro por causa do desempenho das contas públicas. O fato de terem encerrado o mês com superávit nominal respondeu pela queda de 0,1 ponto na dívida medida como proporção do PIB.

A expectativa do governo é que a dívida continue em queda este mês. Anteontem, em depoimento no Senado, o presidente do BC, Henrique Meirelles, apresentou uma projeção na qual a dívida cairia para 37% do PIB em outubro. Se confirmado, será o melhor resultado desde setembro de 1998.

Conta de juros do setor público cai à metade com alta do dólar


A alta do dólar provocada pela crise financeira internacional fez com que a conta de juros paga pelo setor público no mês de setembro atingisse seu menor nível em sete anos: R$ 6,142 bilhões. Para se ter uma idéia, no mês anterior essa mesma conta havia ficado em R$ 12,527 bilhões.

A queda na despesa de juros e a forte arrecadação tributária fizeram com que as contas públicas tivessem o melhor setembro da história, segundo os registros do Banco Central, iniciados em 1991: superávit de R$ 3,863 bilhões no conceito nominal, que considera inclusive as despesas com juros. Sem contar com os juros, o saldo (chamado primário) chega a R$ 10,005 bilhões.

A explicação para o efeito positivo do câmbio sobre as contas públicas está numa operação feita pelo Banco Central, chamada swap cambial reverso.

"É uma operação em que o Banco Central aposta com o mercado que a taxa de câmbio vai se desvalorizar, ou seja, que o dólar vai subir", disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico, Túlio Maciel. "No final do contrato, paga-se a diferença entre a variação do juro e do câmbio." O juro usado nessas operações é o Depósito Interfinanceiro (DI), que funciona como uma referência para o custo do dinheiro no mercado.

Segundo Maciel, até agosto o governo tinha perdas com o swap cambial reverso, porque o dólar estava em queda. Com a crise, o comportamento do câmbio se inverteu e o Banco Central passou a ter ganhos expressivos, estimados em R$ 6,5 bilhões no mês, na forma de juros. Assim, caiu a despesa global de juros e as contas do setor público tiveram bom desempenho. No final de setembro, o estoque de operações de swap estava em R$ 39,9 bilhões.

Esse efeito do dólar sobre os juros tende a ser menor nos próximos meses, porque com a crise o governo inverteu a mão das operações de swap. Assim, passou a apostar na queda do dólar. Essa medida tem por objetivo dar ao mercado liquidez em dólares, garantindo a moeda no mercado futuro a uma determinada cotação.


RUMO AO DÉFICIT ZERO


O efeito do câmbio, porém, não explica sozinho o comportamento das contas do setor público em setembro. O governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) teve um resultado primário positivo de R$ 5,173 bilhões, explicado pelo bom nível de arrecadação. Os Estados e municípios também fecharam a conta com saldo positivo de R$ 1,59 bilhão. A surpresa ficou por conta das empresas estatais, que apresentaram um superávit de R$ 3,242 bilhões, um recorde para os meses de setembro.


Nos 12 meses encerrados em setembro, o resultado primário acumulado é de R$ 128,798 bilhões. No mesmo período, os gastos com juros somaram R$ 165,641 bilhões. Assim, em 12 meses existe um déficit nominal de R$ 36,843 bilhões. Medido como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), é o menor déficit para 12 meses já registrado pelo Banco Central: 1,32% do PIB. A meta do governo é chegar ao déficit nominal zero.

, FMI não serve para nada e mercado "é ovo sem gema"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a insistir ontem, durante discurso de inauguração de um escritório da Associação Brasileira de Promoção das Importações e Investimentos (Apex), em Havana, que é preciso uma mudança na regulação do sistema financeiro internacional, para evitar especulações como a que gerou a crise econômica global. "O FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, do jeito que funcionam hoje, não servem pra nada."


No mesmo discurso, Lula referiu-se ao FMI com algum desdém. "Eu tive uma alegria imensa no dia em que chamei o presidente do FMI, um espanhol chamado Rato (Rodrigo de Rato), e lhe disse: 'Não preciso mais dos seus US$ 16 bilhões, pode levar'". Em seguida, Lula lembrou seu passado de sindicalista de esquerda. "Vocês não imaginam a alegria que tive - eu que passei a vida inteira dizendo 'fora, FMI' e, como presidente da República, ter chamado o FMI para dizer 'Adeus, FMI'." Lula disse que na mudança que permitirá a regulação do sistema financeiro internacional os países emergentes têm de ter participação em todas as decisões. Na reunião do G-20, no dia 15, em Washington, ele pretende conversar com todos os presidentes, um a um, para defender sua proposta. Ele disse que o mercado, tido até então como o regulador de tudo, "mostrou-se um ovo sem gema".


