13 de julho de 2012

Em SP, ex-vereador tenta driblar Ficha Limpa


Mesmo depois de passar por quatro penitenciárias, cumprir quase sete anos de prisão e ser candidatíssimo a ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, Vicente Viscome, o primeiro vereador cassado da História de São Paulo, tenta o retorno à vida política, aos 70 anos, nesta eleição, como candidato a uma vaga na Câmara de São Paulo. Acusado de ter chefiado o maior esquema de corrupção da cidade, conhecido como a Máfia dos Fiscais, o comerciante, dono de um patrimônio de R$ 13 milhões, diz que é "ficha limpa" e que quer voltar à vida pública para ser fiscal daqueles "que iludem o povo".

- Aquilo (a cassação dele) foi armação política. Aprendi na cadeia que político é pior que traficante. Eu quero voltar para fiscalizar essa gente que ilude o povo, porque a coisa está muito pior hoje. A propina continua - diz ele. - Já cumpri a minha pena. Vou disputar essa eleição porque sou um ficha limpa.

Não é bem assim. Cassado em junho de 1999, Viscome perdeu os direitos políticos por oito anos. Em 2000, ele foi condenado judicialmente a 16 anos e quatro meses de prisão por crime contra a administração pública e formação de quadrilha pelo envolvimento na Máfia dos Fiscais - esquema de cobrança de propina de ambulantes por funcionários das antigas administrações regionais, controladas politicamente por vereadores da base governista na gestão Celso Pitta (1997-2000). Em 2005, Viscome conseguiu o indulto para ficar em liberdade e, em 2007, teve a pena extinta.

Na eleição de 2008, o vereador cassado fez a primeira tentativa para retornar à Câmara Municipal, mas foi impedido pela Justiça, que entendeu que ele ainda estava inelegível. Naquela época, condenados por crime contra a administração pública não poderiam disputar eleição por três anos contados da extinção da pena. A Lei da Ficha Limpa ampliou esse prazo para oito anos. Com isso, Viscome somente estará apto a se candidatar a partir de 2015.

O pedido de candidatura dele ainda não foi julgado. Viscome e outros 1.189 candidatos a vereador aguardam a manifestação do juiz eleitoral.

Dizendo-se inocente, apesar de todas as condenações sofridas, Viscome afirma que já começou a fazer campanha e está disposto a gastar até R$ 3 milhões para se eleger.

Sobre a cassação do ex-senador Demóstenes Torres, ele diz que só acompanhou pelos jornais e resumiu, assim, o episódio:

- Ele caiu porque era o mais fraco. Mas lá são todos iguais.

Para o ex-catador de papelão, hoje dono de mais de 30 imóveis na cidade, a cassação é um caso superado, pessoalmente e politicamente. Ele fala com orgulho do feito de ter obtido, em 2008, 62 mil votos, anulados após a impugnação da sua candidatura.

- Eu vou ganhar agora e vou ser um exemplo para São Paulo - provocou.

Sem qualquer influência na vida política da cidade, Viscome nega ressentimentos e recorda que deu projeção ao prefeito Gilberto Kassab (PSD).

- Eu coloquei ele (sic) na Secretaria de Planejamento (na gestão Pitta) - sustenta.

Wilder é representante de Cachoeira no senado

De férias no Nordeste, fugindo dos holofotes, o suplente de Demóstenes Torres, Wilder Pedro de Morais (DEM-GO), tenta acertar com o presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN), detalhes de sua posse em meio a suspeitas sobre suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Diálogos interceptados pela Polícia Federal com autorização judicial durante a Operação Monte Carlo demonstram que Cachoeira tentou pressionar Wilder a atender a demandas de seu grupo, como contrapartida por ter sido indicado para a chapa vitoriosa de Demóstenes ao Senado, em 2010.

Wilder, que é secretário de Infraestrutura no governo de Marconi Perillo (PSDB), em Goiás, era amigo de Cachoeira até que sua então mulher, Andressa, trocou-o pelo contraventor, em fevereiro de 2011. Integrantes da CPI do Cachoeira disseram ontem que ele pode ser chamado a depor se ficar confirmado que foi indicado suplente de Demóstenes e secretário de Goiás por Cachoeira.

Num dos diálogos, gravado em 5 de maio do ano passado, o ex-vereador Wladimir Garcez, considerado o braço político de Cachoeira, diz que irá se encontrar com Wilder e pergunta ao chefe (o contraventor) se deve dar uma dura no secretário.

- O Wilder ligou (...). Perguntei direitinho como ficou o negócio lá, aí ele falou: "Não, quando eu falei com o governador, os caminhos, falei que já estava tudo acertado com o Carlos e tal. Eu queria falar com você, passa aqui. Vem aqui na secretaria." Então tá, eu vou dar um pulinho aí daqui a pouco - informa Wladimir, que pergunta se deve jogar na cara do secretário a ajuda que Cachoeira deu a ele na eleição.

O bicheiro diz que, se houver oportunidade, é para falar, sim. Wilder foi o maior doador da campanha de Demóstenes, tendo contribuído com R$ 700 mil. No mesmo dia, Wladimir informa a Cachoeira que esteve com Wilder e deixou claro que ele não pode ser mal-agradecido:

- Eu disse: "Pois é, política é complicado, né? Você vê: tanto que o Carlinhos brigou para você ser o suplente do senador, Gilberto ficou com raiva, Malcon ficou com raiva, hoje você é suplente do senador, e as pessoas às vezes não agradecem, não entendem. (...) Às vezes as pessoas não têm gratidão. O cara depois começa a cuspir no prato que comeu. É estranho pra caramba".

Dias antes, Cachoeira havia se mostrado irritado com o fato de não conseguir indicar afilhados políticos no governo de Goiás e xingado Wilder (diálogo abaixo).

Em maio, numa conversa com Demóstenes, Cachoeira diz que é preciso pensar em outra pessoa para substituir Wilder na secretaria.

O GLOBO não conseguiu falar com o novo senador. No DEM, a informação é que ele só retornará do Nordeste no dia 25. Antes mesmo de chegar ao Senado, o substituto de Demóstenes estava na mira da CPI.

- Um suplente que tinha relações com Cachoeira, e não sabemos se essas relações eram de acumpliciamento, merece uma atenção especial da CPI. Eu diria que Wilder toma posse sob forte suspeição e forte necessidade de se explicar. Se eu fosse ele, assumia de manhã e à tarde estaria na tribuna me explicando - disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Em outros diálogos, publicados ontem pela "Folha de S.Paulo", Cachoeira e Wilder tratam da relação dos dois.

- Eu não vou expor você cara. Fui eu que te pus na suplência, na secretaria, fui eu, você sabe muito bem disso. Então, para que eu vou te expor? - pergunta Cachoeira.

- Carlinhos, pensa um cara que nunca teria encontrado um governo, que nunca teria sido bosta nenhuma. Você está falando com esse cara - responde Wilder.

O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) diz que é preciso primeiro esperar que Wilder tome posse para que a CPI decida o que fazer.

Agripino Maia minimizou as suspeitas sobre Wilder:

- Pelo que estamos ouvindo, não há nada que comprometa as atividades políticas de Wilder.
'O Wilder é um bosta, um bosta'

Em conversa com o ex-vereador Wladimir Garcez, o bicheiro Carlinhos Cachoeira se mostra irritado por não conseguir indicar afilhados políticos para o governo de Marconi Perillo (PSDB), em Goiás. Ele xinga Wilder de Morais, que conseguiu emplacar indicações:

CACHOEIRA : "Wladimir, tá uma desgraça também, hein? Puta que pariu. Eu não consegui arrumar um emprego para o irmão da Andressa, rapaz. Até o Wilder pôs esta bosta desse cara aí, e a gente não consegue pôr ninguém, caralho. (...) O Wilder é um bosta, um bosta, e consegue emplacar um cara que a gente estava boicotando.