"Desde o Consenso de Washington, o mercado é tido como aquele que regulamenta tudo, e o Estado é como se fosse uma coisa fora do tempo, atrasado. Agora, no entanto, os Estados tiveram de socorrer os mercados", disse o presidente. "E o grande paradoxo de toda essa situação é que os países desenvolvidos, onde a crise nasceu, cresceu e se desenvolveu, agora confiam na capacidade de consumo dos emergentes, que são tidos como os que vão salvar a situação." Mais tarde, durante entrevista no aeroporto de Havana, momentos antes de embarcar de volta para o Brasil, Lula atacou novamente os especuladores. Disse que eles não produziram nem um botão e querem agora dividir os prejuízos com os países pobres e com os países em desenvolvimento: "A crise não nasceu na África nem na América Latina. Nasceu nos Estados Unidos e contaminou a União Européia. Eles é que têm de pagar pela crise."


Para defender a regulação do sistema financeiro internacional, Lula disse que hoje a situação é tão contraditória, que todos são submetidos a leis, em todos os países, e o sistema financeiro não. E voltou a admitir a gravidade da crise, reiterando, porém, que o País não paralisará investimentos. "A crise é séria, atingiu os países ricos, terá reflexo nos outros, também no Brasil, mas o Brasil está se prevenindo, não vai paralisar seus investimentos." Lula repetiu que o Brasil passou de devedor a credor, pois tem mais reservas do que dívida. Lula disse que, de agora até 2010, o Brasil vai investir US$ 250 bilhões, dos quais somente a Petrobrás entrará com US$ 112 bilhões.


Déficit menor.Valorização do dólar reduz saldo negativo nas contas públicas


A crise internacional está ajudando o setor público brasileiro a melhorar seu desempenho fiscal e a obter resultados sem precedentes. A desvalorização do real frente ao dólar, que chegou a 17,1% em setembro diante do desmoronamento da confiança nos mercados globais, reduziu a dívida líquida para o seu menor nível nos últimos 10 anos. Além disso, o enfraquecimento da moeda nacional também contribuiu para que o governo atingisse o menor déficit nominal na história do país - esse é o resultado final das contas, computadas todas as receitas e despesas, inclusive os juros pagos sobre o débito total.


"O Brasil é credor em dólar. Então, toda vez em que o câmbio aumenta, a dívida diminui", explicou o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel. O endividamento conjunto de União, estados, municípios e estatais caiu de R$ 1,183 trilhão em agosto para R$ 1,127 trilhão em setembro, passando do equivalente a 40,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 38,3%, menor número desde outubro de 1998. A desvalorização do real foi responsável pelo corte de R$ 46,637 bilhões em um mês, o que corresponde a uma diminuição de 1,6% do PIB no estoque dos débitos.


Segundo Maciel, além de incidir sobre os ativos que o país tem em dólar, o fortalecimento do dólar também trouxe ganhos para o governo nas operações de swap cambial que o BC faz no mercado futuro. O BC lucrou quase R$ 6,5 bilhões com essas negociações no mês passado. Essas transações reduziram os juros sobre a dívida de R$ 12,527 bilhões para R$ 6,142 bilhões. "Esse efeito do câmbio deve se refletir também nas contas de outubro", afirmou.


Situação confortável

Por causa da redução dos juros e dos resultados na arrecadação, o setor público conseguiu o quarto superávit nominal no ano, com as contas fechando no azul em R$ 3,863 bilhões, o melhor número para meses de setembro. Os resultados acumulados, entretanto, ainda são negativos. Apesar da boa evolução, o país ainda não atingiu o déficit nominal zero. De janeiro a setembro, o saldo negativo caiu de 1,50% do PIB em 2007 para 0,33% (R$ 7,058 bilhões) agora. Esse é o menor valor na série histórica do BC.


"Temos tido resultados primários muito expressivos. A arrecadação vem crescendo num ritmo superior ao das despesas, o que contribui", disse Maciel. O superávit primário é a economia feita no orçamento para pagar os juros da dívida. Quanto maior ele for, menor será o déficit nominal. Essa poupança foi de R$ 10,005 bilhões em setembro, o que elevou o saldo positivo acumulado no ano para R$ 118,414 bilhões (5,59% do PIB), melhor resultado para o período desde 1994.


Nos últimos 12 meses, o superávit primário chegou a R$ 128,798 bilhões, o equivalente a 4,60% do PIB. Para Maciel, esse nível de economia dá uma boa margem de segurança para o cumprimento da meta fixada pelo governo, que é de 4,3% do PIB. "Estamos numa situação bastante confortável", disse.


"Nos últimos meses, as despesas tendem a aumentar, principalmente por causa dos pagamentos do 13° salário e férias. Ao mesmo tempo, o cronograma de pagamento de impostos faz as receitas caírem. O governo sempre guarda alguma gordura para queimar no período, como fez agora", concluiu.


 

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