Depois, em conversa com Demóstenes, Cachoeira diz que é preciso substituir Wilder na secretaria:

CACHOEIRA : "Doutor, o Wladimir falou pra mim hoje que acha que temos de preparar um nome para substituir o Wilder, porque logo, logo Wilder vai pedir pra sair".

DEMÓSTENES : "Tá ótimo. Seria bom demais. Vamos preparar, uai!"

CACHOEIRA : "Se tiver algum (nome), aí eu te falo."

7 de abril de 2012

Empresa vende perfil no Twitter por R$ 3 mil para candidatos

Que as rede sociais vêm assumindo papel importante nas campanhas políticas não resta dúvida, e para ajudar futuros candidatos, pouco afeitos ao instrumento, uma empresa do Paraná está vendendo perfis no badalado microblog Twitter, com promessa ainda de demonstração de prestígio, ao exibir entre 50 mil e 100 mil seguidores adquiridos no pacote. Desde a primeira campanha do presidente dos Estados Unidos Barack Obama, passando pelo candidato tucano José Serra à Presidência em 2010, o Twitter tem sido o preferido dos políticos, especialmente pela rapidez de comunicação e capacidade de interação com os eleitores. O criador dos perfis, Márcio Aurélio Demari Ferreira, da Agência de Notícias, está atuando nesse mercado virtual há oito anos e afirma ter acumulado mais de 150 clientes de todo o país, que pagam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil para aparecer bem no microblog.

Por determinação do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), mensagens eleitorais no Twitter só serão permitidas a partir de 6 de junho, dentro do período de propaganda permitido por lei. Mesmo com a restrição, a corrida para colocar o pé na rede social já começou. Ao oferecer seu serviço, Márcio Aurélio é claro: “Prefeitos, vereadores, deputados, governadores, garantimos 100 mi seguidores inicialmente. As melhores ferramentas para políticos e pré-candidatos às eleições de 2012”. Ao oferecer o serviço, o criador de perfis oferece como vantagem a rapidez: em apenas 24 horas ele personaliza a conta. Além disso, adverte que os números de seguidores adquiridos no pacote pode render também manchetes de jornais. E sugere até o título da publicação: “Prefeito mais seguido do Twitter”. Além do marketing oferecido por Márcio Aurélio, ele faz uma estimativa de que aos 100 mil primeiros seguidores podem ser somados cerca de 30% de interessados. “Isso é interessante porque esses 30 mil serão, provavelmente, o público-alvo do político”, argumenta.

Para aparecer bem na rede social, o candidato não pode ter medo de pôr a mão no bolso. Para adquirir uma conta com 50 mil seguidores no Twitter, terá que dar uma entrada de R$ 1,5 mil e depois pagar três parcelas de R$ 500. Se quiser dobrar esse número, paga entrada de R$ 2,5 mil e três de R$ 1 mil. Além da abertura da conta, o pacote de serviços, segundo Márcio Aurélio, inclui ainda o auxílio para pesquisar pessoas a serem seguidas no microblog, orientação sobre os melhores horários para fazer as mensagens que não podem passar de 140 caracteres, e auxílio para preparação do conteúdo dos tuítes (as mensagens), para que possam ser encaminhados por outros, ampliando sua abrangência. Márcio Aurélio explica, no entanto, que não fica responsável pela operação total da conta, como postagem de resposta aos seguidores, de mensagens e fotos, entre outros. A assessoria do internauta tem duração de seis meses e, ironicamente, não pode ser contactado por meio da internet, só pelo telefone.

Falta de ética

O vereador de Belo Horizonte Adriano Ventura (PT), um adepto do microblog, considera uma falta de ética a compra de seguidores para atrair interessados. Contrariando Márcio Aurélio, Ventura diz que o número de pessoas que o acompanha não é o aspecto mais importante dessa rede social. “O que de fato interessa ao mandato de um político é a qualidade de seus seguidores, pessoas com as quais possa haver troca de ideias, receber críticas e propostas para projeto de lei. “Não resta dúvida de que essa ferramenta nos aproxima de nosso público, que pode acompanhar, em tempo real, como estamos desenvolvendo nosso trabalho”, diz. Ventura afirma que é responsável pela grande maioria das mensagens do microblog e que pede ajuda a sua assessoria somente quando está sem acesso à internet. Ventura, que foi responsável por mais de 21 mil postagens, o que revela uma intensa participação, tem modestos 2,6 mil seguidores.

Batendo na mesma tecla, o pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte e deputado estadual Délio Malheiros (PV) diz que as redes sociais são hoje fundamentais em qualquer campanha política. Mas ressalta que melhor é a transparência que elas possibilitam aos participantes, já que os eleitores podem saber exatamente o que fazem e onde estão os políticos. Ele também sustenta a tese de que a quantidade de eleitores não traz mais ou menos destaques. “O importante é ter um seguidor de qualidade, formador de opinião e militante da política”, adverte. Ele diz que vários apoiadores de sua campanha decidiram manifestar sua posição, em primeiro lugar, por meio do Twitter. Hoje Délio Malheiros, autor da maioria de suas mensagens, fez 2,8 mil postagens e acumula 1,9 mil seguidores.

Memória - Até projeto de lei é vendido

No balcão da política, muitos negócios vêm mesmo se multiplicando. Um site na internet mantido por José Gilberto de Souza, ex-vereador de Campo Mourão, também no Paraná, põe à venda pacote de projetos de lei para parlamentares interessados em turbinar o mandado sem fazer força. Por apenas R$ 200, o vereador pode escolher o assunto que quer apresentar, numa cartela de opções que reúne educação, saúde, transporte e até mesmo criação de datas comemorativas, uma especialidade de vereadores de todo o Brasil. Em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, um projeto à venda no site de José Gilberto virou lei em 2005. Ele foi apresentado pelo então vereador Carlin Moura (PCdoB), hoje deputado estadual e pré-candidato à Prefeitura de Contagem. O deputado, no entanto, garantiu nunca ter lançado mão do site hospedado no endereço www.projetodelei.com.br.

31 de março de 2012

Demóstenes acredita na impunidade

Ainda que, juridicamente, Demóstenes Torres (DEM-GO) aposte no sucesso da estratégia de pedir a anulação das provas obtidas na Operação Monte Carlo, que prendeu seu amigo Carlinhos Cachoeira, sua situação no campo político se tornou insustentável. O tiro de misericórdia foi o vazamento de grampos de 2009 nos quais aparece discutindo com o contraventor projeto que poderia "regulamentar" os jogos de azar.
Ao se defender na tribuna do Senado, Demóstenes disse que não sabia das atividades ilegais do amigo. Mentir para os pares é o caso mais clássico de quebra de decoro, que já levou outros senadores ao cadafalso.

Reprise Para a Polícia Federal, a estratégia da defesa de Demóstenes lembra a usada para melar a Operação Castelo de Areia. A investigação -que envolveu políticos, agentes públicos e construtoras- foi engavetada em 2010, quando o STJ anulou os grampos que a integravam.

Mundo da lua Na última vez que conversou com a cúpula do DEM, Demóstenes afirmou que acreditava no arquivamento do processo no Conselho de Ética. Depois disso, afirmou, tiraria uma licença de quatro meses.

Na real Caciques do partido, no entanto, afirmam que agirão com o senador como procederam com José Roberto Arruda, que foi expulso após o mensalão do DEM no governo do DF. "Ninguém vai segurar o Demóstenes", diz um membro da Executiva.

STF julgará deputado mais rico do País por trabalho escravo

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por seis votos a quatro, abrir ação penal contra o deputado federal João Lyra (PSD-AL), acusado de submeter trabalhadores a regime escravo em uma de suas usinas de cana-de-açúcar em Alagoas. Caso seja condenado, o deputado pode ficar de dois a oito anos preso. De acordo com informações declaradas à Justiça Eleitoral, João Lyra é o deputado federal mais rico do País, com uma fortuna pessoal avaliada em R$ 240,39 milhões.

A denúncia foi formulada pela Procuradoria-Geral da República a partir de um flagrante realizado entre os dias 20 e 26 de fevereiro de 2008 pelos integrantes do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho. De acordo com o processo, foram detectadas mais de 40 irregularidades trabalhistas nos canaviais e na sede da usina Laginha Agroindustrial, uma das empresas do Grupo João Lyra, no município de União dos Palmares.

De acordo com a denúncia, 53 trabalhadores foram submetidos a condições análogas à escravidão. No alojamento não havia janelas, mas buracos que não permitiam ventilação adequada. Em vez de colchões, os trabalhadores recebiam pedaços de espuma com espessura entre cinco e dez centímetros.

O grupo do Ministério do Trabalho também afirmou que não eram oferecidas instalações sanitárias, e os ônibus utilizados para o transporte ofereciam risco de vida. Além disso, os trabalhadores exerciam carga acima de seis horas extras diariamente sem receber qualquer adicional.

O relator do processo, ministro Marco Aurélio de Mello, votou a favor de não receber a denúncia, no que foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Marco Aurélio argumentou que os trabalhadores tinham carteira de trabalho, moravam em um alojamento e, nas horas vagas, podiam visitar suas famílias.

"Um leigo deve imaginar que a escravidão voltou ao Brasil. O que vejo é uma série de fatos que levam a infligir não em ação penal, mas trabalhista. Deve-se caminhar para a distinção de situações", disse o relator.

A ministra Rosa Weber abriu a divergência, na linha de que, para a recepção da denúncia e início da ação penal, bastavam os indícios existentes nos autos de "condições degradantes" de trabalho. Acompanharam seu entendimento os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Cezar Peluso, presidente da Corte. Peluso ainda ressaltou que estava em causa a "dignidade da pessoa, considerada sua condição de trabalhador".

"Para a tipificação do crime, não é preciso haver escravidão escancarada, com grilhões, mas sim condições análogas, semelhantes às de escravidão", justificou em seu voto o ministro Ayres Britto.

João Lyra é o atual presidente do Partido Social Democrático (PSD) em Alagoas e foi eleito deputado federal em 2010 com 111.104 votos, representando 7,85% dos votos válidos, pelo PTB. Acabou indo para o PSD após a aprovação do partido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2011, e é pré-candidato à prefeitura de Maceió nas eleições de outubro.

Juristas aprovam inclusão de crime de terrorismo no Código Penal

A comissão de juristas que estuda mudanças no Código Penal aprovou, nesta sexta-feira, a inclusão do crime de terrorismo no texto da lei. De acordo com a proposta, serão criados artigos e parágrafos específicos para o tema. Deste modo, será considerado terrorismo "causar terror na população" mediante condutas como sequestrar ou manter alguém em cárcere privado; usar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos ou outros meios capazes de causar danos; incendiar, depredar, saquear, explodir ou invadir qualquer bem público ou privado e interferir, sabotar ou danificar sistemas de informática e bancos de dados.

Os juristas também consideram a conduta de sabotar o funcionamento ou apoderar-se do controle de comunicação ou de transporte, de portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, inclusive instalações militares.

Para que o terrorismo seja caracterizado, no entanto, é preciso que as condutas acima sejam praticadas com determinados finalidades, entre elas, obter recursos para financiar grupos armados que atuem contra a ordem constitucional ou forçar autoridades públicas a fazer o que a lei não exige ou deixar de fazer o que a lei não proíbe. A pena sugerida para o crime é de prisão de oito a 15 anos.

Exclusão
Para preservar os movimentos sociais e reivindicatórios, a comissão ainda criou uma exclusão, determinando que não haverá crime de terrorismo no caso de conduta de pessoas movidas por propósitos sociais e reivindicatórios, "desde que objetivos e meios sejam compatíveis e adequados a sua finalidade".

O presidente do colegiado, ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, lembrou que a consequência natural da tipificação do terrorismo é a extinção da Lei de Segurança Nacional, que já está ultrapassada, na opinião dele. A revogação foi unânime.

Segundo o consultor do Senado, Tiago Odon, a proposta da comissão está em sintonia com modernas legislações internacionais.


22 de agosto de 2011

Nem Pelé escapou de espionagem da polícia política

Serão abertos para consultas, a partir desta semana, arquivos do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops) descobertos por acaso, em março do ano passado, em Santos (SP). São 45 mil fichas e 11.666 prontuários, que estavam apodrecendo numa sala do Palácio de Polícia.

O material foi transferido para o Arquivo Público do Estado e agora, após higienizado, recuperado e organizado, será colocado à disposição de pesquisadores e pessoas interessadas. Trata-se de um acervo que, embora regional, ajuda a iluminar melhor os porões da ditadura militar.

Ele confirma, em primeiro lugar, a fúria da polícia política no trabalho de vigiar e perseguir os cidadãos suspeitos de fazer oposição ao regime. Nem o nome mais ilustre de Santos, Pelé, escapou dessa fúria: o arquivo tem um prontuário com o nome dele.

Os documentos também revelam que agentes policiais ligados à repressão não aceitaram a abertura política e a anistia ocorridas nos anos 80 e, à revelia da lei, continuaram espionando pessoas que consideravam de esquerda. Embora o Dops tenha sido extinto em 1983, existem fichas e prontuários no arquivo que datam de 1986 e suspeita-se que tenham prosseguido até 1988.

"Limpeza". Não se trata, porém, de um arquivo íntegro. De acordo com o historiador Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público, tudo indica que, em algum momento, ele passou por uma "limpeza". Já se constatou a ausência de 160 prontuários. Eles estão mencionados no fichário, mas não foram encontrados.

O caso mais notório é o do governador Mário Covas. Por se opor à ditadura, ele foi cassado e lançado na lista dos simpatizantes do comunismo e tinha seus passos estritamente vigiados. Suspeita-se que, assim como já ocorreu com outros arquivos mantidos por policiais e órgãos das Forças Armadas, a "limpeza" se destinou, sobretudo, a proteger os agentes da repressão de futuras acusações de tortura, desaparecimento e outras violações de direitos humanos.

"Não se descarta a hipótese de parte desse material estar em poder de agentes do Estado por descuido", diz Bacellar. "Era comum, durante o trabalho policial, levarem pastas para casa. Vamos procurar mais arquivos nas delegacias do Estado e consultar policiais."

Postas em pé, uma ao lado da outra, as pastas e fichas do arquivo que será aberto ao público somam 67 metros de comprimento. Elas mostram que nada escapava à atenção da polícia política. Lá está registrado que, às 14 horas de 9 de outubro de 1972, desembarcou em São Paulo, no voo 525 da Varig, procedente de Lisboa, o bispo diocesano de Santos, d. David Picão.

Por seu discurso em defesa da justiça social e dos direitos humanos, o bispo era constantemente vigiado. Até encontros com beatas da diocese, para uma campanha em defesa dos valores da família católica, foram monitorados. A reunião que ele manteve com Covas no dia 17 de janeiro de 1979 está registrada.

No alentado prontuário com seu nome, o bispo é definido como "personalidade comunista" e "astucioso e envolvente". O uso de expressões depreciativas como essas era comum. Luiz Carlos Prestes é definido por um agente como "ex-dirigente do extinto, espúrio e clandestino PCB".

Manifesto. O nome de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, está no prontuário 4311. A pasta, magra, tem origem num fato ocorrido em 21 de outubro de 1970. Naquele dia, durante homenagem que recebeu da própria polícia de Santos, o rei do futebol foi cumprimentado por um servidor público, que lhe entregou cópia de manifesto a favor de indulto para presos políticos - anistia que só viria bem mais tarde, em 1979. Embora o ato fosse alheio à vontade de Pelé, a polícia achou mais seguro abrir uma pasta com seu nome.

Providências tolas como essa ajudaram a criar a lenda de que a polícia política era totalmente incompetente. Segundo Bacellar, contudo, o arquivo de Santos mostra que a máquina repressora funcionava bem: "Havia uma constante troca de informações entre os órgãos do interior e a central de informações, em São Paulo. O intercâmbio com os órgãos de informação das Forças Armadas também funcionava bem."

O que mais chama a atenção no arquivo encontrado em Santos são informações referentes aos anos da ditadura militar, que começou com o golpe de 1964. Mas as fichas e os prontuários cobrem um período maior: vêm de 1924, quando as autoridades decidiram investir pesadamente nos serviços de vigilância dos cidadãos.

Segundo o historiador Carlos Bacellar, diretor do Arquivo Público do Estado, a decisão decorreu do temor de repetição das grandes greves que haviam atormentado a indústria paulista nos anos anteriores. A greve geral de 1917 paralisou São Paulo e só foi interrompida com a ocupação da cidade por milicianos.

A principal preocupação naquele início dos serviços de vigilância era acompanhar os anarquistas e socialistas que estavam à frente dos movimentos grevistas. No caso de Santos, havia especial preocupação com os movimentos sindicais dos estivadores.

Com a ditadura do Estado Novo, entre 1937 e 1945, o serviço foi reforçado. Em 1944, o Dops de Santos tinha prontuários de todos os 62 moradores da cidade filiados ao Partido Comunista. As informações sobre eles eram sempre atualizadas, com anotações sobre troca de endereço e emprego, reuniões e viagens.

Com o passar dos anos, o leque de pessoas vigiadas aumentou. A visita de Jânio Quadros a Santos, durante sua campanha presidencial, em 1960, foi fartamente documentada pela polícia política.

Na ditadura militar, o alvo da polícia foi alargado ainda mais. O Dops tem informações sobre um show de Chico Buarque na cidade, sobre uma apresentação do ator Gianfrancesco Guarnieri, visitas do cardeal Paulo Evaristo Arns ao bispo local, reuniões do antigo MDB, comemorações ocorridas na data do aniversário do líder comunista Luiz Carlos Prestes, manifestações estudantis.

Tudo passou a ser vigiado e controlado. Em 22 de julho de 1974, os agentes policiais recebem ordem para recolher todos os exemplares do semanário francês L""Express que encontrassem na Baixada Santista. Eles voltaram da caçada com duas revistas. Uma delas foi recolhida ao arquivo. Quem consultar a pasta poderá ler a pequena nota que deu origem à ordem de apreensão.

Com o título Affaire Z au Brésil (numa referência ao filme Z, de Costa Gavras, sobre desaparecidos políticos) a nota trata do desaparecimento do deputado Rubens Paiva, ocorrido em 1971, após ter sido levado de sua casa por agentes das Forças Armadas. Além de abordar um tema rigorosamente censurado no Brasil, a nota põe em dúvida a versão do 1.º Exército, segundo a qual o deputado teria sido sequestrado por organizações de extrema esquerda. "Na realidade, de acordo com fontes confiáveis, o deputado foi sequestrado, mas por um comando da Aeronáutica. Depois de ter sido torturado, ele foi jogado de um avião, em pleno vôo", diz o texto.

PARA ENTENDER

O Dops foi oficialmente extinto em 1983, em decorrência da abertura política. Mas os agentes policiais continuaram vigiando as pessoas, abrigados na chamada Seção Comunicação Social da Delegacia Regional de Polícia do Litoral. Não se sabe exatamente quando pararam. Já foram localizados relatórios redigidos em 1986, mas, segundo técnicos do arquivo, a data mais provável do fim das ações é 1988.

Um dos relatórios de 1986 resultou de espionagens realizadas na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e se destinava a fornecer informações ao governo sobre uma ameaça de greve nos portos brasileiros. "Depois de perseguirem pessoas que haviam sido jogadas na clandestinidade, os policiais passaram a agir clandestinamente", diz o historiador Carlos Bacellar, diretor do Arquivo Público do Estado.

18 de agosto de 2011

PMDB: ligado a Serra, Padilha 'não dará trabalho' a Dilma


Ligado ao tucano José Serra, de quem fez a campanha na corrida presidencial do ano passado, o ex-ministro dos Transportes do governo FHC Eliseu Padilha (PMDB-RS), que se prepara para assumir na Câmara dos Deputados a vaga de Mendes Ribeiro Filho, alçado a novo ministro da Agricultura, não deverá "dar trabalho" à presidente Dilma Rousseff. A garantia é do presidente nacional peemedebista, Valdir Raupp (PMDB-RO).

"O Padilha é um homem maduro, experiente, vai para ajudar, para contribuir. Acho que ele vai ajudar. Se alguns pensam que ele vai dar trabalho, ele vai contribuir muito para ajudar a harmonizar a base do governo na Câmara", disse Raupp, ao lembrar da instabilidade de parlamentares governistas que, insatisfeitos, na última semana chegaram a boicotar votações em Plenário.

"Padilha, se não apoiou naquele momento (de eleição), agora vai integrar a base. Já nos disse que vai integrar a base. Acho que poderá ajudar muito nesse momento de turbulência, ajudar a agregar a base. A base hoje é muito folgada. A oposição dificilmente passa dos 80, 90 votos na Câmara e 17, 19 no Senado. Há uma margem muito ampla que dificilmente vai comprometer a aprovação de projetos importantes", explicou o presidente do PMDB.

Ao relembrar a rebeldia da base aliada - a crise entre os governistas culminou com a retirada do Partido da República da base aliada à Dilma -, Raupp disse que "o problema são desconfianças que devem ser retiradas". "Confiança é igual vidro. Se trincar, fica difícil consertar. Espero que não tenha trincado, que ainda esteja em uma fase de prevenção que não deixe aumentar", disse o presidente do PMDB.

Eliseu Padilha, considerado uma das principais lideranças peemedebistas no Rio Grande do Sul, é acusado pela Polícia Federal de ter envolvimento em crimes nas licitações para construir as barragens de Jaguari e Taquarembó, na metade sul do Estado. Desde 2009, ele já era investigado pela Operação Solidária, deflagrada para investigar desvios de recursos e direcionamento de licitações protagonizados por agentes públicos.

Piauiense é cotado para líder do governo no Congresso
Dilma deve escolher um deputado para ocupar o posto de líder do governo no Congresso, afirmou Raupp nesta quinta-feira. "A presidente disse ontem ao vice-presidente (Michel) Temer que deverá ser da Câmara, que continuará a liderança do governo no Congresso da Câmara dos Deputados. Não sabemos ainda se do PMDB ou de outro partido."

O senador afirmou que o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) é um dos cotados para o cargo e que seu nome conta com o apoio do partido. O posto era ocupado até a quarta-feira por Mendes Ribeiro.

A queda do ministro da Agricultura
Em decisão que surpreendeu a própria presidente Dilma Rousseff, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), pediu demissão no dia 17 de agosto de 2011, após uma série de denúncias contra sua pasta e órgãos ligados a ela. Em sua nota de despedida, ele alegou que deixava o cargo a pedido da família e afirmou que todas as acusações são falsas, tendo objetivos políticos como a destituição da aliança de apoio à presidente e ao vice, Michel Temer.

A revista Veja publicou, no final de julho, denúncias do ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto de que um consórcio entre o PMDB e o PTB controlaria o Ministério da Agricultura para arrecadar dinheiro. O denunciante é irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, e foi exonerado após denúncia da própria revista de que teria autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa "fantasma".

Outra reportagem afirmou que um lobista, Júlio Froés, atuaria dentro da pasta preparando editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorriam a verbas. Segundo a revista, o homem teria ligações com Rossi e com o então secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan. Ambos negaram envolvimento, mas Ortolan pediu demissão em 6 agosto. Em seu lugar foi escolhido o assessor especial do ministro José Gerardo Fontelles, que acabou assumindo o lugar do próprio Rossi interinamente.

No dia 16 de agosto, o Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Rossi e um filho sempre são vistos embarcando em um jato da empresa Ourofino Agronegócios. Conforme a publicação, o faturamento da Ourofino cresceu 81% depois que a empresa foi incluída como fornecedora de vacinas para a campanha contra a febre aftosa. O ministro admitiu que pegou "carona" algumas vezes na aeronave, mas negou favorecimento à empresa e disse que o processo para a companhia produzir o medicamento teve início em 2006, antes de ir para o ministério.

Contudo, a Comissão de Ética da Presidência anunciou que iria analisar a denúncia. Por fim, no dia em que Rossi decidiu pedir demissão, o ex-chefe da comissão de licitação da pasta Israel Leonardo Batista afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro depois da assinatura de contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. A Polícia Federal instaurou um inquérito para tratar o caso.

Com informações da Reuters.

4 de julho de 2011

Zé Parela

Suspeito de enriquecimento ilícito na gestão do Cruzeiro, não é a primeira vez que Zezé Perrella se torna alvo da PF. Em 2010, o cartola foi indiciado pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas na negociação do zagueiro Luisão, titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010. A iniciativa de investigar a fazenda veio depois que o Hoje em dia revelou, aqui , a existência da propriedade, avaliada em R$ 60 milhões.

29 de abril de 2011

Sustar cheque agora, só com registro policial

O cliente que quiser sustar ou revogar um cheque roubado, furtado, extraviado ou fraudado terá de apresentar um registro ou boletim de ocorrência policial ao banco para evitar o saque de sua conta. Essa é uma das novas regras de transparência para emissão de cheques aprovadas ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A obrigatoriedade do registro policial vale a partir da publicação da medida, o que deve ocorrer hoje.

14 de fevereiro de 2011

Aécio mostra a cara

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) prepara um imponente discurso inaugural de seu mandato para depois do Carnaval. No pronunciamento, o político mineiro pretende anunciar o que tem chamado de "agenda da oposição para o Brasil", para servir de contraponto às matérias de interesse do Executivo. O líder tucano discorrerá sobre o papel e a importância do Senado nesta nova legislatura. Nos últimos dias, Aécio tem colhido sugestões para o discurso em conversas com governadores da oposição e até mesmo de partidos governistas como PMDB e PSB. Também tem ouvido lideranças municipalistas interessadas em propor uma pauta federativa.

25 de outubro de 2010

Edir Macedo pede 'iluminação' às pessoas na hora do voto

O líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, pediu ontem que as pessoas sejam iluminadas na hora de escolher o seu candidato à Presidência da República no próximo domingo. A declaração foi feita durante culto proferido por ele no templo da Avenida João Dias, no bairro Santo Amaro.

Apesar de o bispo não citar nomes, no decorrer da cerimônia foram distribuídos exemplares do jornal Folha Universal, com reportagens que acusam os responsáveis pela campanha do candidato tucano José Serra de radicalizar a discussão religiosa para angariar votos.

A matéria principal afirma que a Igreja Católica está tentando interferir nas eleições brasileiras "tomando parte em uma campanha agressiva contra a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT)". A reportagem fala também da importância de preservar o Estado laico.

Outra matéria aborda o caso dos panfletos anti-Dilma, que teriam sido confeccionados a pedido de dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo diocesano de Guarulhos. O folheto "Apelo a todos os brasileiros e brasileiras" recomenda à população que vote somente em candidatos e partidos contrários à descriminalização do aborto.

A edição ainda reproduz o post publicado em 16 de outubro no blog do bispo Edir Macedo, no qual questiona o apoio do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, ao candidato do PSDB. Dois dias depois, Malafaia pôs no YouTube um vídeo em que chama Macedo de "mentiroso".

20 de outubro de 2010

'O ProUni vem sendo combatido no STF pela oposição'

o ministro da Educação, Fernando Haddad,diz que é uma contradição que o candidato tucano à Presidência, José Serra, prometa manter e expandir o ProUni para o ensino técnico, enquanto o DEM de seu vice, Indio da Costa, tenta derrubar o programa na Justiça.

O candidato Serra critica o MEC por falhas na organização do Enem

FERNANDO HADDAD: Para mim, parece uma afirmação oportunista se valer de um crime que foi devidamente apurado, cujos responsáveis estão sendo processados e podem pegar até 14 anos de prisão

Serra fala em reformular o Enem.

HADDAD: Eu não consigo entender o que significaria acabar com o novo Enem, reformulá-lo, uma vez que ele foi pactuado com 59 universidades federais e 38 institutos federais.

HADDAD: O Enem só ganhou a importância que ganhou a partir do ProUni.

As inscrições quadruplicaram a partir do momento em que o Enem foi entendido como porta de entrada nas instituições que participam do ProUni.

A partir de 2004?

HADDAD: Sim. Desde então, o ProUni vem sendo combatido no STF pela oposição.

Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade foi proposta pelo DEM para que o Supremo declare a inconstitucionalidade da lei que criou o programa.

A ação no Supremo é contra todo o programa ou só contra a reserva de vagas por critério racial?

HADDAD: Ela mira todo o programa. Se for aceita, o ProUni ficará reduzido a 15%, porque as entidades sem fins lucrativos ou filantrópicas, que representam 85% das matrículas, ficariam desoneradas de oferecer a contrapartida pelas isenções constitucionais de que gozam.

Mas o candidato Serra fala em manter o ProUni.

HADDAD: Ele fala (em manter o ProUni), mas o partido do vice dele não retirou a ação até hoje. A esta altura, seis anos depois, há uma contradição entre o que é feito no Judiciário e o que é proposto no Executivo (campanha de Serra). Uma contradição que poderia ser resolvida se o DEM fizesse um gesto, encaminhando ao Supremo uma ponderação de que não considera o ProUni inconstitucional.

Isso é possível?

HADDAD: A qualquer momento. Essa contradição poderia ser resolvida com uma petição, reconhecendo o erro que quase pôs abaixo o programa. Porque bastava uma liminar, e eles pediram uma liminar. Se essa liminar fosse concedida, teríamos 700 mil universitários a menos no país hoje.

19 de setembro de 2010

Onde só concorre amigos do Lula

Em disputa acirrada, Collor, Teotônio e Lessa ensaiam fórmulas diversas de se associar ao presidente para ir ao 2º turno

"Aqui era a casa de PC, onde ele foi assassinado... A grande burrada do Collor foi aquela Zélia, que tomou o dinheiro de todo mundo. Dizem que muita gente morreu com isso. Não sei se é verdade, mas é o que dizem. E a Rosane? Vixe! Uma matuta. Dizem que ela desviou dinheiro da LBA."

Collor discursa em campanha no interior de Alagoas, com cartaz da petista Dilma Rousseff

Enquanto se recorda dos tempos em que trabalhou com Fernando Collor em 1990, o taxista Ricardo Sérgio Lessa, 50 anos, assume o papel de guia turístico político e reconta a história da qual foi parte como motorista credenciado pela segurança da Presidência da República.

Hoje taxista, ele representa a parte do povo alagoano que tem memória, mas declara, de maneira desabrida, o voto em Collor. O diagnóstico sobre o impeachment de Collor em 1992 e dos tempos sombrios na Casa da Dinda é peculiar: "O cabra não era de patotinha. Não tinha apoios. Cabra novo, falava todas línguas. Foi inveja e olho grande. Não provaram nada contra ele." Ricardo está entre os cerca de 30% de eleitores de Collor (PTB), que tenta voltar ao governo de Alagoas, numa das mais emboladas disputas estaduais do País.

Alagoas é palco de reviravoltas da história e da política. Tecnicamente empatado com o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) e com o atual governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), Collor e seus fortes adversários ensaiam fórmulas diversas de se associar ao presidente Lula com intuito de chegar ao segundo turno. Enquanto Teotônio e Lessa travam o pior duelo em busca do segundo turno, o passado de Collor é poupado pelos adversários. Aliados dos dois garantem que a "surpresa" para o ex-presidente está guardada para um eventual segundo turno.

"Alagoas sabe que o presidente Lula é meu amigo e meu parceiro. Vai ajudar o Ronaldo, mas ele deu uma declaração institucional. Lula, no fundo, torce por mim", diz o governador, ex-presidente nacional do PSDB, ao comentar a gravação de apoio de Lula a Lessa na última segunda-feira e, desde então, virou hit na TV, no rádio e em carros de som espalhados nas ruas.

José Serra, candidato do PSDB à Presidência, nunca está nos programas eleitorais do governador. Já Lula aparece com destaque. Esconder Serra, segundo o tucano, é "estratégia de marketing". "Preciso crescer mais nas pesquisas para puxar o Serra.

"Ai meu Deus, bota o Serra lá para cobrar imposto. Tá frito!", comenta, baixinho, o candidato a vice, José Thomaz Nonô (DEM), que demonstra a insatisfação com a associação a Lula. "Nosso eleitorado aqui é de enlouquecer qualquer cientista político. Já vi cartaz da Heloísa Helena ao lado do Renan (Calheiros), e eles são inimigos mortais. O candidato ao Senado na nossa coligação (Benedito de Lyra) pede votos para a Dilma!", relata Nonô.

Bordão. Num caminhar frenético, Collor desembarca de seu helicóptero num campo de futebol, ao lado de um lugarejo com esgoto a céu aberto, na pequena Matriz de Camaragibe, a 110 quilômetros de Maceió.

Os cabelos estão grisalhos, mas os bordões e o estilo são os mesmos de quando chegou à Presidência. Esportivo, o candidato faz das caminhadas, sempre de tênis e com o adesivo de Dilma pregado na camisa, o ponto alto da campanha. Ergue as mãos saudando o povo, simula abraços em gestos, bate continências. Carismático e com um discurso eloquente e impostado, adula os fãs, transformando-os em eleitores.

Marcado por sua célere e dramática permanência na Presidência, a relação de Collor com a imprensa inexiste. Assessores tentam driblar jornalistas para mantê-los o mais longe possível do candidato, e informações sobre a agenda do ex-presidente são ocultadas. Ao ser abordado pelo Estado, Collor segue em linha reta, sem dizer uma palavra.

"Minha gente, não nos esqueçamos: no dia 3 de outubro temos um encontro com as urnas, que significa um encontro com a nossa consciência. Alagoas haverá de melhorar com Fernando Collor no governo", discursa para seu eleitor típico, as classes D e E. Como de costume, cita, entre elogios, Lula e Dilma, a quem chama de "futura presidenta".

Nuances. "O Collor está apoiando a Dilma. Se ela vem a Alagoas, ele vai querê-la no palanque dele. Não vou forçar a barra. Deixo isso com o PT, porque há muitas nuances", afirma Lessa, o único que teve o privilégio de mostrar na TV o apoio explícito de Lula. "Se a Dilma vem aqui e querem aliá-la ao Collor para desgastá-la, ela não tem de vir."

Sob o risco de ter a candidatura impugnada se for enquadrado na Lei da Ficha Limpa, Lessa reclama do apoio tardio de Lula, há 20 dias das eleições. "Me disseram que todos os candidatos querem, do Brasil inteiro, e ele não fez por ordem alfabética. Se fosse, Alagoas estava na frente. Acho que ele fez pelo PIB." A gravação foi feita por insistência do senador Renan Calheiros, candidato à reeleição. "Meu padrinho é Lula, não o Renan. Mas Renan tem sido corretíssimo", diz.

O pedetista também dá estocadas no PT, que teria prometido "apoio logístico para a campanha". "Pode ser que a cúpula do PT não saiba quem são Teotônio e Collor. O povo de Alagoas sabe", alfinetou Lessa, que ainda espera por uma gravação de Dilma.

Diariamente, o escolhido de Lula é bombardeado na TV por conta da condenação pelo TRE, que o considerou inelegível. Agora, ele aguarda julgamento no TSE e já planeja recorrer ao STF. "Não me incluo nesta ficha suja, mas até eu explicar que focinho de porco não é tomada vão usar e abusar."

Em 2004, quando governador, Lessa anunciou aumento para professores quando participava de evento em que também declarara apoio a um candidato à prefeitura. Ficou inelegível de 2006 a 2009.
Veja também (agrupamento):

15 de setembro de 2010

Folha de São Paulo toma sapatada Presidente da OAB e conselheiro da polícia de SP diz que caso Petrobras não foi quebra de sigilo

O presidente da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), Luiz Flávio Borges D’Urso, que tomou posse nesta quarta-feira (15) no Conselho da Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo, a pesquisa de fichas criminais realizada pela Polícia Civil de SP a pedido da Petrobras “não corresponde à violação de sigilo dos candidatos aos concursos daquela estatal”.

Segundo reportagens publicadas hoje pelos jornais “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S.Paulo”, a pedido da Petrobras, a Polícia Civil quebrou o sigilo criminal de milhares de pessoas que tentaram emprego na estatal ou em suas subsidiárias durante um período de pelo menos dez anos, de 2000 e 2009.

“Tratam-se de dados que embora não sejam de domínio público, não estão amparados pelo sigilo determinado por disposição legal, assim, não havendo lei que estabeleça o sigilo, não se pode falar em quebra desse sigilo inexistente”, disse D’Urso, segundo nota oficial.

“Um dado só é sigiloso quando a lei assim determinar e depende de autorização judicial para ser revelado. Não é o caso aqui, até porque informações criminais são trocadas rotineiramente entre órgãos da administração pública e constam de certidões, que só o Poder público expede, a exemplo das certidões criminais forenses obtidas por qualquer cidadão”, completou.

Para D’Urso, o que deve ser apurado é a forma como essas informações foram repassadas à Petrobras. “ Se as pesquisas realizadas pelos agentes públicos foram promovidas mediante remuneração indevida ou obtenção de presentes, isto sim deve ser apurado.”

Em relatório, a Corregedoria da Polícia Civil diz que a prática, chamada de "ilegal" pelo próprio órgão, atingiu 4.000 pessoas por mês, em média. Segundo a investigação, só de janeiro de 2008 a julho de 2009, a Divisão de Capturas passou à Petrobras fichas criminais de 70.499 pessoas.

A estatal confirmou ter solicitado os dados e disse que "o levantamento de informações sócio-funcionais é prática corrente no meio corporativo". Disse ainda que o procedimento "faz parte da sua política empresarial, com o objetivo de garantir a segurança das instalações e das operações da companhia e que é importante ressaltar que os dados são públicos".

13 de setembro de 2010

No ABC, eleitor para carreata e pede emprego a Mercadante


A carreata do candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, realizada na manhã deste domingo (12) na periferia de Santo André, no ABC Paulista, foi interrompida por um desempregado que pediu ajuda ao candidato para uma recolocação no mercado de trabalho. O homem atravessou as duas pistas da avenida Mário Toledo de Carvalho e abriu os braços em frente ao caminhão, que foi obrigado a parar. Atrás dele, cerca de cem carros fizeram o mesmo. De cima do caminhão, o candidato ouviu o pedido.

"Tenho mais de 40 anos e não consigo mais emprego. O senhor precisa dar um jeito nessa situação", disse. Surpreso com a situação, Mercadante pediu para que baixassem o som do carro de som e prometeu investimento em ensino técnico para pessoas de idade mais avançada que estão fora do mercado de trabalho.

"Ele disse que não tinha estudo e estava com dificuldade para conseguir emprego. A região do ABC é um pólo industrial que necessita de capacitação para que esse tipo de pessoa tenha oportunidades", afirmou o candidato.

Após a carreata, Mercadante questionou os ataques que vem sofrendo no horário eleitoral gratuito do PSDB, que tem criticado a sua falta de assiduidade no Senado em votações de interesse para o Estado de São Paulo.

"Se eles (PSDB) acreditassem nas pesquisas, não estariam nos atacando. Faz parte da estratégia de campanha deles. Eu só lamento por ele (Alckmin) não agradecer pelos empréstimos que eu ajudei a fazer para São Paulo. Somente para o Metrô e a CPTM foram R$ 9,5 bilhões, em que eu tive participação no financiamento e na aprovação com maior rapidez", disse.

Sobre as denúncias contra a ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, Mercadante disse que era necessário esperar os desdobramentos.

"Vamos aguardar e verificar. O próprio empresário parece que desmentiu a matéria", disse. De acordo com reportagem da Revista Veja, Erenice teria atuado para viabilizar negócios nos Correios intermediados por uma empresa de consultoria de seu filho, Israel Guerra.

De acordo com a reportagem, Erenice teria se encontrado com o empresário Fábio Baracat, ex-sócio da MTA Linhas Aéreas, que atua com transporte de correspondências. Segundo a publicação, os quatro encontros entre Erenice e o empresário aconteceram fora da Casa Civil. A atual ministra nega os encontros fora de agenda oficial. No último desses encontros, Erenice teria cobrado Baracat por um pagamento atrasado, o que ela também nega.

12 de setembro de 2010

O golpe da revista Veja

Uma vez perguntaram a Al Capone (controlava jornalistas, congressistas, juízes, policiais) como ele convivia com a monteira de corpos dos seus inimigos em cada refrega por disputa dos “negócios.”

A resposta de Capone, que era um tipo arrogante, algo assim como novo rico, tucano, foi direta – “isso é o de menos, morre gente todo dia, não há nada pessoal, são só negócios. Tinha até estima por alguns dos meus desafetos.”

E o arremate. “Não me choco, a gente se acostuma, sabe que é a luta pela sobrevivência, igual a qualquer empresa em qualquer lugar do país.”

Porcos se acostumam a viver em seu ambiente. Tucanos e DEMocratas não têm esse tipo de preocupação, são como Capone.

No dia imediato à tentativa de golpe contra Chávez, abril de 2002, jornalistas das maiores redes privadas da Venezuela foram comemorar a notícia falsa que de comum acordo com os outros grupos golpistas havia desfechado a fracassada investida.

Riram de sua mentira, brindaram sua mentira.

Fizeram tudo certinho, só se esqueceram de combinar com o povo. Está tudo documentado em “A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TRAÍDA”. Dois dias após a posse do “presidente” golpista Pedro Carmona se viram diante de um dilema. Ou matavam milhões de pessoas que estavam nas ruas pedindo a volta de Chávez e transformavam a Venezuela num deserto particular, para eles, ou saiam, fugiam, pois lhes faltava a sustentação básica, a popular.

Fugiram.

Diogo Mainardi é um jornalista da revista VEJA. Disparou acusações durante os últimos anos contra figuras do governo Lula. Seus artigos eram citados e apontados como exemplo de coragem, de jornalismo independente (pelos que vivem com os porcos, que me perdoem os porcos).

A cada golfada de vômito de Mainardi em cada edição da revista VEJA os atacados iam, como acontece no processo democrático, exigir na Justiça a prova do que estava sendo afirmado, denunciado.

Mainardi está na Itália, tem dupla nacionalidade. Não conseguiu provar coisa alguma e fez um acordo com VEJA, a revista que abrigava suas denúncias falsas, forjadas e montadas em função de contratos assinados com o governo de José Arruda Serra (as revistas da ABRIL, sem concorrência, eram distribuídas nas escolas, são aliás, de São Paulo, em contrato milionário).

Fugiu para evitar ser condenado diante de todos processos e VEJA, num acordo com o jornalista, que continua a escrever, paga as indenizações às vítimas das mentiras de Mainardi. Na Itália Mainardi escapa da prisão.

VEJA não é única. O sistema GLOBO é um câncer na comunicação. FOLHA DE SÃO PAULO idem. ESTADO DE SÃO PAULO ibidem. A mídia privada vive com os porcos no Brasil (mais uma vez que me perdoem os porcos).

Quando o delegado Protógenes Queiroz prendeu o doublê de banqueiro/tucano e assaltante de cofres públicos Daniel Dantas o ministro do STF – SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – Gilmar Mendes (que emprega o jornalista Eraldo não sei das quantas em uma arapuca que mantém sustentada com dinheiro público e de incautos e emprega para calar a boca do jornalista e cala) concedeu em tempo recorde dois habeas corpus a Dantas.

Gilmar e Dantas foram companheiros no governo de FHC. Um garantindo a parte jurídica das maracutaias e outro na turma da privatização.

Essa gente chama liberdade de expressão o direito de inventar, injuriar, forjar e concentra em suas mãos, poucas “famiglias”, o poder de tentar iludir os brasileiros com suas “verdades” montadas nas agências de propaganda, nas grandes empresas, em Washington e Wall Street.

O Brasil é apenas um objetivo num contexto global que os donos do mundo consideram essencial. José Arruda Serra é o capataz designado para cumprir essa tarefa.

No caso dos habeas corpus concedidos a Daniel Dantas, na semana seguinte, a revista VEJA surgiu com uma misteriosa suspeita que o gabinete do ministro presidente do STF estivesse sendo alvo de escuta e uma conversa entre Gilmar e o senador Heráclito Fontes (ficha suja) foi apresentada como prova.

VEJA nem toca no assunto mais, era a mentira para ajudar salvar Dantas e Gilmar, a gravação era uma farsa, foi montada nos laboratórios/chiqueiros desse jornalismo fétido da mídia privada.

Protógenes e o juiz De Sanctis viraram réus por combater a bandidagem.

As denúncias feitas na última edição de VEJA cumprem esse papel. Tentar evitar a todo custo que Dilma Roussef vença as eleições no primeiro turno e jogar a decisão para o segundo, na tentativa de obter o controle do Brasil.

São mentirosas, são falsas e foram orquestradas, como serão várias até o dia das eleições, no esquema FIESP/DASLU.

O jornalista Luís Nassif, ele mesmo alvo de vários processos por ter denunciado esse jornalismo podre dessas quadrilhas, tocou num ponto chave nesse tipo de matéria. O do repórter, de quem assina as denúncias.

Nassif revela uma conversa com um amigo jornalista que lembrou a ele que um direito nunca foi tirado dos repórteres. O de dizer não. “Se não concorda com o teor da edição, se acredita que a matéria foi mutilada, pode dizer não. A matéria sai sem assinatura e o repórter se preserva. A matéria da VEJA tem a assinatura do repórter Diego Escostegui. Para o bem (caso esteja certo) ou para o mal (caso tenha manipulado informações), marcará o nome desse repórter para sempre”.

O empresário Fábio Bacarat, um dos alvos da denúncia, em nota oficial desmentiu todo o teor da reportagem de capa de VEJA.

A ministra Erenice Guerra, chefe do Gabinete Civil, em nota desmente todas as afirmações de VEJA e vai mais além, afirma que foi procurada pelo repórter (que disse sim a se prestar ao papel de pústula, aquele sujeito que faz tudo pelo chefe, cai de quatro sem problema) e todas as suas declarações foram ignoradas ou manipuladas.

O JORNAL NACIONAL, não poderia deixar de ser, a coisa é orquestrada, cada hora entra um instrumento, deu ênfase às “denúncias” e cumpriu seu papel nessa história de tentar eleger José Arruda Serra a todo custo.

Vamos ter tentativas semelhantes de golpe através da mentira até o dia das eleições.

Pode parecer repetitivo, mas é preciso lembrar que a GLOBO deixou de anunciar o fato jornalístico mais importante do dia, em 2006, ante véspera da eleição, a queda do avião da GOL, para não prejudicar o impacto de um dossiê falso que iria jogar no ar tentando levar as eleições para o segundo turno e viabilizar condições para um tucano vencer, no caso Geraldo Alckimin. As concorrentes, todas, já haviam divulgado o acidente.

E outras tantas, é prática corriqueira da GLOBO, de VEJA, da FOLHA DE SÃO PAULO, do ESTADO DE SÃO PAULO, da RBS (não noticia quando o filho do diretor estupra, aí fica em silêncio) esse tipo de jornalismo marrom, podre.

É por isso que William Bonner afirma que o telespectador do JORNAL NACIONAL “é como Homer Simpson”, rotulando-o de idiota. É a maneira como ele enxerga o cidadão que assiste ao filme diário travestido de JORNAL DA MENTIRA.

A ética desse tipo de gente é a dos que pagam por esse amontoado de farsas.

Não tem a menor idéia do que seja dignidade profissional. Só de quanto está no contracheque e na conta bancária.

São canalhas plenos, absolutos. Tinham como lembrou o amigo citado por Nassif, o direito de dizer não. Ou seja, de manifestar princípios de dignidade e caráter. Fala mais alto o dinheiro, vence a capacidade de serem camaleões dos patrões, bonecos ventríloquos.

O Brasil é vital para os interesses dos que tocam o mundo a seu bel prazer, em função de seus interesses, certamente, não são os interesses dos brasileiros.

José Arruda Serra não apresentou uma única proposta de governo, só calúnias, acusações e choro.

Tem dito com freqüência que essa mania de compará-lo com FHC, seu inspirador, é um erro, pois não estamos falando de passado, mas de futuro.

É claro. Só que é preciso olhar para o passado, o governo corrupto e podre que foi o de FHC, para não incorrermos no mesmo erro. Do contrário não teremos futuro. Ele vende tudo. PETROBRAS, BANCO DO BRASIL, o que estiver no “estoque” do item patrimônio público. E como FHC e seus apaniguados embolsam polpudas propinas.

O que VEJA mostra, como o JORNAL NACIONAL, é o desespero dos que estão perdendo a perspectiva de continuar a crescer em cima do dinheiro público, aquele pago e gerado pelo trabalho de milhões de brasileiros.

A mídia privada vive entre os porcos (que me perdoem os porcos, não têm culpa disso).

O que tentam é um golpe. Para eles pouco importa o Brasil e os brasileiros.

A corrupção e a venalidade, a subserviência é intrínseca a eles.

Já nascem com esse imprimatur. De seres repugnantes.

O desafio de uma comunicação calcada na ética da verdade, sem distorções, não importa o direito de opinião, é líquido e certo, ninguém precisa ser a favor disso ou daquilo que não seja o ditame de sua consciência, de seu saber, mas é necessário que esses estejam assentados sobre pilares de dignidade. É um desafio que precisa ser objeto de amplo debate popular.

Não é o caso de VEJA, nem da GLOBO, ou da FOLHA DE SÃO PAULO, da RBS, da mídia privada como um todo.

A sujeira é parte deles, se acostumaram, como Al Capone.

Que tal exibir a verdadeira história da quebra de sigilos fiscais e mostrar o papel de Verônica Serra, a filha do bandido, nos “negócios”? Ou a origem real da história que virar livro e contar quem de fato é José Arruda Serra e os interesses que representa?Não fazem, estão no bolso dos donos.
Laerte Braga

Site ajuda eleitor a escolher seu deputado

O eleitor que ainda não decidiu em quem votar para deputado federal agora tem ajuda on-line para escolher um candidato. O site Extrato Parlamentar (www.extratoparlamentar.com.br) oferece uma ferramenta que calcula a afinidade entre o internauta e os deputados.

Ou seja, o eleitor poderá saber, pelo menos entre os candidatos à reeleição, quais pensam de forma mais parecida com ele. Não do ponto de vista abstrato da ideologia, mas da atuação concreta nas votações parlamentares.

O modelo é simples: o internauta diz se é favorável ou contrário a 12 projetos que tramitaram na Câmara, e o site compara as respostas com os votos de cada deputado.

O site pressupõe algum conhecimento por parte do internauta, que precisará dizer, por exemplo, se é favorável ou contrário "à ampliação do Supersimples" ou ao "reajuste de 7,7% aos aposentados".

Depois um modelo matemático converte as respostas num ranking, elaborado com base no percentual de afinidade. Quanto mais alta a afinidade, maior a coincidência de votos reais do deputado e "votos virtuais" do eleitor.

O resultado aparece em duas listas: uma local, baseada na unidade da Federação do internauta, e outra nacional. Se o internauta quiser, também pode verificar sua afinidade com os partidos.

Segundo a cientista política Andréa Freitas, do Cebrap, o site busca "prover o eleitor de informações que possam ajudá-lo" a escolher seu candidato e "ajudar a qualificar sua decisão".

6 de setembro de 2010

Nada melhor do que o Brasil

É triste a situação dos brasileiros que, movidos pelo sonho de prosperidade, vão procurar melhor sorte em outros países.

Apesar da relativa melhora na economia em anos recentes, em várias regiões do Brasil ainda é difícil encontrar perspectivas que respondam aos anseios de muita gente.

Assim, os EUA e a Europa continuam a atrair brasileiros em busca de emprego --mas alguns deles lá encontram, apenas, a solidão, o desespero e a morte.

Duas notícias recentes dão a dimensão dessa tragédia humana.

Um cartel de drogas mexicano executou dezenas de imigrantes, entre eles quatro brasileiros, que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos. A exigência era que levassem tóxicos para vender em território americano. Como se recusaram, foram assassinados.

Na Espanha, jovens brasileiros foram encontrados em situação semelhante à escravidão. Recrutados por criminosos, tinham de trabalhar na indústria do sexo para pagar suas dívidas.

A situação é dramática porque, estando eles próprios na ilegalidade, esses brasileiros têm poucas condições de recorrer às autoridades locais para se defender da exploração.

Se no Brasil ainda falta, para muita gente, perspectiva de uma vida melhor, falta nos países desenvolvidos uma política mais aberta com relação aos estrangeiros ilegais.

As autoridades desses países, às voltas com uma grave crise de desemprego, querem defender a mão de obra local.

Entre essas duas realidades cruéis, o mundo globalizado cria, a todo tempo, novos personagens de um drama de difícil solução.

4 de setembro de 2010

Imagem é tudo

Os debates em redes de televisão, rádios e portais da Internet estão dominando a agenda dos candidatos aos cargos executivos. Tudo bem que esses veículos de comunicação atinjam muito mais pessoas que o contato físico dos candidatos com o eleitor. Porém, apertar mãos, amassar barro e beijar crianças ainda é fundamental. Além do mais, cada aperto de mão também traz repercussão junto a família, amigos e vizinhos.
 

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